Ocupação Ilê Aiyê leva ancestralidade e música ao Itaú Cultural

Exposição no Itaú Cultural celebra os 44 anos de existência do bloco considerado símbolo da resistência negra

Por: Redação
Até
06
de janeiro 2019
Terça - Quarta - Quinta - Sexta - Sábado - Domingo
De terça a sexta, das 9h às 20h (permanência até as 20h30), e aos sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h

Nova ocupação no Itaú Cultural está IMPERDÍVEL para quem ama o carnaval de Salvador e discussões sobre resistência negra e empoderamento. Entre os dias 4 de outubro e 6 de janeiro de 2019 acontece a Ocupação Ile Aiyê, o primeiro bloco afro do Brasil.

Bloco Ilê Aiyê
Crédito: André Frutuoso - DivulgaçãoBloco Ilê Aiyê, símbolo da resistência negra, é homenageado no Itaú Cultural

A mostra é dividida em quatro eixos. O primeiro deles é simbolizado pela cor preta, que representa a pele e a história dos homenageados. Neste espaço, o visitante ouve a voz de Luedji Luna cantando “Ilê de Luz” a capella e observa fotos em tecido com detalhes do terreiro Ilê Axé Jitolu e de Hilda Dias dos Santos (Salvador, 1923-2009), a Mãe Hilda Jitolu, ialorixá (sacerdotisa líder em iorubá), fundadora do bloco ao lado do filho Antonio Carlos dos Santos Vovô.

O segundo eixo é o da cor vermelha, representando o sangue derramado na luta pela libertação. Este é o lugar da evocação da luminosidade do terreiro de Candomblé, da religião e da cultura negra. Há depoimentos dos integrantes do bloco e de cantoras como Daniela Mercury e Margareth Menezes, assim como algumas fantasias vestidas em manequins e croquis de carros alegóricos, troféus, fotos antigas e recortes de jornais.

A cor amarela, símbolo da riqueza cultural e da beleza negra, comanda o terceiro eixo. Neste núcleo, o público observa registros do concurso da Noite da Beleza Negra, realizado anualmente pelo Ilê Aiyê para eleger a Deusa do Ébano, mulher que assume o desfile de carnaval como rainha. O espaço também apresenta referências futuristas para mostrar a padronagem dos tecidos idealizados em cada um dos 44 carnavais da história do grupo. Além disso, uma vitrine mostra adereços originais de cabeça, pescoço e braço das mulheres do Ilê e do Curuzu.

Por fim, o quarto eixo é norteado pela cor branca, da paz e da cura. Nesta seção, o visitante conhece os projetos afirmativos do bloco que extrapolam o carnaval. Algumas dessas ações são a Band’Erê, formada por alunos jovens que depois integram o grupo e a Escola da Mãe Hilda e os Cadernos de Educação, que vêm sendo produzidos por eles desde 1995 no Projeto de Extensão Pedagógica do Ilê Aiyê.

Como parte da programação especial do evento, nos dias 5 e 6 de outubro, 17 componentes do Ilê Aiyê, entre percussionistas, dançarinas, vocalistas e a Deusa do Ébano deste ano, Jéssica Nascimento, recebem convidados no Auditório Ibirapuera. No primeiro dia, se apresentam com eles os grupos paulistas Ilú Obá De Min, formado por mulheres, e Ilú Inã, apadrinhado do Ilê. No segundo, as convidadas são as baianas Xênia França e Luedji Luna. Os shows, tem duração de 90 minutos, classificação indicativa livre e interpretação na Língua Brasileira de Sinais (Libras)

Fundado em 1974, o bloco Ilê Aiyê se tornou um símbolo de resistência negra. A agremiação nasceu com o objetivo de combater o racismo e o silenciamento dos negros que eram recusados no circuito oficial do Carnaval baiano. O grupo foi classificado de racista por não aceitar brancos, tradição que segue até os dias de hoje.

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