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Teatro GRÁTIS no Vale do Anhangabaú desconstrói mito de Medusa

Com música ao vivo, peça da Cia. Les Commediens Tropicales parte da mitologia para falar sobre cultura do estupro e culpabilização da vítima

Por: Redação Comunicar erro
Até
13
de novembro 2018
Terça - Sexta - Sábado
Às 16h30. Começa na Praça Pedro Lessa (ao lado do prédio dos Correios). Classificação: livre. Duração: 120 minutos

Você conhece o mito de Medusa, a mulher-monstro com cabelos de serpentes? A Cia. Les Commediens Tropicales e o Quarteto à Deriva recuperam a versão do poeta Ovídio para essa história na peça de teatro de rua “MEDUSA concreta”, que acontece em pleno Vale do Anhangabaú, no Centro de São Paulo, entre 24 de agosto e 13 de novembro. O espetáculo começa na Praça Pedro Lessa (ao lado do prédio dos Correios) e termina ao redor do Theatro Municipal (Praça Ramos de Azevedo, sn). As sessões são grátis e acontecem às terças, às sextas e aos sábados, sempre às 16h30.

Cena da peça MEDUSA concreta encenada no Centro de São Paulo
Crédito: Mariana Chama - divulgação“MEDUSA concreta”, da Cia. Les Commediens Tropicales, é encenada pelas ruas do Centro de São Paulo

Segundo a versão de Ovídio para essa história da mitologia greco-romana, Medusa era uma bela sacerdotisa do templo de Atena, deusa da sabedoria, que deveria se manter casta para sempre. No entanto, ela é estuprada por Poseidon, deus dos mares, dentro daquele reduto sagrado.

A deusa de olhos claros vê tudo pelo reflexo de seu espelho, mas, ao invés de apoiar a vítima agredida, resolve perdoar Poseidon e a transforma em um temido monstro, que petrifica quem olha diretamente para seus olhos.

Depois de aterrorizar viajantes e fazer uma coleção de esculturas-humanas, Medusa é morta enquanto dormia pelo “herói” Perseu, que retorna para casa com a cabeça dela como troféu. Perseu usa seu novo “amuleto” para petrificar seus inimigos. E, para torná-lo ainda mais poderoso, Atena incorpora a cabeça de Medusa ao escudo do herói.

Cena da peça MEDUSA concreta encenada no Centro de São Paulo
Crédito: Mariana Chama - divulgação“MEDUSA concreta” tem sessões grátis às terças, às sextas e aos sábados, às 17h

Com músicas originais interpretadas ao vivo, a montagem da Cia. Les Commediens Tropicales desconstrói o mito ao tratar de temas contemporâneos, como o patriarcado na literatura, a cultura do estupro, a culpabilização da vítima e a destruição dos mitos na vida concreta em uma metrópole como São Paulo, com suas narrativas e contradições.

A encenação no meio da rua pretende criar uma espécie de acontecimento teatral desprogramado, como um carnaval dourado fora de época. A ideia é misturar elementos do teatro grego, como o coro, com outras linguagens artísticas contemporâneas, como o funk, o slam e os poemas visuais.

No figurino, as tocas gregas também são associadas a bonés de aba reta e acessórios vendidos pelo comércio ambulante, como correntes de ouro, tênis de corrida e óculos de sol espelhados. As atrizes carregam consigo réplicas de suas próprias cabeça, e um carro dourado acompanha o cortejo.

O elenco e a banda são formados por Beto Sporleder, Carlos Canhameiro, Daniel Muller, Guilherme Marques, Michele Navarro, Paula Mirhan, Rodrigo Bianchini, Rui Barossi e Tetembua Dandara. O processo criativo da peça contou com as provocações das pesquisadoras Beatriz Perrone, Helena Vieira, Maria Rita Khel e Suzane Jardim.