Aposentada de 88 anos faz trilha para ver filho escalar

A disposição é uma marca registrada de Carmelina Anna Agostini Trevisol. Aos 88 anos, vai à academia todos os dias, costura, decidiu morar sozinha e, pela terceira vez na vida, fazer a trilha que sobe o Morro da Cruz, em Florianópolis, que tem 285 metros.

Arquivo Pessoal
Dona Carmelina faz a trilha do Morro da Cruz (SC) acompanhada de sua bengala e do filho

Sua motivação é acompanhar o filho, que faz escaladas frequentemente. “Fomos com mais dois casais. Levei minha bengala para ajudar a subir, é uma caminhada boa e, em alguns pontos, meu filho me segurava. É bem alto, a vista é linda, linda. Já fui três vezes e quero voltar. Vale tudo para ver meu filho escalar”, conta ela, com um sotaque forte de quem nasceu em uma colônia italiana.

A aposentada tem 4 filhos, 8 netos e confidencia que não vê a hora de também ganhar um bisneto. “Um dos meus netos se casa em maio e disse que vai providenciar um.”

Arquivo Pessoal
Após a trilha, dona Carmelina acompanha a escalada do filho no Morro da Cruz, em Florianópolis

Até ano passado, ela tocava com uma das filhas uma confecção de roupas de cama. “Tivemos de fechar, mas ainda faço fronhas, crochê, costuro para passar o tempo.”

Na infância, ela trabalhava na roça e não pôde estudar muito. Aos 79 anos, decidiu que isso ia mudar: voltou para a escola e completou o ensino fundamental. Dos tempos de roça, lembra que, como acordavam muito cedo, chegou a dormir montada no cavalo. “Mas não caía, tinha sorte que meu irmão de acordava”, lembra, rindo.

Arquivo Pessoal
Dona Carmelina e o filho comemoram mais uma caminhada em família

Dona Carmelina mora em Canoas, na Grande Porto Alegre. Diz que hoje tem mais amigos novos, principalmente os da academia. “Faço exercícios para pernas, por causa da idade, todos os dias. É perto de casa. Tenho muitos amigos, mas só gente novinha, todos gostam de mim, conversam comigo.”

O segredo para tanta vitalidade, afirma, é ter saúde. “Só tenho pressão alta, isso não é nada. Eu me cuido. Há uns 15 anos, parei de comer carne e sinto que melhorei muito.”

Compartilhe: