Bolsonaro ataca presidente da OAB, que teve pai morto na ditadura

"Se o presidente da OAB quiser saber como o pai dele desapareceu na ditadura, eu conto", declarou Bolsonaro

A declaração foi feita quando o presidente comentou sobre o desfecho do processo de Adélio Bispo
Créditos: Reprodução / TV Globo
A declaração foi feita quando o presidente comentou sobre o desfecho do processo de Adélio Bispo

Jair Bolsonaro (PSL) atacou o presidente da Ordem do Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, nesta segunda-feira, 29. O presidente da República disse que sabe como o pai do jurista desapareceu durante a ditadura militar e que contará a ele a história “um dia, se quiser saber”. Ele ainda se antecipou ao declarar que Santa Cruz “não vai querer ouvir a verdade”.

“Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, conto pra ele. Ele não vai querer ouvir a verdade. Conto pra ele. Não é minha versão. É que a minha vivência me fez chegar nas conclusões naquele momento. O pai dele integrou a Ação Popular, o grupo mais sanguinário e violento da guerrilha lá de Pernambuco e veio desaparecer no Rio de Janeiro”, provocou Bolsonaro.

Adélio Bispo, que lhe deu uma facada na campanha eleitoral. O agressor foi considerado inimputável pela Justiça Federal, que determinou internação do mesmo por prazo indeterminado.

“Como não recorri, agora ele é maluco até morrer. Vai ficar em um manicômio judicial, uma prisão perpétua. Estou sabendo que ele está aloprando lá. Abre a boca, pô. Ah, não tem valor porque é maluco, abre a boca, pô! Quem sabe dê o fio da meada”, reiterou o chefe do executivo. “Por que a OAB impediu que a Polícia Federal entrasse no telefone de um dos caríssimos advogados? Qual a intenção da OAB? Quem é essa OAB?”, questionou em seguida.

MIRIAM LEITÃO DÁ UMA FACADA NA DITADURA E NO ATUAL GOVERNO

O presidente da OAB é filho de Fernando Augusto Santa Cruz de Oliveira, desaparecido em 23 de fevereiro de 1974, segundo o site da Comissão da Verdade. Felipe tinha dois anos de idade quando o pai sumiu ao sair da casa de seu irmão, Marcelo de Santa Cruz de Oliveira, no Rio de Janeiro, para encontrar um amigo, chamado Eduardo Collier, que morava em Copacabana.

De acordo com o portal, ao sair da residência, Fernando alertou o irmão que, caso não voltasse até as 18 horas, teria sido preso. No mesmo dia, Fernando e Eduardo foram detidos por agentes do DOI-CODI/RJ e desapareceram.