Chiharu Shiota e suas obras de linha e papel tomam conta do CCBB SP

'Nuvem' de 13 metros feita com mais de mil folhas em branco foi suspensa no meio do prédio!

Por: Redação
Até
27
de janeiro 2020
Segunda - Quarta - Quinta - Sexta - Sábado - Domingo
Das 9h às 21h

Conexão, memória e reflexões sobre a vida são os focos artísticos de Chiharu Shiota, artista japonesa conhecida principalmente por seus trabalhos incríveis, intitulados site specific – obra que toma forma de acordo com o local onde está instalada.

No CCBB SP, 70 obras incríveis compõem a exposição retrospectiva “Linhas da Vida“, que datam desde o início de sua produção artística aos dias atuais.

obra de Chiharu Shiota
Crédito: Daniel MifsudConhecida principalmente por seus trabalhos site specific em grande escala, frequentemente compostos por emaranhados de linhas, Shiota é autora de uma obra multidisciplinar, desdobrada em suportes diversos: são instalações, performances, fotografias e pinturas

Como o nome sugere, o trabalho de Shiota é frequentemente composto por emaranhados de linhas. Nesse recorte do seu trabalho, é possível se deparar também com instalações, performances, fotografias e pinturas.

Nascida em Osaka e radicada há 23 anos em Berlim, Chiharu Shiota iniciou sua carreira artística em 1994, tomando a pintura como principal suporte. Mas ela logo descobriu que o espaço bidimensional era limitado para seu processo criativo e expandiu para as outras linguagens.

“Linhas da Vida”

Organizada em cinco núcleos, a exposição é um convite de Shiota para que o visitante faça reflexões sobre a vida, seu propósito, conexões e memória.

No térreo do prédio, o público se depara com a grande instalação “Além da Memória” (2019), obra inédita, que vai poder ser vista de todos os andares. A inspiração vem da diversidade do povo brasileiro e de um diálogo com a arquitetura monumental e histórica do CCBB-SP.

Suspensa, com 13m de altura e em forma de uma espécie de nuvem, a instalação 'Além da Memória' é composta por mais de mil folhas de papel em branco
Crédito: Ding Musa | DivulgaçãoSuspensa, com 13m de altura e em forma de uma espécie de nuvem, a instalação ‘Além da Memória’ é composta por mais de mil folhas de papel em branco

A obra de Chiharu Shiota tem 13 metros de altura e forma de uma espécie de nuvem. A instalação composta por mais de mil folhas de papel em branco vai ficar suspensa no vão central do CCBB. Sua idealização é um convite para que o público idealize sua própria história e resguarde sua memória.

Os destinos da vida são questões recorrentes no processo de criação da artista. Ela tece as linhas de sua vida e convida o público a fazer o mesmo. Essa é a ideia presente em “Linha Vermelha” (2018), obra que lança luz à produção manual da artista, uma de suas principais características.

Em outro momento, dois barcos escuros surgem em meio a emaranhados de cordas vermelhas como alusão aos caminhos da vida. Trata-se de “Dois barcos, um destino” (2019), uma metáfora da artista sobre as formas de avançar, viajar, sem necessariamente saber qual é o ponto final, tal qual o percurso da vida.

Dois barcos escuros surgem em meio a emaranhados de cordas vermelhas como alusão aos caminhos da vida, na obra 'Dois barcos, um destino'
Crédito: Sunhi Mang/divulgaçãoObra “A Chave Na Mão”, por Chiharu Shiota

Chiharu divaga sobre a ideia de uma conexão universal de todos os seres e transforma sua história em uma linguagem artística de caráter singular, sublime e tomada de elementos triviais. É disto que nasce o conjunto de esculturas e edições organizados em “Conectada com o universo” (2016 – 2019), exibido no primeiro andar do CCBB.

As gravuras expostas por lá tem como ponto de partida um ser conectado ao universo por um fio, espécie de cordão umbilical simbolizando o início da vida antes mesmo do nascimento.

Em outras obras, a artista sugere que este mesmo ser se vê imerso ou submerso em um buraco ou invólucro sem perspectiva de saída e, assim, sua conexão com o mundo externo passa a ser realizada por vias imaginárias ou mesmo espirituais.

A presença do hermetismo não é ao acaso. Em dado instante de sua trajetória, Chiharu Shiota tomou uma decisão existencial e parou de pintar  porque não sentia que sua vida e sua criação artística estavam conectadas, entrelaçadas. Sonhou que se via dentro de uma pintura e foi assim que concebeu a icônica performance “Se transformando em pintura” (1994), cujo registro é exibido no segundo andar.

obra de chiharu shiota
Crédito: Masanobu Nishino Chiharu ShiotaA inspiração de Chiharu Shiota muitas vezes brota de uma emoção ou experiência pessoal, que ela então expande para questões humanas universais, como a vida, a morte e as relações entre os indivíduos

A tinta usada por Shiota nesta performance era tóxica e a artista sentiu imediatamente sua pele queimar. Passados cerca de 20 anos, a artista voltou a utilizar a tela, porém não como um suporte pictórico convencional, mas, sim, como suporte de sua assinatura pessoal, sobre a qual aplica a trama de lã originariamente utilizada em suas instalações.

Ainda no segundo andar, a artista exibe “A chave na mão” (2015), instalação que esteve na 56ª Bienal de Veneza, na qual Chiharu representou seu país no pavilhão do Japão. A obra é composta por dois barcos que lembram, segundo a artista, duas mãos receptoras prestes a agarrar ou deixar de lado uma oportunidade, postos em um emaranhado de 180 mil chaves.

No último andar do CCBB SP, fica um núcleo de trabalhos pautados no Corpo, tema que aparece desde os primórdios na criação de Shiota. São obras em que a artista investiga questões ligadas à identidade, memória, corpo, fragilidade e doenças.

Ficou com vontade? Pra mergulhar nessa exposição lindíssima e cheia de significado, basta ir ao CCBB de quarta a segunda, das 9h às 21h, entre 13 de novembro e 27 de janeiro. A entrada é gratuita!

É fã da cultura japonesa? E da gastronomia?

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