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Ícone do feminismo negro, Sueli Carneiro ganha mostra no Itaú Cultural

Nova edição do projeto Ocupação resgata a trajetória e a ancestralidade dessa importante pensadora e sua luta pela construção de um país antirracista

Por: Redação

Até 31 de outubro de 2021

Terça - Quarta - Quinta - Sexta - Sábado - Domingo

Das 11h às 19h

Grátis

Considerada uma importante pensadora do movimento negro brasileiro, a filósofa, escritora e ativista Sueli Carneiro é a homenageada na nova edição do projeto Ocupação no Itaú Cultural. A exposição celebra os 71 anos dessa grande pensadora e pode ser conferida até o dia 31 de outubro, de terça a domingo, das 11h às 19h. E o melhor: é grátis!

Sueli Carneiro
Crédito: Sueli Carneiro em 2017 - André Seiti / Acervo Itaú Cultural - divulgação -Sueli Carneiro é a nova homenageada do projeto Ocupação no Itaú Cultural

Com a proposta de resgatar parte da trajetória e elementos da ancestralidade de Sueli Carneiro, a mostra reúne mais de 140 peças, entre fotografias, vídeos, artigos, livros, matérias jornalísticas e objetos pessoais e religiosos.

O percurso da exposição passa por temas como as origens da homenageada, o encontro com o Candomblé e sua simbologia, o desenvolvimento de seu pensamento intelectual, as influências e pessoas influenciadas, as memórias e afetos da infância, juventude e vida adulta e até a paixão pelo futebol.

Além disso, você pode entender um pouquinho sobre a importância da militância da pensadora em quatro materiais audiovisuais produzidos pelo Itaú Cultural, com depoimentos de intelectuais e membros do movimento negro.

Ocupação - Sueli Carneiro
Crédito: Sueli Carneiro entre os 26 e 27 anos, aproximadamente - Acervo Pessoal - divulgação - Itaú CulturalÍcone do movimento negro feminista, Sueli Carneiro começou sua militância na faculdade

Entre esses relatos, estão os de Rafael Pinto, um dos fundadores do MNU – Movimento Negro Unificado; de Edson Cardoso, doutor em educação e diretor do portal Ìhorìn – Comunicação e Memória Afro-brasileira; da arquiteta Gabriela Gaia, autora de “Corpo, discurso e território: a cidade em disputa da narrativa de Carolina Maria de Jesus”; e da professora e escritora Cidinha da Silva, que foi uma das presidentes do Instituto Geledés.

Logo na entrada da ocupação, você é recebida(o) por mais de 700 unidades de plantas e ervas que têm significado simbólico para as religiosidades e ancestralidades afro-brasileiras, como as dracenas pau d’água e vermelha, a aroeira mansa, pitangueira, espada de São Jorge, quebra demanda, louro, jiboia, hera e Ora pro Nobis.

E, no centro da exposição, há uma árvore, cujo tronco é feito de madeira folheada em feijó. Já as folhas da copa, formadas por cerca de 6 mil escamas de peixe camarupim, recebem projeções de luzes em forma de um arco-íris. Esta é uma alusão a Oxumaré, orixá das religiosidades afro-brasileiras que representa a mediação entre o céu e a terra. Também é projetado um vídeo em que a própria Sueli Carneiro conta um pouco de seus pensamentos.

A construção de sua vida e de seu trabalho se desenrola ao redor dessa árvore, cingida por uma linha imaginária que representa a Kalunga – o horizonte do oceano e portal entre os mundos espiritual e material, dividindo o que é ancestral e o que se vive agora.

Além de todo esse material incrível, uma série de conteúdos exclusivos sobre Sueli Carneiro podem ser conferidos aqui no site do projeto ocupação.

A exposição tem curadoria do Núcleo de Comunicação e Relacionamento da Enciclopédia Itaú Cultural e cocuradoria de Bianca Santana, autora da biografia “Continuo preta, a vida de Sueli Carneiro. Já a consultoria religiosa é assinada por Baba Diba de Iyemonja e o projeto expográfico, por Isabel Xavier, com assistência de Danilo Arantes.

Um pouquinho sobre Sueli Carneiro

Uma das fundadoras do Geledés – Instituto da Mulher Negra, Sueli Carneiro é uma das figuras mais importantes para o movimento negro e feminista no país. Seu envolvimento com a luta antirracista começou ainda em sua vida universitária, quando ela conheceu o Centro de Cultura e Arte Negra (Cecan), fundado em 1971 por Thereza Santos (1930-2012).

Ocupação Itaú Cultural
Crédito: Sueli Carneiro no curso primário. Ca. 1960. - Autoria desconhecida - Acervo pessoal - divulgação - Itaú CulturalA exposição recupera diversos momentos da vida de Sueli Carneiro, desde a infância

Nesse lugar, ela entendeu que a consciência racial precisava de uma organização coletiva para ser levada adiante. Na faculdade, também conheceu Rafael Pinto, um dos fundadores do Movimento Negro Unificado, que surgiu em 1978, em SP.

E, quando militava nas lutas do MNU nos anos de 1970, teve contato com o pensamento de Lélia González (1935-1994), entendendo que as mulheres negras sofrem uma conjunção perversa entre o racismo e o machismo.

Desde então, Sueli Carneiro escreveu obras importantes para compreender a luta pela construção de um país anti-racista e anti-machista, como “Mulher Negra: Política Governamental e a Mulher” (1985), ao lado de Thereza Santos e Albertina de Oliveira Costa; “Racismo, Sexismo e Desigualdade no Brasil” (2011); a tese “A construção do outro como não-ser como fundamento do ser” (2005); e “Escritos de uma vida” (2018).

Ocupação Itaú Cultural
Crédito: Sueli com Conceição Evaristo. 2019 Autoria desconhecida - Acervo pessoal Sueli Carneiro - divulgação - Itaú CulturalOlha que foto legal de Sueli Carneiro ao lado da escritora Conceição Evaristo

Por sua atuação, ela já recebeu diversos reconhecimentos, como os prêmios de Direitos Humanos da República Francesa, Itaú Cultural 30 anos, Especial Vladimir Herzog e Kalman Silvert.

Quer conhecer melhor a trajetória poderosa de Sueli Carneiro? Então, mergulhe aqui no site da Ocupação.


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