Homem coloca filha em uma ‘coleira’ e sua explicação viraliza

Por: Mayara Penina

Clint Edwards é pai da pequena Aspen. Ele é blogueiro no “No Idea What I’m Doing: A Daddy Blog”. Um de seus últimos textos viralizou nas redes ao tratar de um tema controverso: o uso de “coleira” ou “contentor” em crianças. A discussão fez muitas famílias pensarem sobre como o mundo lida com as crianças e como os pais podem agir com relação a isso.

Confira o texto

Estávamos em uma feira. Sem vergonha. Coloquei esta criança em uma coleira. Ela é uma criança que não para quieta, e isso já a manteve longe da estrada e de prender sua mão em uma máquina de sorvete, além de me manter são. A dificuldade real em ter uma criança assim é que você é condenado se você age, e condenado se você não faz nada. Por que o fato é que se eu não colocar Aspen em uma coleira em parques, no zoológico, em um shopping lotado, ou em uma feira, ela será a criança perdida anunciada nos megafones. Ela será a criança surgindo em todos os feeds do Facebook vagando em um estacionamento do shopping, sozinha. Ela poderia ser a criança escalando a jaula do tigre. Porque eu não posso impedi-la de se mover. Sua curiosidade é incrível e por só ter 30 centímetros de folga, ela corre mais rápido que um corredor olímpico. Claro, recebo olhares tortos de estranhos. Provavelmente vou receber vários comentários ‘Sou um pai perfeito e é por isso que você é um ruim’ neste post. E para vocês eu digo ‘Vou manter esta criança segura enquanto mantenho minha minha paz de espírito, então vale 100%’. Na realidade, ela vai se acalmar, porque todas as crianças são assim. Mas até este dia chegar, vou fazer o que for preciso para mantê-la longe do perigo, ainda que seja por uma coleira.

We were at the farmers market. No shame. I put this kid on a leash.She's a wild child, and this thing has already kept…

Posted by No Idea What I'm Doing: A Daddy Blog on Saturday, May 27, 2017

Pensando sobre o assunto

No Japão, na Europa e nos Estados Unidos, o acessório é bastante popular. E entre os adeptos do acessório, a menção à coleira usada em animais é evitada, por ser considerada pejorativa. “O nome correto para o objeto é contentor, mochila-guia ou cordão de confiança”, disse o psicólogo especialista em terapia comportamental pela UFU (Universidade Federal de Uberlândia) em entrevista ao UOL.

Para Aguiar, recorrer ao contentor é uma estratégia viável quando os filhos são agitados demais, correm e podem colocar em risco sua integridade física. “O cuidado que os pais têm hoje deve ser maior do que há 20 anos. Aumentou o número de carros, a quantidade de pessoas nas ruas, a violência”. Ele alerta para cuidados como não machucar a criança e evitar puxões e trancos.

Já para os contrários a técnica “os pais devem frequentar lugares onde se sintam seguros para levar seus filhos”. Essa é a opinião da psicóloga Maria Alice Fontes, do Núcleo de Estudos do Comportamento e Desenvolvimento do Hospital Isrealita Albert Einstein. “Se uma criança precisa ser presa por uma coleira, provavelmente está no local errado ou, então, está tendo comportamento opositor ao que precisa ser compreendido e tratado pelos pais, fora de locais públicos”, disse Maria ALice ao UOL.

Além disso, os especialistas alertam que é preciso evitar o uso recorrente do objeto. A explicação é que ele pode atrapalhar a conquista da autonomia e o aprendizado de limites, essencial para que a criança se desenvolva integralmente.

Confira aqui as entrevistas completas.

Não deixe ler também

Com informações do UOL

Compartilhe: