Festival em SP apresenta peças censuradas pelo governo Bolsonaro

Prefeitura de São Paulo promete resistência por meio da arte com o festival "Verão sem Censura"

Por: Redação

Arte e cultura: duas ferramentas essenciais para o exercício da resistência, da democracia e da diversidade. Para provar a força da frase anterior, a Prefeitura de São Paulo – a mando do ex-produtor cultural e atual Secretário da Cultura, Alê Youssef – anunciou “Verão Sem Censura“, um festival inédito que irá apresentar todas as peças de teatro censuradas pelo governo Bolsonaro.

Em tempos obscuros onde a liberdade de expressão é vetada e os cortes de verbas culturais não param de crescer, o evento se mostra como uma resposta aos ataques que a classe artística tem recebido do Governo Federal e de instituições parceiras, como a Funarte e a Caixa Cultural.

'Caranguejo Overdrive', da Aquela Cia. de Teatro, é baseada no movimento Manguebeat e foi uma das mais premiadas peças de 2015
Crédito: Elisa MendesA peça “Caranguejo Overdrive”, da Aquela Cia. de Teatro, é baseada no movimento Manguebeat e foi uma das mais premiadas de 2015! Marcada para acontecer no Centro Cultural Banco do Brasil no Rio de Janeiro, foi cancelada sem nenhuma justificativa

Encabeçada por Youssef, conhecido por sua trajetória como produtor cultural, o “Verão Sem Censura” nasce com a missão de reafirmar São Paulo como um “oásis cultural” – expressão usada pelo próprio Secretário da Cultura.

“Uma resistência que absorve o valor, que luta pelo valor mais importante da cultura, que é a liberdade de expressão. Nós vamos fazer isso não como uma medida de antagonismo ao governo federal, mas de valorização da nossa cultura”, disse Youssef em entrevista à Folha de S.Paulo.

Conheça as peças censuradas pelo governo Bolsonaro:

  • “Abrazo”
Espetáculo infantil "Abrazo"
Crédito: Pablo PinheiroEspetáculo infantil “Abrazo”

Acredite ou não: uma peça infantil foi censurada!  O espetáculo da companhia potiguar Clowns de Shakespeare foi cancelado após estreia na Caixa Cultural do Recife, em setembro de 2019.

Num lugar em que não é permitido abraçar, personagens atravessam um quadrado contando histórias de encontros, despedidas, opressão, exílio e, porque não, de afeto e liberdade. O espetáculo feito sem a palavra oral, conta com uma trilha sonora especialmente composta para a cena e com o vídeo de animação para narrar essa aventura inspirada em “O Livro dos Abraços”, de Eduardo Galeano.

  • “Gritos”
Espetáculo "Gritos"
Crédito: Renato MangolinEspetáculo “Gritos”

O espetáculo da companhia franco-brasileira Dos à Deux marca o retorno aos palcos da dupla de diretores André Curti e Artur Luanda Ribeiro.

A peça é formada por três poemas gestuais metafóricos criados a partir de um tema: o amor. Os poemas – os três gritos – são permeados pelas pessoas invisíveis na sociedade, o preconceito, o desprezo e os refugiados da guerra, e são revelados por meio de uma partitura gestual sutil e minuciosa.

“Gritos”, que tem uma travesti entre seus personagens, teve apresentação cancelada na Caixa Cultural de Brasília.

  • “Caranguejo Overdrive”

A peça “Caranguejo Overdrive”, da Aquela Cia. de Teatro, é baseada no movimento Manguebeat e foi uma das mais premiadas de 2015! Marcada para acontecer no Centro Cultural Banco do Brasil no Rio de Janeiro, foi cancelada sem nenhuma justificativa.

Influenciada pela a obra do geógrafo pernambucano Josué de Castro (1908 -1973), autor de “Geografia da fome”, e pelo movimento manguebeat, o espetáculo narra a história de Cosme, ex-catador de caranguejos da metade do século XIX, que enlouquece no campo de batalha após integrar as forças brasileiras na Guerra do Paraguai.

  • “Res Publica 2023”
Espetáculo "Rés Pública 2023" narra ataques em um Brasil distópico e fascista
Crédito: Priscila Prade | DivulgaçãoEspetáculo “Rés Pública 2023” narra ataques em um Brasil distópico e fascista

“Rés Pública 2023” tem texto e direção de Biagio Pecorelli, que também está no elenco ao lado de Bruno Caetano, Camila Rios, Edson Van Gogh, Jonnata Doll e Leonarda Glück. Na história, eles vivem um grupo de moradores de uma república em pleno centro de São Paulo tentando construir uma trincheira para se defender de movimento patriótico que toma as ruas da cidade.

O espetáculo faz referências à vida noturna, à geografia e às pessoas que vivem no bairro da República, como os imigrantes, LGBTs e artistas.

A peça foi suspensa a mando do diretor do Centro de Artes Cênicas da Funarte, Roberto Alvim, mas ganhou sessões especiais no Centro Cultural São Paulo, o CCSP:

Confira uma entrevista exclusiva de Youssef para a Catraca Livre:

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