Cultura em duas rodas estimula leitura em São Paulo

Por: André Nicolau Comunicar erro

São Paulo concentra uma das maiores frotas de motocicletas do mundo, com aproximadamente 600 mil veículos circulando pelas ruas das cidade, todos os dias. Circunstância que corresponde a uma série de conceituais preconceitos e opiniões distorcidas, quando não equivocadas, a respeito daqueles que fazem das duas rodas o seu principal instrumento de profissão: os temidos e odiados motoboys.

No entanto, há quem pense o contrário. E mais do que pensar, há quem queira mudar este cenário de estigmas e julgamentos, para dar lugar a uma nova realidade na qual os “motoqueiros” ocupem papel fundamental até então não imaginado, ajudando a estimular o hábito da leitura. A começar por eles mesmos.

O motoboy Marcos Weberton, um dos usuários da Mototeca, em fotografia registrada pelo colega de profissão, Marivaldo de Oliveira.

Foi assim que há 5 anos surgia a “Translig”, empresa  idealizada pelos empresários Kátia Ricomini e Rafael Bernardes,  que busca “trabalhar por um profundo senso ético, que se realiza na condução moral de nossas ações com postura de empresa cidadã, conciliando os interesses de todos – sociedade, clientes, fornecedores e colaboradores, valorizando o ser humano em todas essas relações”.

Desta proposta inovadora que Rafael e Kátia encontraram para desconstruir o mito em torno dos motoboys, dois projetos foram idealizados sob a patente da empresa:  a Translivroteca e a Pegada da Leitura. “Sempre notamos certo ócio entre os intervalos das corridas. E por que não aproveitar este tempo com alguma coisa que beneficie os motoboys, como incentivá-los à leitura”, relembra Bernardes.

Translivroteca

Sem nenhum tipo de formalidade,  a Translivroteca está estruturada por  3 básicos preceitos: valorização social dos profissionais, construção da auto-estima e o crescimento pessoal. A iniciativa garante o acesso à informação e à cultura, incentiva o hábito da leitura e
contribui para a formação de profissionais melhores capacitados. “A Kátia sempre esteve envolvida com projetos sociais, por isso me convenci que seria uma grande chance de ajudá-los “, explica o empresário.

Pegada da Leitura

Inspirado em uma iniciativa internacional, praticada inicialmente na Europa, conhecida como Bookcrossing, o projeto “Pegadas da Leitura” foi concebido para estimular a troca gratuita de livros, sem qualquer distinção de gênero e estilo. “Montamos uma pequena biblioteca, que rapidamente se tornou um acervo de milhares de títulos. Hoje são pouco mais de 3 mil”, revela Kátia.

A biblioteca está aberta ao público diariamente em frente à empresa localizada no bairro de Pinheiros. “Sempre coloco os livros pela manhã numa cesta e quando chega o horário do almoço, as obras são praticamente esgotadas. Por dia, saem em média umas 250 publicações”, conta.

Novos projetos

Para o futuro, a organizadora prevê o lançamento de novas campanhas, com a redistribuição de livros em ações trimestrais. A princípio, a proposta beneficiaria os moradores dos bairros em que  reside cada motoboy da empresa, por meio de uma pesquisa de opinião. “A ideia do projeto é fazer do motoboy um agente cultural, colaborando com a transformação sócio-educacional das respectivas regiões, e dessa forma mostrar que esses profissionais são muito mais que um incômodo nas ruas”, finaliza.

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