5 grupos de teatro de BH que você precisa conhecer pra ontem!

Convidamos o ator e músico, Marcelo Veronez, para indicar companhias teatrais belo-horizontinas das quais você não pode deixar de conhecer

PRIMEIRO ATO 

Artistas brasileiros vêm produzindo e interpretando em terras tupiniquins desde meados do século 16. De lá para cá, muita coisa aconteceu, muita coisa mudou, mas a segunda arte sempre se manteve viva. E não é diferente na capital mineira. Aqui há grupos que, se você não conhece, deveria conhecer por manterem a arte cênica viva, seja por seus espetáculos ou por suas ações de formação e pesquisa.

Para facilitar sua busca, convidamos o ator e músico, Marcelo Veronez, para indicar cinco companhias teatrais indispensáveis para conhecer em Belo Horizonte.

Crédito: Frederico SamaraneDia do Teatro: o Catraca Livre Belo Horizonte convidou Marcelo Veronez para indicar cinco grupos de teatro de BH

Formado pelo Teatro Universitário da UFMG, Veronez tem passagens pela Anthônio Escola de Canto e Primeiro Ato Centro de Dança. No teatro, foi coordenador do Núcleo de Artes Cênicas da Coordenadoria de Cultura de Contagem, de janeiro de 2005 a junho de 2007, e participou como ator, produtor e diretor nos principais festivais da cidade, como FIT BH (Festival Internacional de Teatro Palco e Rua), Festival de cenas curtas do Galpão Cine Horto, Campanha de Popularização do Teatro e da Dança e Verão Arte Contemporânea.

E não para por aí, não! Ele já foi indicado por duas vezes ao prêmio SINPARC e premiado pelo seu trabalho no musical “Os Saltimbancos”, de Chico Buarque, produzido pela Fundação Clóvis Salgado (Palácio das Artes). Ou seja, pode ter certeza que as dicas aqui valem ouro!

SEGUNDO ATO 

CENA 1 

A lista de Veronez passeia por grupos teatrais novos, companhias mais antigas, mas todos traçam uma linha de vanguarda, resistência e sempre apresentam trabalhos voltados para questões sociais. A exemplo disso, estão os grupos Primeira Campainha e o Teatro 171, que o artista classifica como “grupos de resistência, com grande papel na composição da vanguarda do teatro da cidade”. Por acaso, ambos os grupos são bem próximos e já se “casaram” em uma das edições do Cenas Curtas, festival promovido pelo Galpão Cine Horto.

Autodenominada “sem patrocínio e sem vergonha na cara”, a Primeira Campanhia é formada por Marina Arthuzzi, Marina Viana e Mariana Blanco e foi criada em 2007. Desde seu ano de estreia já dá o que falar nos palcos de Bellot. Seu primeiro espetáculo, “Sobre dinossauros, galinhas e dragões parte II de III”, ficou entre as cinco vencedores da nona edição do Cenas Curtas. Já a segunda peça do grupo, “Elisabeth está atrasada…”, ao qual nosso convidado inclusive dá destaque, recebeu três indicações ao prêmio SESC/Sated em 2010, mesmo sem financiamento nenhum.

Espetáculo “Elizabeth está atrasada…”, da Primeira Campainha

Essa montagem foi dirigida por Marina Arthuzzi e tem como ponto de partida personagens femininos do universo lorquiano, associados aos arquétipos junguianos e aos conceitos freudianos relacionados à mitologia grega. O fio condutor da história desenvolveu-se a partir da crônica “Clube do Livro/ Chá das Cinco” e diversas situações e conflitos impulsionados por jogos de RPG. Cada personagem ainda possui como referência celebridades e personalidades públicas, como Eva Perón, Marilyn Monroe e vilãs da Disney.

Para conhecer ainda mais sobre o grupo que “desabou no teatro mineiro como um amontoado furta-cor de influências e referências”, acesse a página da Primeira Campainha no Facebook.

CENA 2

O Teatro 171 é um grupo de gente que se encontrou em “Quando o Peixe Salta”, espetáculo resultado do Oficinão do Galpão Cine Horto, em 2006. Depois desse encontro, várias redes se formaram, vários interesses artísticos, afetivos, ideológicos, amorosos, econômicos e aleatórios em comum. Em 2007, um dos atores deste coletivo, Cleo Magalhães, coordenava outro projeto paralelo, o Bar de Papo, e o desejo de ter um espaço que abrigasse suas criações se concretizou no portão laranja da Rua Capitão Bragança, nas vizinhanças do Cine Horto.

Logo depois, a criação de “Avenida Pindorama, 171”, com direção de Henrique Limadre, terceiro projeto do Teatro 171 acabou sendo inteiramente concebido na “garagem” alugada por Cleo, desde a cena curta, em 2008, até o espetáculo homônimo em 2009 – o trabalho que confirmou a criação do Teatro 171.

Em 2017 o Espaço 171, apelidado carinhosamente de “Portão Laranja”, completa dez anos de (re)existência. O grupo já passou muito perrengue, lá em 2010, quando não conseguia financiamento público, nem privado, e ainda não havia pensando no financiamento coletivo. Para sua sobrevivência o Teatro 171 decidiu criar uma série de eventos, os famosos “Butecos”, que se tornaram sua característica mais lembrada até hoje. Outros eventos como “Jantar para Ceschiatti” e “Bingay” também marcaram época, tudo isso antes do atual e intenso movimento que se tornou o Corredor Leste na Capital.

Além dos espetáculos produzidos pelo grupo 171, Marcelo Veronez também ressalta outras atividades cênicas, como as ações de formação. “As ações de formação e de pesquisa em outras áreas desenvolvidas no espaço 171 é que me interessam mais”, comenta.

A exemplo disso, no aniversário de 10 anos do grupo, os integrantes Cleo Magalhães, Fabiana Bergamini e
Gabriel Castro Cavalcante abriram, pela primeira vez, cursos livres inéditos, no intuito de ampliar as possibilidades de um equipamento cultural. Entre as ações, foram oferecidos cursos de interpretação para cinema e TV, performance e derivas artísticas no entorno da sede.

Para acompanhar a companhia e ficar por dentro dos cursos e espetáculos realizados por eles, acesse a página do Facebook do Teatro 171.

CENA 3

A terceira dica do ator é a Cia Luna Lunera, um grupo formado por uma turma de estudantes de teatro do Cefar- Centro de Formação Artística do Palácio das Artes. Segundo Veronez, a companhia é indispensável “por estar se firmando no cenário nacional como um grupo de grande respeito no que se refere à pesquisa de linguagem”.

Criada em 2001, a primeira peça foi “Fuleirices em Fuleiró”, com direção de Marcos Vogel e texto de Mário Farias Brasini. Era a primeira montagem e começava nas ruas e praças de Belo Horizonte, mas dava para perceber que a turma já mostrava conceber em seu ventre um embrião de grupo teatral.

A montagem da Luna Lunera que mais chamou atenção de Marcelo Veronez foi a de “Prazer”, espetáculo que teve como ponto de partida um fragmento do livro “Uma aprendizagem ou o Livro dos Prazeres” de Clarice Lispector, em que um dos personagens diz o seguinte:

“Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, esperarei quanto tempo for preciso.”

A partir disso, a peça, que se passa em um país qualquer, distante do Brasil, narra a história de reencontro de quatro amigos. Apesar das suas angústias, seus impasses cotidianos, suas frustrações, eles tentam a coragem de buscar a alegria. “Apesar de”.

“Prazer” recebeu o Prêmio Copasa Sinparc de Artes Cênicas na categoria Melhor Espetáculo, além de ter sido indicado ao Prêmio Shell São Paulo 2013, nas categorias Autor e Cenário, que foi concebido por Ed Andrade.

Acompanhe a companhia pela página oficial da Luna Lunera no Facebook. Você também pode conferir outras informações no site da Cia Luna Lunera.

CENA 4

Com um discurso pautado pelo discurso de movimentos sociais, como feminista e, principalmente LGBT , Marcelo Veronez aproveita para indicar as Bacurinhas, que segundo ele “é um grupo jovem, com poucos anos de formação, mas seu primeiro espetáculo já é bastante forte e necessário para as discussões do feminismo”.

Espetáculo esse que é quase homônimo ao grupo e se chama “Calor na Bacurinha“, e “um protesto sem vergonha nem culpa”, segundo a crítica do jornalista Miguel Arcanjo, do UOL. Apostando no nu artístico como linguagem, a montagem é um grito pela liberdade, para que todas as mulheres possam usufruir plenamente do seu direito de ser exatamente como são sem sofrer opressões.

Composta por onze atrizes, a peça, que teve início em 2014 (à época, uma cena curta), cresceu e chegou a atrair 2.500 pessoas, além de passar por palcos como do Centro Cultural Banco do Brasil – ainda bem que antes desses ataques pudicos vindos de grupos conservadores, como no caso da exposição “QueerMuseu”, em Porto Alegre – e fazer parte de um dos principais festivais de teatro de Belo Horizonte, o Festival Internacional de Teatro Palco & Rua – FIT BH.

As Bacurinhas vão além dos palcos e também já realizaram o encontro ‘’Bacurinhas em Debate’’, no Teatro Alterosa, que reuniu 22 pesquisadoras, coletivos, ativistas e artistas que discutiram temas relevantes à causa feminista. Esse bando, modo como se reconhecem, atua na cidade realizando intervenções artísticas como na “Mostra Diversas: feminismo, arte e resistência” e em parceria com entidades como a APROSMIG (Associação das Profissionais do Sexo de Minas Gerais).

Para ficar ligado no que o “bando feminista” está articulando na capital mineira, não deixe de conferir a página das Bacurinhas no Facebook.

CENA 5 

Com 35 anos de longa estrada, o Grupo Galpão é a cereja do bolo das indicações de Marcelo Veronez, que o classifica como “um clássico internacional”. Com 23 espetáculos em seu currículo, mais de 100 prêmios brasileiros, apresentações em 18 países diferentes, quase 50 participações em festivais internacionais, a companhia de teatro tem sua origem ligada à tradição do teatro popular e de rua, e credita a permanência e relevância na cena teatral nacional à capacidade de adaptação e busca pelo novo.

Entre seus espetáculos de sucesso, Veronez destaca a peça “Nós”, que inclusive faz parte de uma turnê comemorativa dos 35 da companhia neste ano. As apresentações de aniversário começaram em BH e passaram pelo Rio, Fortaleza, Natal, Aracaju e João Pessoa. São Paulo é a próxima parada, seguindo depois para interior de Minas e Brasília.

“Nós” tem direção de Marcio Abreu e leva ao palco Antonio Edson, Beto Franco, Eduardo Moreira, Júlio Maciel, Lydia Del Picchia, Paulo André e Teuda Bara, que celebram a vida enquanto preparam a última sopa e debatem, sob um prisma político, questões do mundo contemporâneo – a intolerância, a violência, a diversidade, a convivência com a diferença.

“Somos nós, esse coletivo que comemora seus 35 anos de existência e nós, seres humanos e artistas de teatro para lá dos cinquenta, com suas perplexidades, questões, angústias, algumas esperanças e muitos nós”, explica o ator Eduardo Moreira, sobre o que o público pode esperar do novo trabalho do Galpão.

Para acompanhar a companhia, acompanhe a página do Grupo Galpão no Facebook ou seu site oficial.


FIM

1 / 8
1
04:12
Netflix: ‘The Family- Democracia Ameaçada’ revela grupo secreto
A minissérie "The Family: Democracia Ameaçada", que pode ser vista na Netflix, mostra questões que te farão pensar em uma …
2
02:29
Operação Lava Jato ignora repasse suspeito de Paulo Guedes
Uma reportagem publicada pelo jornal Folha de S. Paulo mostra que a Operação Lava Jato poupou o ministro da Economia, …
3
02:40
Partículas de queimadas são encontradas em água de chuva em SP
O fenômeno que atingiu São Paulo na última segunda-feira, 19, e transformou o dia em noite em diversas regiões do …
4
03:36
Nem os eleitores de Bolsonaro concordam com a indicação de Eduardo
Em meio às polêmicas que dão o tom nos primeiros oito meses do governo Bolsonaro, uma pesquisa recente mostra que …
5
02:07
Catraca Livre e MBL promovem debate sobre a política nacional
Para fortalecer a construção de um debate democrático, a Catraca Livre vai promover, nesta sexta-feira, dia 23, às 12h30, um …
6
05:46
Os melhores tipos de música que ajudam na gravidez
A partir do sexto mês de gestação, a criança já tem audição definida. Quais são os estímulos e efeitos que as …
7
03:26
Frota reconhece uso de ‘fake news’ na eleição de Bolsonaro
Na última edição do Roda Viva, da TV Cultura, o deputado federal Alexandre Frota (PSL) revelou que sabia sobre o …
8
04:24
Jatinhos: Bolsonaro ataca Huck, mas não fala nada de Hang
Após receber críticas de Luciano Hulk, o presidente Jair Bolsonaro resolveu mostrar o financiamento que o apresentador  recebeu do BNDES …