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Conheça as mulheres contra Bolsonaro que quebraram a internet

Com o sucesso, elas as garotas viraram alvo nas redes sociais: são chamadas de "putas", "vagabundas", acusadas de fazer campanha para alguma candidatura.

Por: Redação | Comunicar erro
Crédito: Reprodução / FacebookO grupo atingiu 1 milhão de pessoas

Nesta madrugada, um grupo no Facebook criado sem maiores pretensões virou um fenômeno na internet – e não apenas no Brasil.

Com o sucesso, elas as garotas viraram alvo nas redes sociais: são chamadas de “putas”, “vagabundas” e acusadas de fazer campanha para alguma candidatura. Alguns dizem que elas deveriam apanhar ou até serem estupradas. Algumas das administradoras da página desativaram perfis pessoais ou vetaram comentários.

“Mulheres Unidas contra Bolsonaro” atingia a marca de 1 milhão de seguidoras, num movimento descentralizado espalhado pelo Brasil, com voluntárias arregimentadas às pressas. Não havia mãos para aprovar tanta gente ao mesmo tempo. Apenas ontem, foram 600 mil novas seguidoras.

“Grupo destinado a união das mulheres de todo o Brasil (e as que moram fora do Brasil) contra o avanço e fortalecimento do machismo, misoginia e outros tipos de preconceitos representados pelo candidato Jair Bolsonaro e seus eleitores. Acreditamos que este cenário que em princípio nos atormenta pelas ameaças as nossas conquistas e direitos é uma grande oportunidade para nos reconhecer como mulheres. Esta é uma grande oportunidade de união! De reconhecimento da nossa força!”, diz a descrição no Facebook.

Embaladas pelo sucesso nas redes, surgiam eventos para tirar o movimento da dimensão digital. Um manifestação em São Paulo, também criado no Facebook, teve quase 130 mil pessoas interessadas em menos de 24 horas.

O grupo organizou eventos pelo país

Número de membros

Um ponto que foi alvo de debate é a discrepância do número de membros do grupo. Para quem está inserido na rede, aparecem mais de 1,5 milhão de mulheres, mas oficialmente o número é de cerca de 800 mil integrantes.

Segundo um porta-voz do Facebook, isso acontece porque o número visível dentro do grupo, que é fechado, inclui pessoas que foram convidadas mas ainda não responderam ou não tiveram seu nome analisado pelas administradoras.

“O número de membros que está disponível para não-membros do grupo reflete apenas o número de pessoas que realmente participam do grupo”, diz o porta-voz. “As pessoas no Facebook são sempre informadas por uma notificação de que foram convidadas para fazer parte de um grupo. Só é possível receber convites dos contatos na plataforma, nunca por uma pessoa desconhecida e que não tenha nenhuma conexão online com você.”

Conheça as idealizadoras do grupo:

Ludimilla Teixeira, publicitária de 36 anos, que mora em Salvador, Bahia, teve, no último dia 30 de agosto, a ideia de formar um Grupo na Rede Social Facebook. Chamou algumas amigas que participam ativamente de um outro grupo nacional de assuntos do trabalho para ajudarem na administração e outras mulheres empoderadas. Pollyanna, Janice, Daniela, Alessandra Patrícia, Ilma, Andrea e Gabriela a ajudam na tarefa de “tentar” administrar um Grupo que já tem mais de 1 milhão de participantes e 80 moderadoras. Todas trabalham, a maioria são mães, mas também se dedicam a impedir que Bolsonaro chegue ao maior cargo do País.

Geyse Magalhães, 31 anos, estudante de jornalismo e servidora pública. Sempre militei pelas minorias mas nunca com esse espaço. Acho que ser ouvida é uma das melhores sensações que, como mulher numa sociedade machista e patriarcal como a nossa, já pude experimentar.

Dávila Medeiros: “sou nordestina e transexual, tenho 31 anos, uso minhas redes sociais há anos por um país sem preconceitos, sou humilhada e hostilizada por muitos dos seguidores de Bolzo, assim como também calada pela próprias mulheres e LGBTs que me seguem, isso revolta, hoje pensei em desativar meu face com mais de 60mil seguidores, porque venho cansada de lutar sozinha, quando falaram nesse grupo, eu consegui ver uma luz no fim do túnel, pois eu sei que vocês são a minha esperança e sei que jamais iriam me humilhar aqui, porque são mulheres de verdade, por não se corromperam com essa sociedade desumana e machista, eu tenho profundo orgulho de vocês e o meu total respeito, não me deixem caminhar sozinha, vocês são a minha eterna inspiração, estou muito feliz por está aqui, e também quero deixar um alerta, vamos ter cuidado pra não conseguirem acabar nosso grupo, todo cuidado é pouco, amo vocês!”.

Bianca Leão, 39 anos, jornalista e RP. Também sou formada em Letras mas não exerço. Mestrado em Comunicação Digital. Militante feminista e defensora de mulheres que sofrem/ sofreram violência doméstica. Ter entrado nesse grupo e poder fazer parte dessa construção é um lindo caminho e prova que, unidas, podemos tudo.

Noêmia Gomes de Azevedo, 39 anos, Florianópolis SCMarqueteira, mãe, engajada na luta contra a violência doméstica, sou vítima de violência doméstica hedionda, contra o armamento, engajada na luta contra o racismo e homofobia.

Gabriella Dias, professora de história: “Em meio a conjuntura atual, de muito retrocesso e perda de direitos, é de extrema importância a existência de um núcleo onde várias mulheres, de diferentes ideologias, possam estar unidas com um propósito único. Nos da esperança saber que não estamos sozinhas na luta pelo direito das mulheres e das minorias. Esse grupo mostra a todos a força das mulheres.”

Gisele Figueiredo, 45 anos, jornalista e mestre em conflitos internacionais e cultura de paz pela Universidade Autonoma de Barcelona. Especialista em Gerenciamento de Crise e Políticas Públicas pela Universidade La Sapienza, de Roma. “Milito há mais de 20 anos pelos direitos das mulheres, dos sem teto e sem renda. Luto por um País melhor, onde se combata a miséria com pacificação e geração de renda. Luto para que as mulheres sejam ouvidas e como tal nunca mais silenciadas e abatidas. Somos muito mais de um milhão e vamos seguir no combate para que novas gerações vivam em um mundo menos desigual!

Atualmente vivemos um momento de grande tensão política. Saber que temos um lugar onde podemos ser ouvidas sem sermos hostilizadas, sem sermos chamadas de nomes chulos, e sem colecionarmos adjetivos e ameaças, é incrivelmente motivador. Um lugar onde mulheres podem expressar suas escolhas políticas sem serem massacradas ou diminuídas pelo seu gênero. É a nossa oportunidade de mostrar que temos sim voz e que mulher também tem lugar na política.”

Rafaella Dias, 23 anos, estudante de direito.

Lilian Nascimento, 40 anos, publicitária e empresária, ativista há 12 anos, coordenadora do Coletivo Gameleiras que mobiliza ações em prol das mães solos e a conscientização da população sobre diferentes tipos de violências contra as mulheres, no interior de SP.

Grupo no Facebook une mulheres contra Bolsonaro

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