Act for food
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Comida é ativismo: a relação entre alimentação e transformação social

Levar produtos de qualidade com preços acessíveis a todos é o objetivo do Act For Food, movimento global criado pelo Carrefour em prol da boa alimentação

Por: Publi
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“Todo mundo come e, mesmo quando você não tem o que comer, você quer comer. A comida está em todo e qualquer lugar, pois comida é ativismo e comer é um ato político”, diz o chef Edson Leite, idealizador do Gastronomia Periférica, negócio social que nasceu para formar profissionais de cozinha e mudar a realidade de bairros periféricos de São Paulo.

Para ele, a gastronomia precisa ser também estratégia de discussão, portanto, é extremamente relevante que as pessoas tenham conhecimento sobre a origem do alimento que vai para dentro da panela, bem como as etapas da cadeia de produção.

Segundo Edson, a gastronomia causa impacto social a partir do momento em que você não deixa as pessoas passarem fome e permite que tenham acesso à comida de verdade.

“A gente tem de alterar a percepção sobre o que é ‘comer bem’. ‘Comer bem’ é ‘comer bem’ e pronto, acabou. Não é simplesmente ser saudável ou vegetariano. Todos precisam e têm o direito de entender o que é a cadeia do alimento, como de onde vem a semente para plantar determinado item que vai para a mesa de suas casas”, explica o chef.

O poder transformador da boa alimentação é o foco do Act For Food, movimento global criado pelo Carrefour com o objetivo de liderar a real transição alimentar e levar produtos de qualidade com preços acessíveis a todos.

Para isso, a empresa aproxima o consumidor final aos produtores locais. Por exemplo, as frutas, legumes e verduras vêm de pequenos produtores e chegam sempre fresquinhas às prateleiras dos mercados (clique aqui para saber mais sobre a iniciativa).



Gastronomia da quebrada

Nascido e criado no Jardim São Luís, no extremo sul da capital paulista, Edson Leite viu seus amigos morrerem, mas também presenciou o rap salvar a vida de muitos.

Foi neste contexto que ele entendeu que poderia mudar o lugar de onde vem. Durante a adolescência, sua relação com a gastronomia era apenas no ato de comer e nunca imaginou que ela viria a ser sua formação. Seu primeiro contato com a comida profissionalmente surgiu aos 17, quando trabalhou em uma rede de fast food durante três anos.

O chef Edson Leite idealizou o Gastronomia Periférica para causar impactos sociais
Crédito: Cristiano Lopes / DivulgaçãoO chef Edson Leite idealizou o Gastronomia Periférica para causar impactos sociais

Aos 21, Leite passou um tempo em Portugal, onde fez uma formação em cozinha e decidiu voltar ao Brasil para ensinar tudo que aprendeu. Após a viagem, ele lançou o Gastronomia Periférica com o intuito de promover a mudança, ou seja, a formação social através da gastronomia.

Além do trabalho coletivo frente à sociedade, essa formação acontece tecnicamente: os alunos aprendem a cortar, a lidar com produtos e outras técnicas, como de cocção. “O aporte profissional é importante, mas a nossa força maior é tornar essas pessoas cidadãos que entendem sobre seus direitos”, revela.

Dentro do negócio social, a valorização da cadeia de produção vem por meio da compra diretamente do pequeno produtor local, fazendo com que o dinheiro e a economia circulem na quebrada.

“A gente se articula com parceiros em Parelheiros, Campo Limpo e outros bairros para que o dinheiro continue com a gente. Nas aulas, aplicamos isso na prática para mostrar de onde vêm nossos alimentos e evitar qualquer desperdício nesse processo”, afirma.

De acordo com ele, a boa alimentação para todos se dá pela educação na base, com crianças e adolescentes. “Como vamos cobrar esses jovens de algo que não ensinamos?”, questiona.

É preciso mudar a linguagem e aproximar o discurso para que as pessoas entendam que comer bem não é gastar dinheiro, mas sim, cuidar da saúde. “Quem produz os orgânicos? Um produtor que mora na quebrada. Quem faz o prato em um restaurante ou na casa de uma família rica? Alguém da quebrada”, finaliza.

Democratização de orgânicos

Onde uma pessoa periférica pode comprar orgânicos em seu bairro? Ao contrário do que acontece em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, há territórios, chamados de desertos alimentares, em que é necessário andar muito para encontrar um alimento orgânico.

Para vencer essa problemática, a chef e matriarca da Agência Popular Solano Trindade, Tia Nice, criou o Organicamente, uma tecnologia social que tem como meta promover alimentos orgânicos para todas as classes sociais.

O Organicamente leva alimentos orgânicos para todas as classes sociais
Crédito: Divulgação/OrganicamenteO Organicamente leva alimentos orgânicos para todas as classes sociais

No projeto, há o Organicamente Armazém, que faz mais de 800 entregas de produtos por mês, e o Organicamente Rango, restaurante no qual cada um pode comprar a comida pronta e saborear os pratos a preços acessíveis.

Todos os alimentos da iniciativa são comprados na própria comunidade e na distribuidora Da Roça, fortalecendo os orgânicos e a agricultura familiar. “A gente faz essa conexão entre campo e periferia”, explica Thiago Vinicius, integrante do Organicamente.

Para Thiago, a relação da gastronomia com o ativismo está conectada aos saberes e fazeres da periferia, como de comunidades de matriz africana e de indígenas, entre outros grupos.  “Nós promovemos a inclusão socioprodutiva dos jovens no mercado de trabalho. Um jovem a mais na nossa cozinha é menos um jovem que está roubando ou na cadeia”, reitera.

A realidade é que a periferia sempre se alimentou bem, como ressalta o idealizador do projeto. “Os moradores periféricos têm uma noção grande do que estão comendo. As pessoas mais ricas têm dificuldade em saber o que é comida orgânica. Se você pergunta para a senhora da favela, ela sabe o que é o coração da banana, enquanto se consultar um ‘boy’ ele nunca saberia.”

Cozinha fácil e sem complicação

A gastróloga Marina Monaco, criadora de uma página no Instagram na qual ensina receitas para uma “cozinha fácil e sem complicação”, relata que sua relação com a comida nem sempre foi boa. “Eu fui obesa por muito tempo e me alimentava muito mal, basicamente de fast food e ultraprocessados”, conta.

Em 2016, após realizar uma cirurgia bariátrica, teve de rever sua alimentação. Foi neste momento que surgiu a vontade de aprender a cozinhar: buscou receitas, aprendeu técnicas novas e experimentou de tudo um pouco. “Isso me instigou e me mudou de tal forma que decidi cursar uma faculdade de gastronomia”, afirma.

A gastróloga Marina Monaco mudou a sua forma de ver a cozinha após uma cirurgia bariátrica. “Isso me instigou e me mudou de tal forma que decidi cursar uma faculdade de gastronomia”
Crédito: Arquivo Pessoal / DivulgaçaõA gastróloga Marina Monaco mudou a sua forma de ver a cozinha após uma cirurgia bariátrica. “Isso me instigou e me mudou de tal forma que decidi cursar uma faculdade de gastronomia”

Com o início da pandemia, Marina foi demitida e, no mesmo período, um amigo perguntou a ela como fazia feijão. “Então, percebi que muitas pessoas não sabiam cozinhar coisas básicas e perguntei no Instagram se gostariam que eu postasse receitas”, lembra.

Com a resposta positiva, passou a publicar vídeos de pratos na internet e, de forma orgânica, novos seguidores surgiram todos os dias. Hoje, já acumula cerca de 20 mil seguidores.

A partir desse momento, ela viu uma nova frente de atuação, que antes não estava tão evidente. “Eu sempre gostei de ensinar, inclusive já dei algumas aulas de culinária, como professora substituta, em uma escola infantil. Mas o Instagram dá um alcance muito maior e, com ele, consigo levar meu conhecimento a milhares de pessoas, democratizando e desmistificando a gastronomia”, reitera.

Para a gastróloga, cozinhar deve ser algo para todos e nunca é tarde para aprender. “Eu sou prova viva disso. Cozinhar traz autonomia e autocuidado”, reflete.

Com sua repercussão, percebeu que conseguia fazer ainda mais: criou uma campanha de arrecadação de fundos para doar a alguns projetos que ajudam pessoas em situação de rua e começou também a fazer marmitas para distribuir a elas.

Segundo Monaco, comida é um direito básico de qualquer ser humano e toda a sociedade precisa lutar por isso. “A conscientização tem que se dar no ensino de base, ensinar sobre nutrição, sobre ultraprocessados, e incentivar o consumo de frutas, verduras e PANCs. Todo mundo tem que ter acesso não só à informação e ao conhecimento, mas principalmente acesso à alimentação”, conclui.



Movimento Act For Food

Com o lema “Um mundo que come melhor é um mundo que vive melhor”, o Grupo Carrefour construiu o movimento Act For Food, no qual há iniciativas concretas para levar o que há de mais positivo ao alcance de todos.

E como isso acontece? Por meio da promoção de uma alimentação saudável e a possibilidade de saber qual a origem de cada produto que está no prato das famílias. Para tanto, a rede tem parceria com milhares de pequenos produtores.

A ideia do movimento é liderar a real transição alimentar, com o consumo de alimentos de maior qualidade, seguros, produzidos com responsabilidade socioambiental e preços acessíveis, desmistificando o senso comum de que para comer melhor é preciso gastar mais dinheiro.

Os serviços permitem ao consumidor ter novos hábitos no dia a dia de forma descomplicada, onde e quando quiser, ao romper barreiras da falta de informação e facilitar o acesso aos ingredientes, além de promover e respeitar as regionalidades do Brasil. Confira o manifesto do Act For Food.