Bolsonaro é hipócrita ao falar mal de Cuba, Argentina e Venezuela

OPINIÃO: Presidente perde seu precioso tempo nas redes sociais falando mal de países vizinhos, mas sequer consegue fazer uma autocrítica

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) resolveu perder mais uma parte do seu precioso tempo nas redes sociais para criticar países vizinhos. Argentina, Cuba e Venezuela foram os alvos de Bolsonaro. O presidente disse que a Argentina está sem carne, a Venezuela, sem petróleo, e Cuba, sem açúcar. “Existe um modelo econômico que conseguiu o impossível”, comentou.

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Crédito: Reprodução/Instagram/@jairmessiasbolsonaroBolsonaro erra ao perder tempo criticando Cuba, Argentina e Venezuela

Uma boa resposta de cada um desses países seria: “é, mas ao menos a gente não deixou mais de 150 mil pessoas morrerem por conta da pandemia do novo coronavírus“. Ou, “e o preço do arroz, Bolsonaro? Como é que vai?”. Ainda, “como é ter a moeda mais desvalorizada de 2020?”.

Até o momento, a Argentina contabiliza pouco mais de 24 mil mortos pela covid-19; Venezuela, pouco mais de 700; e Cuba, pouco mais de 120. Ou seja, países que sentiram um impacto infinitamente menor da pandemia quando falamos em VIDAS.

Além disso, o real é a moeda que mais se desvalorizou em relação ao dólar em 2020. A moeda americana acumula uma alta de 40% comparada à brasileira no ano, maior queda em uma lista de 30 países, segundo dados da Reuters. Nesta quarta-feira, 14, o dólar está custando R$ 5,56.

Com o dólar alto, o baixo incentivo no campo e a menor produção, o Brasil também viu o preço do arroz, um de seus principais itens básicos da alimentação, decolar durante a pandemia. Em algumas situações, o pacote chegou a custar R$ 40.

O desemprego no Brasil também atingiu nível recorde na pandemia, apesar de o país nunca ter passado por um lockdown e nem ter tido o incentivo por parte do presidente em manter a quarentena. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país tem uma taxa de 13,8% de desempregados, um recorde histórico.

Bom, motivos para Bolsonaro trabalhar não falta. Mas, aparentemente, Bolsonaro prefere olhar para o umbigo da Venezuela, em vez de olhar para o próprio.