Programação ocupa centro de BH com homenagem ao teatro negro

Por: Redação

Entre os dias 11 de setembro e 16 de outubro, o Teatro Espanca! abre suas cortinas para a terceira temporada da segunda PRETA, festival com apresentações de espetáculos, cenas e experimentos cênicos, realizado por artistas que estudam as artes negras e a cultura afro-brasileira.

Ao todo, são 14 trabalhos apresentados sempre às segunda-feiras, às 20h, com ingressos a R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada).

Pela primeira vez, a segunda PRETA dedica um dia inteiramente ao público infantil, com a apresentação do espetáculo “Abena”, da Cia. Bando, no domingo, 8 de outubro, às 10h.

“Elas também usam BlackTie”

A programação de espetáculos tem como base o debate sobre a raiz da estruturação cultural em que vivemos hoje, dominada por símbolos e valores de origem eurocêntrica, que, muitas vezes exclui a população negra e ainda a reprime.

Neste ano, a segunda PRETA homenageia a poetisa e ensaísta Leda Maria Martins, especialista em Teatro Negro e escritora de livros, como “A cena em sombras”, “Afrografias da memória” e “Os dias anônimos”.

  • Confira a programação completa:

[tab:11 de setembro]

  • “Memórias póstumas de neguinho”
“Memórias póstumas de neguinho”

O solo “Memórias Póstumas de um Neguinho” conta, a partir de histórias pessoais e memórias coletivas, a trajetória de um homem negro em seu processo de auto aceitação. O espetáculo/performance é dividido em dois movimentos distintos, que acontecem em sequência que e se entrelaçam.

[tab:18 de setembro]

  • “Ama”
“Ama”

Uma mulher nasceu na Costa d’Ouro, atravessou o Brasil colonial e hoje resiste nas periferias. Sua cor foi o que lhe restou. Para todas as Medeias que morrem de amor e não deixam os filhos viverem famintos.

  • “Sem dono”
“Sem dono”

Um corpo que ocupa espaço. Um outro corpo que ao mesmo tempo se liberta. Qual história vale mais? Uma limpando a bagunça do outro e um outro que trabalha para (não) ser livre.

[tab:25 de setembro]

  • “Vem… Pra ser infeliz, 2017”
“Vem… Pra ser infeliz, 2017”

Em “Vem… pra ser infeliz” o corpo negro é exposto de forma extrema à reprodução da representação estereotipada de sua imagem. Este corpo, que é lembrado anualmente de forma hipersseuxalizada como símbolo do Carnaval, no trabalho de performance, explora e expõe em palavras a valorização contraditória e deturpada deste corpo. Ao som de enredos de escolas de sambas tradicionais do carnaval do Rio de Janeiro, a artista samba ininterruptamente até a exaustão, utilizando uma máscara de Flandres, objeto comumente utilizado no período colonial para tortura de pessoas escravizadas.

  • “Fragmentos do amor no panteão africano”
“Fragmentos do amor no panteão africano”

Reunindo contos da mitologia africana, o espetáculo “Fragmentos de Amor no Panteão Africano” apresenta histórias de amor, paixão, encantamentos e disputas entre os Orixás. As mais diversas formas que permeiam o amor são apresentadas nessa livre adaptação dos mitos.

[tab:2 de outubro]

  • “O caminho até Mercedes”
Crédito: Douglas Lopes“O caminho até Mercedes”

A dança afro-brasileira de Mercedes Baptista é o elemento base para a construção dos movimentos e interpretação neste trabalho. A dança desloca o corpo de Mercedes por suas memórias. A primeira mulher negra a integrar o corpo de baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro expressa sua inquietação frente à ausência de lembranças de sua trajetória. A apresentação é seguida de uma roda de conversa.

  • “Protótipo para cavalo”
Crédito: Thier Mundim“Protótipo para cavalo”

Neste experimento-manifesto, o amor é uma violência tão cruel quanto a guerra. As granadas estão camufladas em cada signo dado, em cada convenção criada, desde o primeiro assovio do primeiro pássaro no mundo.

  • “Antes da escravidão”
“Antes da Escravidão”

Uma série de pesadelos perturba Jabé Enjaí, o corajoso General das Forças de Defesa do Antigo Império Gana – 1200 d.C. na África subsaariana. A fim de decifrar o tormento, Jabé Enjaí vai ao encontro de Jájabim Jabar Jajaa, o feiticeiro louco. Tanto as descrições dos pesadelos pelo general, quanto as inquietantes revelações e conselhos do feiticeiro, se dão através de metáforas extraídas de lendas e contos populares africanos.

8
  • segundaPRETINHA

“Abena”

Abena é uma das princesas mais belas de todo o mundo e pretendentes de todas as partes esperavam ter sua mão em casamento. Diante de tanto cortejo, deu-se uma grande disputa, mas o coração de Abena já estava preenchido de amor por alguém.

[tab:9 de outubro]

  • “Cânticos para solitude”
“Cânticos para solitude”

Nesse experimento cênico musical, Josi Lopes fala principalmente do encontro com a solitude, da comunicação com o mundo através do corpo/voz e da ressignificação do estado de solidão, da entrega ao desejo, dos devaneios que atordoam os pensamentos, dos obstáculos e alegrias de ser, da plenitude de estar só. “Solitude é diferente de “solidão”, é a atitude da força interior, a força ancestral da mulher preta.

  • “Dar a luz”
“Dar a Luz”

Dar à luz. Dar os filhos. Fazer mais que o governo faz. Ela faz e dá destino.

[tab:16 de outubro]

  • “Buraco-saudade”

Como vestir uma roupa que não lhe cabe? Como lembrar de afetos que não existem? Lembranças que não existem, memórias de ausências. Três mulheres que, a partir do buraco-saudade no peito, buscam ressignificar símbolos, formas, crença, presença e afeto.

  • “Frágil, eu?”
“Frágil, eu?”

A partir de trechos dos livros “Angela Davis –mulheres, raça e classe” e “Rosa Parks – não à discriminação”, e da poesia corpórea de Suellen Sampayo, o trabalho é construído. Três mulheres negras que, em diferentes tempos, expressam toda sua força e demonstram que não são frágeis.

  • “Elas também usam BlackTie”
“Elas também usam BlackTie”

Três mulheres negras. Jazz. Histórias onde se encontram e improvisam um final de luta. Sim, ELAS TAMBÉM LUTAM. Jam. Talvez a voz não saia e um grito rouco seja música. Ladies and gentlemen, Senhoras e senhores, com vocês: ELAS.

[tab:END]


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