MITsp chega à 7ª edição com peças de Portugal, Índia e Chile

Há espetáculos e atividades paralelas em diversos espaços da cidade ❤

Por: Redação

A lindeza da MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo chega a sua sétima edição com espetáculos que são o supra sumo da cena contemporânea mundial – e brasileira.

O evento está dividido em quatro eixos: Mostra de Espetáculos, Ações Pedagógicas, Olhares Críticos e MITbr – Plataforma Brasil.

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Crédito: Estelle HananiaA Mostra inicia sua programação com ‘Multidão’, da diretora e coreógrafa franco-austríaca Gisèle Vienne, no Auditório Ibirapuera – Oscar Niemeyer

TOUR POR SP: conheça a cidade sem gastar muito

Isso significa que, entre 5 e 15 de março, você tem a chance de assistir 12 espetáculos internacionais de países como Alemanha, Chile, França, Portugal, Reino Unido e Suíça, e 12 nacionais que têm a proposta de buscar a experimentação e a investigação da linguagem cênica. Sem contar na programação paralela! Há uma série de intercâmbios artísticos, master classes, lançamentos de livros e debates.

A programação ocupa diversos espaços na cidade, como o Sesc Vila Mariana, o Sesc Pinheiros, o Teatro do Sesi, o Teatro Faap, o Teatro Cultura Inglesa, o Auditório Ibirapuera, o Tendal da Lapa e muito mais! Para ficar por dentro de tudo, acesse o site da MITsp.

Como sempre, há atrações gratuitas e outras custando até R$ 40. A dica amiga é: decida logo o que quer assistir na e garanta os seus ingressos, porque há atrações disputadíssimas.

Mostra de Espetáculos

Este ano, o Artista em Foco é o diretor e dramaturgo português Tiago Rodrigues. Dois espetáculos dele ocupam os palcos paulistanos durante o evento. “Sopro”, de 2017, estreou com grande sucesso no Festival d’Avignon, na França, e é uma homenagem ao teatro e seus bastidores. A encenação é construída a partir das lembranças de Cristina Vidal, que há quase 30 anos trabalha como ponto (a pessoa que sopra as falas para atores que se esquecem do texto) no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.

Sopro, na MITsp
Crédito: Christophe Raynaud de Lage/ Divulgação“Sopro” é uma homenagem ao teatro

Já em “By Heart”, de 2013, a memória também é explorada, mas de um jeito mais pessoal. A peça nasceu da relação do autor com sua avó Cândida, leitora assídua que tinha por hábito decorar trechos de livros. Rodrigues é o único em cena e enquanto memoriza versos, aproveita para falar de sua avó, de escritores (William Shakespeare, Boris Pasnernak, Ray Bradbury) e de personagens literários.

By Heart, ns MITsp
Crédito: Magda BizarroEspetáculo “By Heart” fala sobre memória e é um dos destaques da MITsp

Para quem quer explorar mais solos, outro destaque é o “Tenha Cuidado”, da indiana Mallika Taneja. Ao longo da montagem, ela desafia a noção de segurança que permeia a vida de mulheres na Índia. Ser cuidadosa em relação ao seu comportamento e às suas atitudes é tido como fundamental: é algo prescrito, absorvido e praticado com rigor para que elas sobrevivam sem riscos.

Tenha Cuidado, na MITsp
Espetáculo “Tenha Cuidado” reflete sobre a noção de segurança que permeia a vida de mulheres na Índia

As produções latino-americanas têm lugar garantido na MITsp. Diretamente do Chile, a companhia Bonobo apresenta “Tu amarás”, que parte de indagações sobre alienígenas que tiveram que se estabelecer na Terra. As discussões acontecem quando um grupo de médicos faz os ajustes finais de sua apresentação para uma convenção internacional sobre preconceitos na medicina. O que é um inimigo? Como é construído? O que o define ou diferencia? Como nos relacionamos com o “outro”? O espetáculo venceu o prêmio de crítica em 2019 no Tokio Festival World. Competition.

Tu Amarás
Crédito: Marcuse Xaverius/ Divulgação“Tu Amarás” conduz a uma reflexão sobre o preconceito

Plataforma Brasil

Para quem estiver procurando bons espetáculos nacionais, tem também! A Artista em Foco da Plataforma Brasil é a Andreia Pires. Ela traz para a MITsp o espetáculo “Fortaleza 2040”, de 2019, que explora de que modo o crime pode ser percebido como prática política discursiva. Com orientação de Alejandro Ahmed, do grupo Cena 11, o trabalho, que leva o nome de um plano de desenvolvimento para a cidade de Fortaleza, mostra um corpo sufocado que se movimenta de forma incessante e contundente junto a um som metálico.

Se você curte um teatro com um texto mais surrealista, aposte em “O Ânus Solar”, produção de 2017 do paranaense Maikon K inspirada em escritos de Georges Bataille. O intérprete cria uma espécie de ritual cênico a partir de temas como a crítica ao conceito de civilização e às regras sociais, além de um enfrentamento ao modo como lidamos com o prazer e a morte. O artista transita entre blocos performáticos, teatrais e musicais, trazendo à tona a pulsão erótica contida nos tabus e interdições.

Diretamente do Piauí, o grupo Original Bomber Crew apresenta “tReta”, peça de 2018 sobre as várias “tretas” enfrentadas diariamente por jovens periféricos, refugiados e minorias em geral. Questões que envolvem política, patriarcado e colonialismo são levantadas pelos breakdancers, músicos, skatistas e artistas visuais que criaram e performam o espetáculo.

Ações Pedagógicas e Olhares Críticos

Gostou, mas ainda quer mergulhar mais no universo do teatro? Então fique de olho na programação de Ações Pedagógicas, com curadoria de Maria Fernanda Vomero, que inclui oficinas, laboratórios, intercâmbios artísticos,  rodas de conversa, residência artística e muito mais.

E não é só isso! O eixo Olhares Críticos, coordenado por Daniele Avila Small e Luciana Eastwood Romagnolli, convida a sociedade a pensar as artes cênicas e a contemporaneidade a partir da publicação de artigos, entrevistas e críticas e da realização de debates com pensadores e pesquisadores de diferentes áreas.

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