Exposição de Marc Ferrez apresenta fotos do Brasil no século 19

Mostra revela diversas facetas do fotógrafo, ligado tanto aos projetos do Império quanto à ciência e à engenharia

Por: Redação
Até
15
de março 2020
Terça - Quarta - Quinta - Sexta - Sábado - Domingo
De terça a domingo e feriados, das 11h às 20h

Considerado um dos fotógrafos brasileiros mais importantes do século 19, Marc Ferrez (1843-1923) ganha uma retrospectiva gratuita no IMS Rio.

Na exposição “Marc Ferrez: território e imagem” estão reunidos mais de 300 itens, entre fotografias, álbuns originais, câmeras, equipamentos e documentos, produzidos entre 1867 e 1922.

Foto de Marc Ferrez: Pão de Açúcar visto do alto de Santa Teresa, em 1885
Crédito: Coleção Gilberto Ferrez/ Acervo Instituto Moreira SallesPão de Açúcar visto do alto de Santa Teresa, em 1885

Com curadoria de Sergio Burgi, coordenador da área de Fotografia do IMS, a mostra explora as múltiplas facetas de Ferrez, que trabalhou como fotógrafo oficial em projetos do Império ao mesmo tempo em que mantinha uma proximidade com a ciência e a engenharia.

Foto de Marc Ferrez: Ponte do Silvestre
Crédito: Coleção Gilberto Ferrez/ Acervo Instituto Moreira SallesPonte do Silvestre, em 1895

Seus registros constituem um amplo panorama do Brasil. O público vai encontrar tanto imagens de obras públicas, como a modernização da estrada de ferro da São Paulo Railway Company, que ligava Santos a Jundiaí e a construção da avenida Central, atual Rio Branco, entre 1903 e 1906, quanto retratos da escravidão nas fazendas de café no vale do Paraíba e nas minas no estado de Minas Gerais, principais atividades econômicas durante o Segundo Império.

Escravizados em terreiro da Fazenda Monte Café Sapucaia, Vale do Paraíba, na década de 1880
Crédito: Coleção Gilberto Ferrez/ Acervo Instituto Moreira SallesEscravizados em terreiro da Fazenda Monte Café
Sapucaia, Vale do Paraíba, na década de 1880

Suas fotos tinham o objetivo de divulgar internacionalmente a imagem de um sistema produtivo e eficiente, por isso elas não apresentam os conflitos sociais e as ideias abolicionistas do período. Mesmo assim, quando examinadas detalhadamente, as imagens fogem das intenções do autor. Com fortes expressões, homens, mulheres e crianças escravizados encaram diretamente a câmera, expressando a violência do sistema brutal e anacrônico que se arrastaria até o final da década de 1880.

Trabalhadores escravizados em fazenda de café Vale do Paraíba, em 1885
Crédito: Acervo Instituto Moreira SallesTrabalhadores escravizados em fazenda de café
Vale do Paraíba, em 1885

Em 1873, um incêndio destruiu o ateliê de Ferrez, e muitas das fotos feitas por ele no início da carreira se perderam. Deste período restaram algumas raridades, que também estão na mostra: são paisagens de várias localidades, principalmente do Rio de Janeiro, em que é possível perceber o diálogo com os fotógrafos Revert Henrique Klumb e Augusto Stahl.

Jardim no Passeio Público
Crédito: Acervo Instituto Moreira SallesJardim no Passeio Público

Entre 1875 e 1876, Ferrez atuou na Comissão Geológica do Império do Brasil, cujo objetivo era realizar um levantamento geológico de todo o território nacional. Assim, ele percorreu o país de Norte a Sul, tornando-se o primeiro fotógrafo a documentar extensivamente as diversas regiões brasileiras. Por meio de projeções em grande formato, o IMS apresenta registros feitas nos estados do Nordeste e ao longo do rio São Francisco, pertencentes à coleção do Getty Museum de Los Angeles. A exposição fica em cartaz até o dia 15 de março.

A Catraca Livre organizou um roteiro completinho para você conhecer mais ainda as instituições culturais:

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