Após crítica à PM em rede social, soldado tem prisão decretada

Soldado há oito anos, Figueiredo comentou: "Esse estado policialesco não serve nem ao povo e muito menos aos policiais"

Por: Redação | Comunicar erro
Tags: #Facebook #PM

Após se manifestar publicamente contra a polícia militar do Rio Grande do Norte, o soldado da corporação, João Maria Figueiredo da Silva, teve decretada prisão de 15 dias.

O oficial foi punido por “publicar em rede social” mensagens “que desrespeitam e ofendem a instituição e seus integrantes, além de promover o descrédito do bom andamento do serviço ostensivo da Polícia Militar”, conforme nota divulgada em Boletim Geral da PM na ‘última quarta-feira, 21 de setembro.

Estudante de direito e contundente defensor da desmilitarização, Figueiredo justificou sua crítica na postagem. Ainda comparou os colegas de profissão aos populares jagunços, que no passado ganharam destaque na região Nordeste do Brasil ao defender os interesses de coronéis locais e lideranças políticas.

Reprodução
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“Esse estado policialesco não serve nem ao povo e muito menos aos policiais que também compõe uma parcela significativa de vítimas do atual contrato social brasileiro. Temos uma polícia que se assemelha a jagunços, reflexo de uma sociedade hipócrita, imbecil e desonesta”.

Figueiredo também não poupou críticas à ideologia estrutural da polícia militar, que, segundo ele, se resume a única função de matar:

“Repito: o modelo de polícia ostensiva baseado nos moldes militares é uma aberração para o estado democrático e de direito, a começar pelo exercício da cidadania nesse ambiente onde a importância do subordinado se resume apenas a um elemento de execução”.

Em entrevista à BBC Brasil, o soldado potiguar considerou a pena “injusta” e “censora”; afirmação foi rechaçada pela corporação, que, em sua defesa, argumenta que a decisão é legítima e tem respaldo no amplo direito de defesa.

“Eu estava fazendo um comentário em uma discussão acadêmica”, disse Figueiredo. “Meu comentário trazia a visão de alguém de dentro da corporação. O discurso do ‘bandido bom é bandido morto’ tem aflorado cada vez mais dentro das corporações e quem pensa diferente, como eu, acaba sendo um ponto fora da curva e sofrendo sanções.”

Inicialmente publicado em uma página do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, a postagem discutia a criação de ouvidorias externas na PM, visando o controle e garantia dos direitos dos policiais.

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