Musical ‘Bertoleza’ dá voz a mulheres negras silenciadas no Brasil

Espetáculo inverte o protagonismo no clássico 'O Cortiço', de Aluísio Azevedo, com apresentações online e presenciais no Teatro Arthur Azevedo

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Nos dias

13/11 - 20/11
27/11

2020

Às 21h (o espetáculo também tem transmissão online)

A vereadora Marielle Franco e outras tantas mulheres negras que foram silenciadas no Brasil são lembradas no musical “Bertoleza”, uma releitura da Gargarejo Cia. Teatral para o clássico “O Cortiço”, do escritor maranhense Aluísio Azevedo (1857-1913).

O espetáculo tem três apresentações presenciais no Teatro Arthur Azevedo nos dias 13, 20 e 27 de novembro, às 21h, e também é transmitido ao vivo pelas fanpages do grupo no Facebook (@gargarejociateatral) e Instagram (@gargarejocia).

Musical Bertoleza -  Teatro Arthur Azevedo
Crédito: Marcelo MartinA atriz Lu Campos interpreta a protagonista da peça e o ator Bruno Silvério, o ganancioso João Romão

Com direção e adaptação de Anderson Claudir, o musical inverte o protagonismo dos personagens do romance original. Agora quem ganha voz e nos conta seu ponto de vista é Bertoleza (interpretada pela atriz Lu Campos), que é tão importante para a construção da obra quanto o protagonista original – porém fica restrita a um destino trágico.

Na trama, o ganancioso português João Romão (Bruno Silvério) propõe uma sociedade à escrava Bertoleza, prometendo comprar a alforria dela. Juntos, eles começam uma nova vida e constroem um pequeno patrimônio formado por um grande cortiço, um armazém e uma pedreira.

O ambicioso Romão já não se contenta com esse capital e não sabe como se tornar mais poderoso. Envenenado pelo invejoso Botelho (Anderson Claudir), ele decide se casar com Zulmira (Taciana Bastos), a filha de Miranda, um negociante português recentemente agraciado com o título de barão. Mas, para isso, precisa se livrar da amante Bertoleza, que trabalha de sol a sol pela vida que eles construíram juntos.

Musical Bertoleza -  Teatro Arthur Azevedo
Crédito: Marcelo MartinO elenco da peça é quase todo formado por potentes artistas negros!

Entre os episódios dessa história, a companhia evoca a trajetória de várias mulheres negras, como a escritora Carolina Maria de Jesus, famosa pelo livro “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”; a jornalista e professora Antonieta de Barros, defensora da emancipação feminina que foi apagada dos livros de História; a escritora Maria Firmina dos Reis, considerada a primeira romancista brasileira; e a guerreira Dandara, que viveu e lutou no período colonial.

Além da temática autêntica brasileira, o musical reúne várias canções originais interpretadas ao vivo pelo elenco, que foram compostas por Claudir a partir de várias sonoridades da música popular.

O elenco – quase todo formado por atores negros – fica completo com Ananza Macedo, Cainã Naira, Palomaris, Taciana Bastos, David Santoza, Edson Teles, Gabriel Gameiro e Matheus França, que formam o coro do musical.

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