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Siba lança disco no Sesc Pompeia com participação da Fuloresta

Por: Redação Comunicar erro

O pernambucano Siba assume o palco do Sesc Pompeia nos dias 13 e 14 de setembro, às 21h30. A noite marca o lançamento seu terceiro e quentíssimo disco solo, “Coruja Muda”. Refletindo sobre o espaço indefinido que existe entre gente e bicho, Siba será acompanhado pela banda Fuloresta.

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Crédito: José de HolandaSiba lança disco no Sesc Pompeia com part. da Fuloresta

Produzido por João Noronha, em parceria com o próprio Siba, projeto é guiado pelo Coco. Coco de Roda, de Embolada, Rural, Zambê e Toré. O resultado mergulha, entre ritmo e poesia, na cultura popular da Mata Norte pernambucana, na música popular brasileira de ascendência nordestina, nos sons que surgem da diáspora africana e seu refluxo nas canções modernas do continente, especialmente no Congo.

Faixa a Faixa por Siba

“Só é Gente Quem Se Diz” se divide em duas partes. A primeira é uma embolada em décimas, a segunda um arremedo irreconhecível de axé. A bicharada deita e rola superando a humanidade, em coerência e dignidade, ao longo da letra.

“Tamanqueiro” é uma carta real, escrita em ritmo de embolada, com o objetivo de encomendar um Tamanco para uso diário. É verdade esse bilête. Na parte instrumental em que o Tamanco é fabricado, escuta-se Arto Lindsay, Edgar, Rafael dos Santos e Dustan Gallas trabalhando com dedicação.

“Barato Pesado” é um frevo abolerado ou o contrário. Panfleto místico de exortação à conversão imediata e absolutamente necessária a qualquer forma de culto à vida e à alegria do presente. Hino da festa como elemento básico de exaltação religiosa.

“Tempo Bom Redondin” é correria inútil contra o tempo que a tudo atravessa. Hino à preguiça e atualização da cansada tese de que não vale a pena levar nada tão a sério. Quem toca Synth nela é Dustan Gallas.

“Coruja Muda” foi inspirada em um áudio de Fábio Trummer solicitando ao fotógrafo José de Holanda as condições meteorológicas perfeitas para uma foto a ser feita. Discorre sobre o que por ventura venha a ser uma parte de minha parte bicho nessa história toda. Quem canta no final a voz da Coruja é Chico César e o Pajé é Mestre Nico.

Em “Daqui Pracolá”, fauna e flora de minhas vivências de infância no Agreste Pernambucano brincam de vida e lutam de morte. Tive essa sorte de ter família com lastro forte no interior, natureza fofinha não é muito a minha…

“Carcará de Gaiola”. Tem bicho que não foi feito pra gaiola. Quando está preso, carrega muitos pra dentro consigo. Não consegui evitar o Baque Solto, nem nesse disco. Na orquestra, Galego do Trombone, Roberto Manoel e Maestro Minuto, da Fuloresta.

“Azda” é um atestado definitivo da cara de pau e falta de noção deste poeta em se meter a fazer uma versão de um clássico da música congolesa que sempre o assombrou pela beleza. Antes de desistir descobri que a música era na verdade um jingle de Franco para uma loja da Wolkswagen em kinshasa. Nada é tão sério assim, afinal de contas.

Em “O Que Não Há” dou um passo em direção ao verso não metrificado, embora não chegue longe. Tem muito mais influência das longas canções de Franco com a banda OK Jazz nos anos 70 do que seria capaz de esconder. Fala da violência muda da classe média brasileira.

“Toda vez que eu dou um passo / O mundo sai do lugar (Slight Return) é a versão atualizada desta música que sou obrigado a tocar mesmo quando não quero. Atravessou todas as mutações que meu trabalho sofreu desde que ela existe. É a música que fecha os shows também.

“Meu Time” é a segunda faixa extra do disco. Tá aí porque cresceu muito com as versões e os anos de estrada e pra provar que não sou oportunista. Fiquei calado na Copa e relancei a faixa fora de época mais uma vez.