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Exposição com 160 artistas faz reflexão sobre o Nordeste no Sesc

Por: Redação | Comunicar erro
Até
25
de agosto 2019
Terça - Quarta - Quinta - Sexta - Sábado - Domingo
Terça a sábado, das 9h às 21h, domingos e feriados, das 9h às 18h

“A Nordeste de que?”. A provocação do artista cearense Yuri Firmeza foi o que motivou a exposição À Nordeste, que o Sesc 24 de Maio, em São Paulo, recebe entre 15 de maio e 25 de agosto. Com curadoria de Bitu Cassundé, Clarissa Diniz e Marcelo Campos, À Nordeste reúne um conjunto de 275 trabalhos, de diversas linguagens e suportes, do barro aos memes, criações singulares de 160 artistas, quase todos nordestinos, mas não exclusivamente.

Crédito: Eduardo OrtegaABC da Cana, 2014, Jonathas de Andrade

Artistas de contextos e linguagens diversas, mas com um ponto em comum: uma produção pulsante, que problematiza os imaginários que se tem acerca do Nordeste. A crase em À Nordeste surge como elemento desafiador do estereótipo regionalista, pois evita o artigo definido — e, com ele, uma identidade unívoca — de “o Nordeste”.

“Com esse conjunto riquíssimo, diverso e heterogêneo de obras e artistas, não temos qualquer pretensão em apresentar ao público o que é o Nordeste hoje, mas, sim, o que é estar à Nordeste. Sob essa perspectiva, lançamos luz sobre jogos políticos e estéticos, marcados por contraposições em relações às hegemonias, centralidades e, inclusive, outras periferias”, afirma Clarissa Diniz.

A curadoria

Os curadores revisitaram as nove capitais nordestinas e várias cidades do interior. “Iniciamos essas viagens e visitas a campo no segundo semestre do último ano, em pleno processo eleitoral. Neste período, o Nordeste vivenciou um momento um tanto quanto singular, revigorante, de contraposição a uma ideia de Brasil que acabou prevalecendo naquele contexto”, pontua Diniz. “Pudemos ver um Brasil em transformação, a partir de um Nordeste de muitas lutas, mobilizações e reivindicações em torno de suas questões”, completa Bitu Cassundé.

Hildenehomem Sousa india guerreira frutaria, por Gê Viana

Para se ter uma ideia da diversidade de artistas, integram a exposição nomes como Abraham Palatinik, Almandrade, Antônio Bandeira, Ayrson Heráclito, Bárbara Wagner e Benjamin de Burca, Bispo do Rosário, Cristiano Lenhardt, Gilberto Freyre, Glauber Rocha, Jean-Pierre Chabloz, Jonathas de Andrade, Juliana Notari, Leonilson, Marepe, Mestre Vitalino, Romero Britto, o coletivo Saquinho de Lixo, Pêdra Costa, Tadeu dos Bonecos, Véio, Zahy Guajajara e muitos outros.

Para facilitar a navegação do público em meio à exposição, que pelo volume de artistas e obras assemelha-se a uma Bienal, os trabalhos foram divididos em oito núcleos distintos, que se ramificam e contaminam uns aos outros: Futuro, Insurgência, (De)colonialidade, Trabalho, Natureza, Cidade, Desejo e Linguagem.

Neles, obras já existentes se articulam a 12 criações inéditas, especialmente comissionadas pelo Sesc 24 de Maio para esta exposição, dos seguintes artistas: Daniel Santiago (PE), Arhur Doomer (PI), Gê Vianna e Márcia Ribeiro (MA), Ton Bezerra (MA), Isabela Stampanoni (PE), Pêdra Costa (RN), Jota Mombaça (RN), Ayrson Heráclito e Iure Passos (BA), SaraElton Panamby e Nayra Albuquerque (MA), Marie Carangi (PE) e Alcione Alves (PE).

Algumas obras serão expostas em salas especiais, com visitação apenas para maiores de 18 anos. A exposição contará, também, com uma série de recursos acessíveis, como videolibras, audiodescrição, maquetes e reproduções táteis de alguns trabalhos.