Museu da Diversidade Sexual recebe exposição Tempero da Carne

Por: Redação
Até
11
de janeiro 2020
Terça - Quarta - Quinta - Sexta - Sábado - Domingo
Das 10h às 18h

O youtuber Spartakus Santiago, a cantora Ellen Oléria, e outras personalidades fazem parte dos muitos corpos temperados e retratados no projeto Tempero da Carne. Uma mostra deste projeto entra em cartaz no espaço expositivo do Museu da Diversidade Sexual, de 25 de outubro até 11 de janeiro de 2020.

Com visitação de terça-feira a domingo, de 10h às 18h, a mostra do artista visual Julio Leão tem entrada gratuita. A classificação é de 14 anos.

Crédito: Julio LeãoSpartakus

Tempero da Carne faz parte da 3ª Mostra Diversa, que acontece a cada dois anos. A mostra tem como objetivo abrir espaço para novos artistas e novas experiências relacionadas à diversidade sexual, traçando um panorama atual da produção artística sobre a temática. Depois o projeto passa a integrar o programa de itinerância que circula pelo interior e litoral do Estado de São Paulo até 2030.

Tempero da Carne convida o público para uma viagem multisensorial através da variedade de corpos artistas e corpos (ainda) com tabus, e suas histórias, que passaram por momentos de troca e sensações, junto ao artista visual Julio Leão.

Crédito: Julio LeãoEllen Oleria

O baiano Spartakus Santiago, um dos mais influentes youtubers da atualidade, a cantora e compositora Ellen Oléria, e outras tantas personalidades, famosas e anônimas, fazem parte dos corpos temperados e retratados no projeto Tempero da Carne, que começou em 2017. Uma pequena mostra deste projeto é o que o público poderá conhecer na exposição.

Com pessoas temperadas da cabeça aos pés com açafrão, colorau, curry, cravo, canela, louro, coentro, cominho, pimenta, páprica e noz moscada, e evidenciando os mais variados tons, aromas e sabores, o projeto artista faz uso da metáfora de que nosso corpo é a carne e os temperos são as camadas de sabor e realce.

Na busca pelo entendimento sobre formas de se inter-relacionar com o próprio corpo na dança e com as outras pessoas – um corpo político – o artista sentiu a necessidade de expressar poeticamente uma indagação sobre a pressão social de adequar-se aos moldes morais e conservadores, partindo da pesquisa dos movimentos e das sensações, com a fotografia e a memória corporal como matéria-prima.

Uma reflexão sobre o fato de estarmos expostos ao consumo para suprir uma fragilidade alheia, inibindo a expressão sincera de cada indivíduo. A obrigação de ser e viver em oposição ao que verdadeiramente somos, diante das diversas questões da auto imagem e da aceitação do próprio corpo. Através do confronto pessoal entre como a pessoa se identifica e o que ela expressa, é que a proposta do projeto se estabelece.

Com o desejo de materializar tal invisibilidade, os corpos nus – sem pudores e interferências – o Julio convidou até o momento 57 pessoas de diferentes realidades e características para participarem do ensaio fotográfico. Destes ensaios, escolheu alguns para integrar sua exposição na Mostra Diversa: Ikaro Kadoshi (drag queen que brilha semanalmente no reality “Drag me as a Queen”, no canal E!), Guilherme Loverbeck, Jheniffer Oliveira, Tiago Cintra, Naira Gascon, Rodrigo Mancusi e Bruna Pinheiro.

O artista

Julio Leão tem em seu histórico como artista experiências marcantes com a dança, o teatro e a fotografia. Desde 2012, utiliza a fotografia como forma de expressão e conexão entre linguagens artísticas, rendendo trabalhos que também propõem importantes reflexões sobre o modus operandi da vida contemporânea.

Possui trabalhos com nomes como Bando Goliardxs, Trupe DuNavô, Núcleo Pavanelli de Teatro de Rua e Circo, Grupo Lezziz e o Teatro Coreográfico de Dinah Perry. Acompanhou parte dos grandes musicais em cartaz em São Paulo como Les Miserables, Cantando na Chuva, Vamp, e teve a oportunidade de fotografar grandes nomes da cena musical brasileira como Liniker, Luedji Luna, As Bahias e a Cozinha Mineira, Xenia França, Ney Matogrosso, Gal Costa, Luciana Oliveira, Margareth Menezes, Sandra de Sá, Filipe Catto e outros.

Idealizou também alguns trabalhos autorais, entre eles, Secura (2016) e Tempero da Carne, que fez parte do Festival Satyrianas 2017 e 2018, e que agora integra a 3ª Mostra Diversa. Ainda em 2018, teve sua primeira exposição numa mostra coletiva na Casa da Luz, em São Paulo. Atualmente, sob novas influências artísticas e com um olhar mais profundo sobre o trabalho com o corpo e os temperos, vem realizando uma pesquisa de vídeo, performance e instalação, ampliando suas possibilidades de criação e expressão.

“Em diferentes situações idealizamos e construímos camadas invisíveis que ora camuflam – ora realçam – nossas ações, pensamentos e desejos. A expectativa do projeto é a de que a alusão dos temperos e a nudez transpasse a trivialidade” – finaliza Julio.