CPMI aponta que governo Bolsonaro publicou 653 mil anúncios em sites de fake news

A análise abrange canais que mais veicularam inserções da campanha "Nova Previdência" do governo, entre 6 de junho e 13 de julho de 2019

Por: Redação

O governo do presidente Jair Bolsonaro publicou 653.378 anúncios em 47 páginas de notícias falsas, segundo levantamento da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) das Fake News, no Congresso.

A análise inclui canais que mais veicularam inserções da campanha “Nova Previdência” do governo, entre 6 de junho e 13 de julho de 2019.

Crédito: Agência Brasil/Marcelo Casal JrPara o presidente Jair Bolsonaro , fake news é livre expressão

O documento, revelado pelo jornal O Globo, foi produzido por consultores legislativos da Casa, com base em informações enviadas pela Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República), por meio do Serviço de Informação ao Cidadão (e-SIC).

De acordo com os consultores, foi possível comprovar a existência de inserção de publicidade em sites de notícias falsas, incluindo diversos que já vêm sendo monitorados pela CPMI.

Segundo o documento, “destaquem-se os sites Jornal 21 Brasil (84.248 impressões), Imprensa Viva (65.661 impressões), Gospel Prime (44.750), Diário do Brasil (36.551 impressões) e Jornal da Cidade Online (30.508 impressões)”.

Ainda de acordo com o relatório, um dos campeões de veiculação, com 66.431 impressões, foi o site “Sempre Questione”.

A página traz “matérias” sobre múmias alienígenas escondidas em pirâmides do Egito, colisões de átomos que abrem portais para o inferno e baleias encontradas em fazendas a centenas de quilômetros do litoral.

Os técnicos do Congresso também identificaram anúncios em canais dedicados a promover a imagem do presidente Jair Bolsonaro. Ao todo, foram identificadas 2.065.479 impressões de anúncios do governo federal em canais de conteúdo inadequado (4,37% das 47.188.047 impressões avaliadas).

Chamou a atenção dos consultores o fato do canal no youtube Terça Livre TV, do blogueiro Allan dos Santos, integrar a lista de veículos que receberam publicidade oficial, com 1.447 impressões.

O documento diz ainda que “é muito difícil ou mesmo impossível identificar os proprietários da maior parte dos canais que recebem anúncios do Governo Federal por meio do Google Adsense, algo que põe em risco a avaliação do cumprimento dos requisitos legais necessários para que uma entidade se habilite como fornecedor de um produto ou um serviço ao Poder Público”.

Posicionamento do Google

Em nota, o Google diz que tem “políticas contra conteúdo enganoso” e que age “rapidamente” quando idêntica ou recebe “denúncia de que um site ou vídeo viola suas políticas”.

Confira  abaixo a íntegra da nota:

“O Google tem ajudado parceiros do setor privado e do setor público a usar a publicidade digital para levar suas mensagens a milhões de brasileiros de modo eficiente, com escala e alcance.

Temos políticas contra conteúdo enganoso em nossas plataformas e trabalhamos para destacar conteúdo de fontes confiáveis. Agimos rapidamente quando identificamos ou recebemos denúncia de que um site ou vídeo viola nossas políticas.

Entendemos que os anunciantes podem não desejar seus anúncios atrelados a determinados conteúdos, mesmo quando eles não violam nossas políticas, e nossas plataformas oferecem controles robustos que permitem o bloqueio de categorias de assuntos e sites específicos, além de gerarem relatórios em tempo real sobre onde os anúncios foram exibidos.

Cientes do dinamismo do ecossistema digital, também trabalhamos no aperfeiçoamento de nossas plataformas para oferecer os melhores resultados possíveis para nossos parceiros. Preservar a confiança no ambiente de publicidade digital é uma prioridade.

Agimos diariamente para minimizar conteúdos que violam nossas políticas e impedir a ação de pessoas mal-intencionadas em nossa rede. Somente em 2019, conforme nosso mais recente relatório de transparência, encerramos mais de 1,2 milhão de contas de publishers e retiramos anúncios de mais de 21 milhões de páginas, que faziam parte de nossa rede, por violação de políticas.”