Estudantes da Bahia criam mecanismo para evitar acidentes em motocicletas

Por: Mayara Penina Comunicar erro

Do Criativos da Escola

Na cidade de Conceição do Coité (BA), um estudante de uma escola pública entrou em coma por não usar capacete enquanto pilotava sua moto. Motivado pelo acidente, um grupo de alunos se perguntou sobre como diminuir o número de pessoas gravemente feridas nesse tipo de situação.

A partir deste questionamento, Marcelo Oliveira e Poliana Mascarenhas, do segundo e do terceiro ano do ensino médio do Colégio Polivalente de Conceição do Coité, criaram o projeto “Capacete Salva Vidas”. A ideia? Desenvolver um mecanismo que só permite o funcionamento da moto quando o motociclista estiver usando capacete. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registra 12 mil mortes por acidente de moto a cada ano.

Mais do que inibir o motociclista a andar sem o instrumento de segurança, os alunos queriam conscientizar as pessoas sobre a importância do equipamento. Para começar a colocar a ideia em prática, os estudantes fizeram pesquisas na internet e visitaram oficinas para entender a parte mecânica do veículo. Após estudos, concluíram que o foco do projeto deveria ser a parte da ignição, responsável por ligar e desligar a moto.

A patente da invenção já está nos estágios finais da documentação.
A patente da invenção já está nos estágios finais da documentação.

Testes e pesquisas

Dada a largada no projeto, Poliana e Marcelo se dividiram para realizar testes em uma moto antiga e fazer pesquisa sobre os índices de acidentes e de mortes envolvendo este tipo de veículo, além de levantar informações sobre a estrutura de um capacete comum.

Foram meses de testes e experimentos registrados no diário de bordo dos alunos, até chegar ao protótipo, montado também com o uso de materiais recicláveis. A moto só funciona quando, além de ligar a ignição, o motociclista aciona uma segunda chave ao fazer uso do capacete. “Quando a pessoa coloca o capacete, um botão é acionado permitindo que a moto seja ligada. Caso contrário, ela não liga”, explica Marcelo. O maior desafio dos jovens durante todo o processo foi fazer essa ligação. “O mais difícil foi achar uma maneira que permitisse o protótipo ser acionado quando o capacete é colocado”, completa.

os alunos queriam conscientizar as pessoas sobre a importância do equipamento.
os alunos queriam conscientizar as pessoas sobre a importância do equipamento.

O êxito do projeto é motivo de alegria e orgulho tanto para os alunos quanto para a professora Cristina Mascarenhas, que apoiou e supervisionou seu desenvolvimento. De acordo com os alunos, “a experiência de ter elaborado um projeto que pode ajudar tantas pessoas é muito realizadora. Nos sentimos muito felizes em ter conseguido, com muito esforço e dedicação, criar algo que pode salvar a vida das pessoas, algo que pode conscientizar a população e diminuir o número de acidentes”. Segundo Poliana, os resultados já podem ser vistos na cidade coiteense. “As pessoas têm nos elogiado e incentivado a continuar nosso trabalho. Na nossa cidade já houve um aumento do número de pessoas usando capacete, o que nos deixa realizados”, diz.

Projeto na estrada

Por onde passa, o projeto “Capacete Salva Vidas” é um sucesso. Os jovens já apresentaram a ideia na feira de Ciências e Matemática da Bahia (FECIBA), na Semana Nacional de Trânsito do Departamento Estadual de Trânsito (Detran – BA), na Expo Milset Brasil (Movimento Internacional para o Recreio Científico e Técnico), na Mostratec Júnior (Mostra Brasileira de Ciência e Tecnologia) e marcaram presença em muitos outros eventos. Em 2015, a iniciativa de Poliana e Marcelo também ficou entre os finalistas do prêmio Criativos da Escola, buscando conscientizar a todos sobre a importância de proteger suas vidas. Além de todo o aprendizado, Marcelo conta que a invenção possibilitou novas perspectivas quanto ao país. ”O que mais gostamos foi viajar para lugares diferentes conhecendo pessoas, culturas e ideias novas”, conta.  (Clique aqui e se inscreva no prêmio Criativos da Escola 2016)

A patente da invenção já está nos estágios finais da documentação. O próximo passo, segundo Poliana, será fazer aprimoramentos para deixar o dispositivo profissional. Em seguida, os estudantes pretendem realizar últimos testes e, por fim, encaminhar o projeto para uma empresa de capacetes ou motocicletas.

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