Checagem jornalística: a melhor arma contra notícias falsas

OPINIÃO por Paula Lago

Por: Paula Lago Comunicar erro

Nesta sexta-feira, dia 7, se comemora o Dia do Jornalista. A profissão vem passando por várias transformações, muitos desafios, mas uma coisa não mudou nem vai mudar: para o jornalista, a notícia é sua matéria-prima. E só vale _ ou deveria valer _ se for real, já que sua credibilidade depende disso.

Notícias falsas, inventadas por quem não tem compromisso com o que diz, boatos que destroem carreiras e chegam a prejudicar a saúde das pessoas mais humildes. Quem ganha com isso? Ninguém.

Mentiras fazem parte do jogo político, é estratégia de guerra e vira ouro nas mãos de poderosos que querem derrubar o inimigo, seja ele quem for. O presidente dos EUA, Donald Trump, sabe muito bem disso. Os articuladores do Brexit, o plano que definia a retirada do Reino Unido da União Europeia, também.

Contra isso, a arma é uma só: a informação verdadeira. Os fatos. E esta é, sim, a missão dos jornalistas. O cara que corre atrás de uma informação relevante, checa com várias pessoas envolvidas com o tema para descobrir se é verdade, ouve os muitos lados que cercam esse dado e procura contar essa história da melhor forma _ seja em qual plataforma for.

A informação relevante citada acima não precisa ser uma investigação intrincada que vai desvendar um esquema de corrupção envolvendo políticos ou empresários. Pode ser uma seleção de bolsistas de uma faculdade, por exemplo. Pode ser um depoimento de uma vítima de bala perdida.  

Está é uma missão dos repórteres, mas não só deles. Em tempos de circulação livre de informações pelas mídias sociais, ter responsabilidade sobre o que se publica é também um ato de cidadania, e as ferramentas disponibilizadas pelo Facebook e pelo Google, por exemplo, mostram que esta é uma preocupação prioritária.

A divulgação de boatos, de falas de políticos duvidosas e até de mensagens apócrifas que rodam a internet não foi de todo ruim. Fez surgir serviços sérios como os prestados pela Agência Lupa, pelo Aos Fatos e pelo Boatos.org, todos parceiros do Catraca Livre. Com a checagem, eles tornam um pouco mais simples a vida dos leitores, mas vale pensar que é preciso que cada um mude um pouco seu comportamento diante das redes sociais.

Toda vez que você obedece de imediato àquela ordem em maiúsculas (REPASSE, COMPARTILHE JÁ etc) vinda no pé da mensagem do WhatsApp, dada sabe-se lá por quem, passa a fazer parte da rede anônima de pessoas que não se preocupam com o conteúdo. Apenas “obedecem ordens”.

Antes de apertar o “enter” ou o “enviar”, pense por um instante: será que aquela denúncia horrível, será que essa informação incrível demais, será que esse projeto de lei surreal são verdadeiros?

Faça o que ninguém fez: cheque. Confira. Seja uma pessoa comprometida com o que compartilha. Se não encontrar nenhum dado que sustente aquela informação, apague-a. Informe isso a quem te passou aquela corrente. Não tem tempo de conferir? Não repasse a informação. Quebre o sistema das notícias falsas.

*Este conteúdo não reflete, necessariamente, o posicionamento do Catraca Livre.

Por: Paula Lago

Editora de Cidadania, Assuntos Gerais e Parcerias. Jornalista, torcedora de futebol, mochileira e futura vendedora de sanduíche natural numa praia qualquer.

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