Imagem do Topo

Mostra ‘Contra-ataque’ conta história das minas no futebol

Exposição patrocinada pelo Itaú é um manifesto pela igualdade em campo e questiona como o 'país do futebol' ainda não valoriza as minas que jogam

Por: Redação | Comunicar erro
Até
20
de outubro 2019
Terça - Quarta - Quinta - Sexta - Sábado - Domingo
Das 9h às 17h

No ano em que a TV aberta exibe pela primeira vez a Copa do Mundo Feminina de Futebol, que rola na França, o Museu do Futebol inaugura a exposição “Contra-ataque“, uma experiência questionadora que conta como as mulheres tiveram de lutar para conquistar o direito ao jogo, ao uniforme adequado para seus corpos, a participação na gestão esportiva, na arbitragem, na imprensa e a livre circulação nas arquibancadas.

Nós da Catraca Livre estivemos lá e fizemos um tour pela exposição, vem com a gente que é sucesso, aliás, é futebol feminino!

Apoiando as nossas mulheres, o Itaú patrocina a exposição. Durante a Copa Feminina, o Museu do Futebol vai exibir todos os jogos em sua arquibancada, que tem capacidade para 100 pessoas. Para participar, é só chegar!

“Contra-ataque”

Em campo, o contra-ataque ocorre quando um dos times recupera a posse da bola e avança rapidamente em direção ao gol, sem deixar espaço para a armação da defesa do time adversário. A jogada, que sempre desperta atenção e emoção das torcidas, é a metáfora escolhida para narrar a trajetória das mulheres no esporte – que, cá entre nós, não é nada fácil ainda em 2019, uma vez que seus jogos não são exibidos na TV e seus patrocínios e salários são extremamente baixos, comparados com as cifras masculinas.

Na mostra com projeto de Daniela Thomas, o público vai poder conferir vídeos, fotografias, objetos dos acervos pessoais de atletas e um panorama com fatos que vão desde antes da proibição da prática do futebol pelas mulheres – que vigorou ao longo de várias décadas do século 20 – até a oitava edição da Copa do Mundo. “A exposição exalta esse momento e narra como foi o caminho trilhado pelas mulheres para chegar até aqui. O reconhecimento de suas lutas deve ser fonte de inspiração às novas gerações” afirma.

página 14 do jornal imparcial de 15 de janeiro de 1941 com crítica às mulheres que jogavam futebol
Crédito: reprodução/O Imparcial 15 de janeiro de 1941Manchete no jornal O Imparcial, de 1941, diz que os 'pés das mulheres não foram feitos para chuteiras'
trecho de jornal com decreto que proibiu as mulheres de jogar futebol
Crédito: reproduçãoNota com o decreto proibindo as mulheres de jogar futebol. Lei vigorou de 1941 a 1979

A ideia da exposição é lançar o olhar para o futuro da modalidade e inspirar o público a valorizar essa história, e também empoderar as meninas para a prática esportiva, transformando velhos preconceitos em ações positivas para o mundo. Afinal, lugar de mulher é onde ela quiser!

Quais atletas femininas você sabe o nome?

Durante a visita à exposição, os espectadores vão conhecer os nomes e rostos de atletas, técnicas, árbitras e jornalistas que batalharam para que o futebol feminino avançasse e estivesse representado em todos os eventos mundiais da modalidade. Entre essas mulheres estão a zagueira Adyragram que, nos anos 1940, protestou publicamente contra manifestações que pediam a proibição da prática de futebol pelas mulheres.

Crédito: DivulgaçãoDurante anos as mulheres jogaram com o uniforme masculino

Nessa mesma linha de explorar a falta de conhecimento das jogadoras que ainda existe por parte do grande público, o Itaú lançou a campanha #EuTorçoPorElas. Em filme gravado no Pacaembu, as atacantes da Seleção Cristiane de Souza e Andressa Alves fazem questionamentos que nos levam a refletir sobre a visibilidade do futebol feminino: “Mais de 70 gols pelo Brasil. Quantos nós comemoramos?” e “Mais de 40 jogos pela Seleção. Quantos nós assistimos?”.

Destaques do futebol feminino

Ícones mundiais como Marta, a ÚNICA a ganhar seis títulos de melhor do mundo, e Formiga, com sua trajetória esportiva de excelência, terão destaque ao lado das jogadoras Sissi, Emily Lima, Cristiane, da árbitra Silvia Regina e também de torcedoras que ocuparam seu lugar na história do futebol brasileiro.

A novíssima geração de jogadoras como Julia Rosado, a Juju Gol, de apenas 9 anos, também é representada. A menina é uma das promessas do futebol brasileiro para o futuro e foi a atleta mais jovem a ser federada no país, com apenas sete anos de idade. Juju foi homenageada na exposição com um espaço dedicado aos seus primeiros passos na carreira e ao lado de outros nomes, inspiram mulheres a praticarem o esporte.

Um pebolim feminino e um álbum de figurinhas gigante são atrações lúdicas presentes na mostra.

Crédito: DivulgaçãoJuju Gol ganha destaque na exposição

Minas no futebol: dentro e fora de campo

Para contar essa história, o Museu do Futebol convidou para a curadoria um time de mulheres especialistas e atuantes na causa: Aline Pellegrino – capitã da Seleção Brasileira de Futebol Feminino (2004 a 2013) e atual coordenadora da modalidade na Federação Paulista de Futebol, destacando-se como uma das poucas gestoras mulheres na área; Aira Bonfim – pesquisadora da participação feminina no esporte antes da proibição; Luciane Castro – jornalista pioneira na cobertura dos jogos e campeonatos femininos; e Silvana Goellner – professora e coordenadora do Centro de Memória do Esporte da UFRGS.

Junto da equipe do Museu do Futebol e das curadoras, a dupla Daniela Thomas e Felipe Tassara, que trabalhou na equipe de concepção do próprio Museu do Futebol, assina o projeto expositivo.

Para conferir a mostra “Contra-ataque” e dar uma moral pras minas do futebol brasileiro, basta colar no Museu do Futebol até o dia 20 de outubro, de terça a domingo, das 9h às 17h. Os ingressos para a exposição custam até R$ 15 – clientes do Itaú têm direito à meia-entrada, confira aqui – e o museu tem entrada gratuita às terças. E você, vai marcar esse gol de placa e conhecer mais sobre a história do futebol feminino ou vai ficar de fora? Força meninas, vai Brasil!