Imagem do Topo

Ato feminista oferece tatuagens de graça de flores-vaginas

Multi-artista Panmela Castro e escritora Clara Averbuck se manifestam em resposta à censura de graffiti com esse desenho

Por: Redação Comunicar erro

Eleita a rainha do graffiti brasileiro pela CNN, a multi-artista Panmela Castro teve uma de suas pinturas censurada no final de 2017, em Sorocaba, interior de São Paulo, porque a obra exibia rostos femininos ligados por uma flor-vagina. Em resposta à essa violência, ela resolveu se unir à escritora Clara Averbuck e as duas criaram o ato feminista “Femme Maison – Parte II”, que oferece tatuagens de graça com o mesmo desenho em miniatura para quem quiser participar da ação. O ato acontece na galeria A7MA, na Vila Madalena, na zona oeste de São Paulo, neste sábado, 1º de setembro, a partir das 19h.

Panmela Castro e Clara Averbuck em ato feminista
Crédito: Diego Aliados - divulgaçãoPanmela Castro tatua desenho de flor-vagina em ato feminista na galeria A7MA, na Vila Madalena

O polêmico graffiti foi criado para a segunda edição da mostra Frestas – Trienal de Artes do Sesc na parede externa do Palacete Scarpa, sede da Secretaria de Cultura e Turismo de Sorocaba. A obra foi apagada depois dos ataques raivosos do vereador Pastor Luis Santos (PROS), que alegou, em sessão ordinária na Câmara Municipal,  que as “mulheres sorocabanas foram agredidas por essa pseudoarte”, nas palavras dele.

Assista abaixo à sessão ordinária da Câmara Municipal de Sorocaba, na qual o vereador Luis Santos se pronuncia contra o graffiti (a partir de 1h e 6min):

A performance é dividida em dois momentos. No primeiro, Panmela Castro tatua em Clara Averbuck o desenho completo que foi apagado. Em seguida, o público será convidado a tatuar de graça as pequenas flores-vaginas.

Fotografia do graffiti de Panmela Castro que foi apagado em Sorocaba
Crédito: Panmela Castro - Acervo PessoalO graffiti de Panmela Castro foi censurado por retratar rostos femininos ligados por uma vagina
Fotografia do graffiti de Panmela Castro que foi apagado em Sorocaba
Crédito: Panmela Castro - Acervo PessoalA obra, feita para mostra de arte em Sorocaba, foi alvo do vereador Pastor Luis Santos

Enquanto tudo isso acontece, serão reproduzidos em loop dois vídeos: o ataque do vereador-pastor ao graffiti e o videoclipe feminista “Bucetada na sua cara”, da rapper carioca Ainá BNSC.

O objetivo da ação é adotar a vagina como símbolo de poder e denunciar o avanço do conservadorismo, a perda a liberdade de expressão, o machismo e a misoginia. A manifestação integra a série “Femme Maison”, inspirada nos trabalhos da artista francesa Louise Bourgeois (1911-2010), que questionam a identidade feminina.

As feministas

A premiada artista e ativista dos direitos humanos Panmela Castro é bacharel em pintura pela Escola de Belas Artes da UFRJ e mestra em processos artísticos contemporâneos pela UERJ. Ela já fez pinturas nas ruas em várias cidades do mundo, como Cochabamba, na Bolívia; Valparaíso e Santiago, no Chile; Nova York, Washington e Miami, nos Estados Unidos; Toronto, no Canadá; Paris, na França; e Berlim, na Alemanha.

Entre os prêmios que ganhou estão o Empreendedor Social da Folha (2015), o Hutuz (CUFA) de gafiteira do ano (2007) e da década (2009), o Vital Voices Global Leadership Awards (2010) e o DVF Awards (2012). Além disso, em 2012, ela foi reconhecida pela revista Newsweek como uma das 150 mulheres que estão abalando o mundo.

Já a escritora e militante feminista Clara Averbuck tem sete livros publicados: “Máquina de Pinball” (2002), “Das Coisas Esquecidas Atrás da Estante” (2003), “Vida de Gato” (2004), “Nossa Senhora da Pequena Morte” (2008), “Cidade Grande no Escuro” (2012), “Eu Quero Ser Eu” (2014) e “Toureando o Diabo” (2016). Ela já teve sua obra adaptada para o teatro e cinema, foi uma blogueira pioneira e colaborou com vários jornais, revistas e portais.