Governo estuda classificação indicativa pra sites e vídeos online

Cada vez mais, as crianças estão conectadas. A internet faz parte da vida delas, a exposição aos aparelhos eletrônicos é cada vez maior e não se tem muito controle sobre o que elas acessam, os conteúdos são livres e disponíveis.

Pensando nisso, foi realizado nesta quarta-feira, 25, em São Paulo, um debate sobre classificação indicativa na internet, organizado pelo Ministério da Justiça e pela Procuradoria Geral dos Direitos do Cidadão. A série de discussões, iniciada em março, visa atualizar a atual política em relação ao tema no país.

Assim como já acontece na televisão, no cinema e no videogame, a proposta é ter uma classificação indicativa para sites e vídeos online.

Atualmente, os conteúdos exibidos na televisão, no cinema e em videogames são acompanhados de recomendação sobre a faixa etária mais adequada, porém, vídeos online e sites não são classificados.

A portaria 368, de 2013, propõe regulamentação do processo de classificação indicativa. De acordo com a regra, produtos culturais precisam passar por análise da Secretaria Nacional de Justiça antes de serem veiculados.

Assim, uma equipe multidisciplinar, composta por advogados, psicólogos, especialistas em mídia e professores, avalia o conteúdo e aponta a idade indicada, que é informada antes do início do programa, ou do filme e na capa das embalagens de jogos.

A ideia é justamente replicar esse formato para os vídeos online. Por isso, representantes das gigantes de tecnologia também foram convidados a participar da discussão.

Hoje, as crianças têm fácil acesso aos eletrônicos, por isso fica difícil controlar o conteúdo ao qual elas são expostas.

É importante que esse debate e essa fiscalização se atualize, afinal, os meios e formatos de conteúdo online estão em constante processo de atualização. Também deve haver suporte internacional, já que a audiência na internet não respeita fronteiras físicas.

“As crianças já nascem com o polegar na tela, e muitas vezes os pais não conseguem assistir junto a todo o conteúdo que chega até elas. Eu costumo dizer que detestaria ser mãe de crianças pequenas neste momento, porque é de fato um desafio imenso para os pais” – defende Nádia Rebouças, consultora de comunicação e membro da Rede Brasileira Infância e Consumo (Rebrinc).

Os canais de YouTube tem um alcance absurdo, milhões de seguidores, e são acompanhados por crianças e adolescentes das mais variadas idades. Neles, os youtubers gritam, falam palavrão, incentivam o consumismo e em alguns casos praticam a chamada “trollagem”. O que pode ser inocente para alguns, pode também contribuir para o bullying.

“Antes, as crianças queriam ser jogadoras de futebol ou artistas. Agora, se você perguntar a qualquer uma, a chance de ouvir ‘quero ser youtuber’ é alta. Os pais precisam ganhar consciência de que ver conteúdo audiovisual na internet não é igual a ver TV. Não se pode deixar os filhos soltos na rede, nem proibir. É importante mostrar outras fontes de prazer”, reforça o psicanalista Pedro de Santi, estudioso do consumo.

Fica difícil competir com os influenciadores digitais, que usam de recursos altamente atraentes. “É uma questão de desenvolvimento infantil: elas gostam do inusitado, de ver alguém fazendo algo que não veem com frequência”, observa Ekaterine Karageorgiadis, coordenadora do programa Criança e Consumo, do Instituto Alana.

Por isso, é importante que haja controle, regulamentação e um olhar sério e analítico para o fenômeno que é a internet e para o que surge a partir dela. É importante que as crianças façam uso consciente, sem que saiam prejudicadas.

Leia mais:

1 / 8
1
03:46
‘Pretendo beneficiar um filho meu, sim’ diz Bolsonaro sobre embaixada
Em uma transmissão ao vivo pelas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro voltou a defender a nomeação de seu filho, …
2
03:15
Num ato de coragem, MBL pede desculpas publicamente
O jornalista Gilberto Dimenstein e a Catraca Livre já foram diversas vezes vítimas das milícias digitais do MBL com as …
3
03:04
O real motivo do ataque de Bolsonaro ao filme de Bruna Surfistinha
Jair Bolsonaro decidiu atacar o filme realizado por Deborah Secco sobre a ex-prostituta Bruna Surfistinha. Motivo oficial: o filme, usando …
4
02:13
Entenda os desdobramentos do caso Tabata Amaral no PDT
O PDT suspendeu a deputada federal Tabata Amaral e outros sete parlamentares que votaram a favor da reforma da Previdência, …
5
02:03
Incêndio em estúdio de animação em Japão deixa dezenas de mortos
Dezenas de pessoas morreram durante um incêndio criminoso que tomou conta do estúdio de animação da Kyoto Animation, na cidade …
6
02:19
Barragem abandonada corre risco de rompimento no interior de SP
Uma matéria publicada pelo G1 alerta para o risco de rompimento da barragem de água em Iaras, no interior de …
7
02:30
O que significa a gargalhada de Caetano Veloso?
Um vídeo do cantor Caetano Veloso gargalhando está viralizando nas redes sociais. O motivo da piada é a entrevista que …
8
01:51
Site ‘Não me Perturbe’ permite bloquear ligações de telemarketing
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) lançou o Não me Perturbe, site que permite bloquear ligações de telemarketing. O sistema …