Peça discute cenário político latino-americano pós-Guerra Fria

'Argumento Contra a Existência de Vida Inteligente no Cone Sul' do dramaturgo uruguaio Santiago Sanguinetti tem temporada gratuita em São Paulo

Por: Redação Comunicar erro
Até
02
de junho 2019
Quinta - Sexta - Sábado - Domingo
De quinta a sábado, às 21h
Domingos, às 20h

Depois de estrear no CCSP, a peça gratuita “Argumento Contra a Existência de Vida Inteligente no Cone Sul“, do dramaturgo uruguaio Santiago Sanguinetti, ganha uma nova temporada gratuita no Teatro de Contêiner.

O espetáculo marcou a primeira direção de Marina Vieira e propõe uma reflexão sobre o tenso cenário político na América Latina e conta com Abel Xavier, Carol Vidotti, Emilene Guti

Crédito: Roberto Setton | Divulgação"Argumento Contra a Existência de Vida Inteligente no Cone Sul" apresenta de maneira tragicômica uma geração criada após a queda do Muro de Berlim e do fim da União Soviética, que é bombardeada cotidianamente pela publicidade e pelo imaginário capitalista, não conseguindo mais pensar em outras formas de relação ou existência que não sejam pela eliminação absoluta do outro e pela destruição
Crédito: Roberto Setton | DivulgaçãoA peça "Argumento Contra a Existência de Vida Inteligente no Cone Sul" marcou a primeira direção de Marina Vieira e propõe uma reflexão sobre o tenso cenário político na América Latina e traz no elenco Abel Xavier, Carol Vidotti, Emilene Gutierrez e Wallyson Mota
Crédito: Roberto Setton | DivulgaçãoNa trama, quatro amigos tentam organizar um atentado contra a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH-USP). Os desencontros e a falta de sentido dessa e de tantas outras ações revelam a idiotização de nossos tempos e a necessidade de buscarmos e discutirmos algum imaginário possível sobre os ideais de revolução que permearam a América Latina nos anos de 1960 e 1970

errez e Wallyson Mota no elenco.

A montagem apresenta de maneira tragicômica uma geração criada após a queda do Muro de Berlim e do fim da União Soviética, que é bombardeada cotidianamente pela publicidade e pelo imaginário capitalista, não conseguindo mais pensar em outras formas de relação ou existência que não sejam pela eliminação absoluta do outro e pela destruição.

Essas pessoas são violentadas constantemente pelo imaginário neoliberal e globalizado da cultura de massa norte-americana, que digere tudo à moda fast-food, mas que intui que algo em tudo isso não está bem, não faz sentido. Apesar disso, não consegue encontrar vias para se articular, fazer política ou sequer entender as referências de pensamento que encontra brevemente nas estantes de algumas bibliotecas.

Na trama, quatro amigos tentam organizar um atentado contra a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH-USP). Os desencontros e a falta de sentido dessa e de tantas outras ações revelam a idiotização de nossos tempos e a necessidade de buscarmos e discutirmos algum imaginário possível sobre os ideais de revolução que permearam a América Latina nos anos de 1960 e 1970. O texto uruguaio foi adaptado pelo grupo para o contexto brasileiro em conjunto com o dramaturgo Santiago Sanguinetti.

Trata-se de uma dramaturgia que justapõe dois sistemas de significados: um pensamento crítico contra-hegemônico de esquerda (defendido pelo autor) e o do sequenciamento de elementos de publicidade e cultura pop estadunidense, irradiados pelos meios de comunicação e entretenimento.

O embate entre elementos tão distintos gera comicidade instantânea, seguida imediatamente de provocação, desconforto e reflexão sobre sua convivência, fazendo do teatro espaço de discussão viva e coletiva. A encenação surgiu justamente da necessidade do núcleo artístico de entender nossas ações em esferas públicas e políticas e de projetar que coletividade queremos construir.

A peça fica em cartaz de 23 de maio a 2 de junho, com sessões gratuitas de quinta a sábado, às 21h; e aos domingos, às 20h, no Teatro Contêiner. As apresentações dos dias 24 de maio e 1º de junho são acompanhadas de um intérprete de Libras.