‘Trilogia do Teatro do Absurdo’ no ABC: a partir de R$ 6

O Sesc Santo André, no ABC Paulista, apresenta ‘Que Absurdo! Trilogia do Teatro do Absurdo nos dias 19, 20 e 21 de outubro, com as companhias Grupo TAPA e Cia. Boa Vista de Teatro para encenar obras de grandes dramaturgos originários do Teatro do Absurdo, como Jean Tardieu (1903-1995), Eugène Ionesco (1909-1994) e Jean Genet (1910-1986).

Crédito: A Cantora Careca, com Gripo TAPA/ Foto: Tiago de la RosaGrupo TAPA (foto) e Cia. Boa Vista de Teatro encenam obras de grandes dramaturgos originários do Teatro do Absurdo neste final de semana no Sesc Santo André, no ABC

Criados ainda no século XX, os espetáculos ganham montagens atuais em um momento histórico marcado pela superficialidade fanática na política, nas paixões e discussões acaloradas sobre a sociedade politicamente correta, que varre tudo que é feio para baixo do tapete e não pode mais conter a poeira acumulada. A conversa vazia que ocupava salões burgueses, hoje povoa o ciberespaço com interações digitais anestesiadas por conteúdos supérfluos.

“O que mais poderia pautar a vida contemporânea do que o Absurdo? Décadas passaram, o século virou e o que seria a era de aquário, decantada por uma geração, inicia com as torres gêmeas. Daí em diante as fakes news, Trump e dos nossos tristes tópicos nem é bom falar, para não gerar ondas de ódio online. Se os dramaturgos do pós-guerra questionaram a falta de sentido da vida depois do holocausto e de Hiroshima, o que eles fariam diante de quem afirma que esses eventos não aconteceram. O Teatro do Absurdo, hoje, talvez seja a melhor expressão do teatro realista”  afirma o diretor Eduardo Tolentino.

Os ingressos para cada espetáculo custam R$ 20 (inteira), R$ 10 (meia-entrada) e R$ 6 (trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo e seus dependentes com Credencial Plena) e estão disponíveis online e nas Bilheterias da Rede Sesc SP. O Sesc Santo André fica na Rua Tamarutaca, 302 – Vila Guiomar, Santo André-SP. Estacionamento (vagas limitadas): Credencial Plena – R$ 5 (R$ 1,50 por hora adicional) outros – R$ 10 (R$ 2,50 por hora adicional).

Mais informações pelo telefone – (11) 4469-1311.

Confira a programação completa:

  • 19/10, sexta-feira, às 21hUma Peça Por Outra, com Cia. Boa vista de Teatro
    Recomendação Etária: 14 anos. No Teatro.

Uma Peça Por Outra apresenta esquetes curtas que satirizam a comunicação e as convenções teatrais. A peça apresenta um conjunto de peças curtas de Jean Tardieu, multipremiado dramaturgo francês, falecido em 1995, expoente do Teatro do Absurdo. O tema central é a discussão da linguagem, a constatação da inutilidade das palavras para o entendimento. Cada pequena história – costuradas por música ao vivo – brinca de forma criativa e divertida com as questões mais críticas da comunicação humana. Um elenco afiado, composto por oito atores, apresenta um delicado painel com absurdos da linguagem e seus códigos, criando um clima de vaudeville de grande comunicação com a plateia.

A direção de Brian Penido Ross e Guilherme Sant’Anna recebeu elogios da crítica e o retorno constante de espectadores que gostavam de rever a obra, que ficou em cartaz no Teatro da Aliança Francesa de São Paulo e Teatro Nair Bello, e chega agora ao Teatro do Sesc Santo André. O espetáculo é também um painel de diferentes estilos de representação teatral, em que inteligência, leveza e alegria se combinam.

  • 20/10, sábado, às 20h- A Cantora Careca, com Grupo TAPA
    Recomendação Etária: 14 anos. No Teatro.

O texto de A Cantora Careca é considerado umas das primeiras obras da corrente batizada como Teatro do Absurdo. Escrita em 1949 pelo francês Eugène Ionesco (1909-1994), a obra é irônica, com diálogos absurdos que levam à total impossibilidade de comunicação entre os personagens. Ionesco apresenta a existência humana ao tratar do distanciamento entre pessoas da mesma família por meio de um humor sarcástico, característico do autor.

Centrada nos atores, A Cantora Careca depende da habilidade dos que estão em cena, onde a palavra principal é o jogo. Como atribuir verdade ao que não tem sentido? Quem são essas personagens no mundo atual? É a partir do paralelismo entre passado e presente que o Grupo TAPA permeia pelos extremos do absurdo. Em uma das cenas mais conhecidas da obra, dois estranhos conversam sobre a vida, onde moram, filhos e por fim descobrem que são casados.

  • 21/10, domingo, às 19h- As Criadas, com Grupo TAPA
    Recomendação Etária: 14 anos. No Teatro.

Escrita em 1947, “As Criadas” é um clássico da dramaturgia francesa. Reconhecido como escritor de extraordinário talento e admirado por Jean Cocteau e Jean-Paul Sartre, Jean Genet escreveu a maioria dos textos na prisão, o que confere características únicas às obras. Sua inspiração para “As Criadas” foi um caso real ocorrido na França, das irmãs Papin, que mataram patroa e filha no ano de 1933.

A encenação transita pelo drama e pela tragicomédia para tratar de uma incômoda relação entre opressor e oprimido. Basta que a Madame saia de casa para que as criadas iniciem um jogo de submissão e poder em que usam roupas, joias e maquiagens da patroa, imitando sua voz e seus gestos, em requintados e perversos rituais de “faz-de-conta”.

Para o diretor da peça, Eduardo Tolentino, a montagem permeia “entre o psicodrama, improviso teatral e perversos jogos infantis, os quais as criadas sublimam, através de uma cerimônia fúnebre, o processo de opressão comandado por sua patroa/mãe, nesse tipo de relação promíscua presente em nossa cultura. Jogo situado para além da luta de classes e de Freud, cuja arena é um inferno Sartreano, que flerta com o surrealismo de Buñel e o expressionismo de Bergman, sem esquecer o travestismo tão caro a Genet”.

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Sobre o Grupo TAPA

O Grupo Tapa foi fundado em 1974 dentro da PUC-Rio, quando alunos de diversos cursos decidiram fazer teatro amador. À época, chamava-se Teatro Amador Produções Artísticas (T.A.P.A.). Quando o grupo se profissionalizou, em 1979, após um curso com o Teatro dos 4, e vários dos amadores decidiram seguir carreira profissional, o nome deixou de ser uma sigla – e se tornou apenas Tapa. Em 1986 o grupo optou por transferir-se para São Paulo, onde ocupou o Teatro da Aliança Francesa como sede permanente por 15 anos. Durante esse período foram apresentados mais de 50 espetáculos, entre eles Shakespeare, Bernard Shaw, Anton Tchekov, Oscar Wilde, Nicolau Maquiavel e Luigi Pirandello, além de autores brasileiros como Arthur de Azevedo, Nelson Rodrigues e Jorge Andreade. Com 35 anos de atividade, o Tapa já recebeu mais de 80 prêmios, entre Shell, Mambembe, Molière, APCA, Qualidade Brasil e Governador do Estado. A sede fica, hoje, em um galpão na Rua Lopes Chaves, onde são ministrados grupos de estudos para atores, promovendo pesquisa na área cênica.

Cia. Boa Vista de Teatro

A Cia Boa Vista iniciou as atividades em 2005, com o nome de Grupo DasDores de Teatro, como um núcleo da Cooperativa Paulista de Teatro, colocando em cartaz o espetáculo Dorotéia, de Nelson Rodrigues, que originalmente, foi o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da turma de 2005, na Faculdade Superior de Teatro Anhembi Morumbi. O nome do grupo foi tirado da personagem Maria das Dores. O espetáculo fez temporadas até 2007, em diversos teatros e participa do Festival de Teatro Universitário de Blumenau. Em 2009, após mais de um ano de ensaios, ainda ligado à Universidade, o grupo estreia Pedreira das Almas, de Jorge Andrade, fazendo uma temporada no Viga Espaço Cênico, de quarta a domingo, como se fazia antigamente. Em 2013, já desligado da Universidade e da Cooperativa Paulista, agora como uma microempresa, o grupo estreia As Desgraças de uma Criança, de Martins Pena e participa da ocupação Tapa no Arena, quando o Grupo TAPA ficou 1 ano no Teatro Eugênio Kusnet. Foi exibido, também, no Festival Martins Pena, promovido pela Secretaria de Cultura do Município, em 2015. Em 2017 o grupo estreou no Teatro Aliança Francesa, Uma Peça Por Outra, de Jean Tardieu e faz temporada de 1 ano e mais de 100 apresentações. Em 2018 o grupo passa a se chamar Cia Boa Vista e está em cartaz com o espetáculo Hotel Tennessee, dramaturgia própria baseada em dezenas de personagens de Tennessee Williams.

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