Exposição ‘Mãe Preta’ discute a maternidade desde a escravidão

"Modos de Olhar" destaca a posição da mulher negra na sociedade colonial por meio de intervenções feitas em fotos e gravuras
Até
25
de novembro 2018
Segunda - Terça - Quarta - Quinta - Sexta - Sábado - Domingo
De segunda a sexta, das 11h às 19h; e aos sábados e domingos, das 11h às 21h.

site: www.funarte.gov.br

telefone: (11) 3662-5177

facebook: www.facebook.com

email: funartesp@gmail.com

Em cartaz na Funarte SP, mostra reúne fotografias, instalações e vídeos, com curadoria das artistas visuais Isabel Löfgren e Patricia Gouvêa

Durante a época da escravidão, as mães escravas eram obrigadas a amamentar crianças brancas enquanto assistiam aos próprios filhos serem arrancados de seus braços. Contrapor a representação dessa violência ao protagonismo real que as mulheres negras exercem nos dias de hoje é a proposta da exposição grátis “Mãe Preta”, em cartaz na Galeria Mario Schenberg, na Funarte SP, entre 4 de outubro e 25 de novembro. A visitação acontece de segunda a sexta, das 11h às 19h; e aos sábados e domingos, das 11h às 21h.

Obra Vênus de Gamboa da exposição Mãe Preta
Crédito: Interferência sobre livros com imagens de August Stahl ca. 1885 - divulgação"Vênus de Gamboa" ressignifica imagens de mulheres negras grávidas escravizadas
Gravura da exposição Mãe Preta
Crédito: Interferência em livros com gravura de Jean-Baptiste Debret - De Voyage Pittoresque et Historique au Brésil, Paris, Firmin Didot Frères, 1834-39 - divulgação"Modos de Olhar" destaca a posição da mulher negra na sociedade colonial por meio de intervenções feitas em fotos e gravuras
Gravura da exposição Mãe Preta
Crédito: Interferência sobre livro com gravura de Joaquim Cândido Guillobel - Em Figuras Populares do Rio de Janeiro; s/d, undated - divulgação"Modos de Olhar" destaca a posição da mulher negra na sociedade colonial por meio de intervenções feitas em fotos e gravuras
Obra da série Modos de Revelar da exposição
Crédito: Intervenção sobre negativo deteriorado de Marc Ferrez - Marc Ferrez/Coleção Gilberto Ferrez/Acervo Instituto Moreira Salles - divulgação"Modos de Revelar" expõe um scan do negativo de uma das imagens mais icônicas de Marc Ferrez
Obra da série
Crédito: Baía de Guanabara, c. 1885 Paquetá, Rio de Janeiro Marc Ferrez/Coleção Gilberto Ferrez/Acervo Instituto Moreira Salles - divulgação Série "Modos de Habitar" reúne colagens com fotografias de August Stahl contrapostas à paisagem do porto do Rio de Janeiro por Marc Ferrez e outros fotógrafos

Organizada pelas artistas Isabel Löfgren e Patricia Gouvêa, a mostra apresenta instalações, colagens e intervenções em gravuras e fotografias antigas . Esses trabalhos foram feitos em cima de imagens do acervo do Instituto Moreira Salles e releituras de livros com gravuras de Jean-Baptiste Debret, Johan Moritz Rugendas e outros artistas.

As obras estão divididas em oito partes: “Modos de Navegar”, “Modos de Revelar”, “Modos de Olhar”, “Modos de Reportar”, “Vênus de Gamboa”, “Modos de Habitar”, “Modos de Fala e Escuta”, “Modos de Recordar”, “Modos de Encantar” e “Modos de Apagar”. Juntas, essas séries criam um panorama sobre o protagonismo da mulher negra e mãe na sociedade brasileira, da diáspora africana até a atualidade.

Um dos destaques é a série “Vênus de Gamboa”, que apresenta a ressignificação de fotografias de August Stahl, que retratou uma mulher grávida escravizada em 1885. Essas fotos foram usadas como modelo para os estudos do biólogo suíço Louis Agassiz, um dos principais defensores do racismo científico no século 19. As artistas-curadora intervêm nas imagens com objetos como conchas.

Em “Modos de Reportar”, Löfgren e Patricia Gouvêa reúnem páginas de jornais do período colonial, com anúncios de venda e aluguel de amas de leite em cidades e vilas brasileiras. Em “Modos de Navegar”, elas fazem uma intervenção sobre um mapa-múndi que destaca a relação de dependência entre a América do Sul e a África ao unir os rios São Francisco e Niger por meio de uma fita de möbius, gravada com um verso do poema “Vozes-Mulheres”, de Conceição Evaristo.

obra da exposição Mãe Preta
Crédito: Colagem sobre papel com trecho do poema “Vozes-Mulheres” de Conceição Evaristo - divulgação“Modos de Navegar” une rios São Francisco e Niger por meio de uma fita gravada com um poema

Outra atração é a videoinstalação “Modos de Fala e Escuta”, que, ao longo de 27 minutos, exibe os depoimentos de sete mães negras contemporâneas sobre as questões como maternidade, racismo, memória, ancestralidade, violência e lutas cotidianas. Já o “Mural das Heroínas” exibe 20 retratos de mulheres negras que simbolizam conquistas sociais e a resistência, como Luísa Mahin, Tereza de Benguela, Nzinga de Angola, Lélia Gonzalez, Beatriz do Nascimento, Laudelina de Campos e Marielle Franco.

A exposição ainda tem uma minibiblioteca com publicações de autoras negras contemporâneas, voltada para a literatura infantojuvenil, com títulos sobre protagonismo negro.

Anúncio de Ama de Leite na exposição Mãe Preta
Crédito: divulgação“Modos de Recortar” traz intervenções das artistas feitas em anúncios de jornais de época oferecendo amas de leite

A abertura da mostra tem uma performance criada pela artista carioca Jessica Castro, professora de dança educação e pesquisadora do Jongo, uma dança afro-brasileira, e pela maranhense Glauce Pimenta Rosa, cantora, gestora de projetos culturais e ativista negra feminista.

Além dessas atrações, há um bate-papo e visita guiada com as curadoras no dia 6, às 11h, e uma oficina com a ativista Jarid Arraes, no dia 10 de novembro, das 16h às 18h. Para participar basta pegar senha meia hora antes dessas atividades.

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Autor: Por: Redação