Coletivo Rolê fotografa a vida noturna de São Paulo

Quando os fotologs viraram febre em 2004, um grupo de amigos – alguns fotógrafos, outros não – se reuniam em mesas de bares para conversarem sobre fotografia. Enquanto papeavam, alguns levavam as câmeras e fotografavam. Os encontros eram noturnos e não demorou muito para a conversa se transformar no Coletivo Rolê.

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Liberdade

Com a finalidade de fotografar cada vez mais bairros de São Paulo, durante a noite, e mostrar outras dimensões da cidade, o Rolê conta com 13 participantes fixos e muitos convidados. “Sempre convidamos amigos pra fotografar com a gente. Muitas vezes saímos em um grupo de mais de 20. Já fizemos um rolê em que participaram mais de 60 pessoas. Foi curioso ver o centro da cidade tomado por fotógrafos,” explica Paulo Batalha, um dos integrantes.

Para eles, a fotografia é apenas um meio para revelar a metrópole. “O Rolê é mais do que fotografia. Percorrer a cidade a pé à noite é vivê-la de uma forma que não estamos acostumados. Sempre estamos indo de algum lugar para outro: da casa para o trabalho, do trabalho para a faculdade, da faculdade para casa, etc. Devido ao nosso cotidiano, São Paulo tornou-se apenas um espaço de transição. Andar a pé, sobretudo à noite, é baixar a velocidade imposta ao nosso dia-a-dia e praticar o exercício da observação”, explica Paulo.

Mooca

Sem regras preestabelecidas, os encontros acontecem sempre de noite já que durante o dia cada um tem a sua vida paralela: trabalhar, estudar, entre outros afazeres. Na hora de decidir qual a próxima região a ser explorada, alguém faz a sugestão e se o grupo achar interessante, eles escolhem um boteco da área e começam dali.

Paulo deixa claro o quanto sair por São Paulo durante a noite mudou a visão que eles tinham da metrópole. “Andar a pé é entrar em contato real com a cidade, é desmistificá-la. Percebemos que a cidade não assusta, não é tão perigosa assim”.

O Coletivo já fez diversas exposições, inclusive fora do Brasil. A última rolou em novembro do ano passado na galeria Cartel 011. Intitulada de “Vísceras Paulistanas”, a Mostra fez uma retrospectiva dos cinco anos do Rolê.
Site: www.role.art.br

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