#DemocraciaSim recebe 180 mil assinaturas e entra em colapso

Por: Redação | Comunicar erro

O site do #DemocraciaSim recebeu, em menos de 24 horas, 180 mil assinaturas – e não suportou tanta pressão, entrando em colapso.

Começaram a aparecer uma série de bugs que não permitiam a visualização dos emails das pessoas que assinavam. Os coordenadores do movimento querem evitar robôs ou infiltrações capazes de atingir o site. Antes de subir uma assinatura, a veracidade do perfil é confirmada.

Como o e-mail não podia ser visualizado, as pessoas que já assinaram não receberam a confirmação e, assim, não podiam atrair novas assinaturas.

No começo da noite, porém, a situação já estava normalizada.

Manifesto ‘Democracia Sim’

As lideranças enxergam soluções sociais e econômicas diferentes para o Brasil, mas concordam em pelo menos um ponto: a democracia é um valor sagrado. Daí que todas elas têm um ponto em comum: o risco Bolsonaro.

O movimento DemocraciaSim é assinado inicialmente por 150 pessoas, entre elas o jornalista Gilberto Dimenstein, fundador da Catraca Livre. O portal foi o pioneiro entre os veículos de comunicação a lançar a hashtag #BolsonaroNão, que acabou inspirando o #EleNão.

“É preciso dizer: Mais do que uma escolha política, a candidatura de Jair Bolsonaro representa uma ameaça franca ao nosso patrimônio civilizatório primordial. É preciso recusar sua normalização, e somar forças na defesa da liberdade, da tolerância e do destino coletivo entre nós.”

Entre os nomes que assinaram estão:  Maria Alice Setúbal, educadora e acionista do Itaú Unibanco, o economista Bernard Appy, o empresário Guilherme Leal (sócio da Natura), Caetano Veloso, Paula Lavigne, o advogado e professor da FGV Carlos Vilhena e o médico Drauzio Varella.

Veja aqui o manifesto e quem são as 150 assinaturas

A lista ficará aberta para novas assinaturas. O documento foi finalizado na quinta-feira, 20, por um grupo de amigos, entre eles o advogado José Marcelo Zacchi, e ganhou adesões pelo WhatsApp ao longo dos últimos dias.

“Pela democracia, pelo Brasil

Somos diferentes. Temos trajetórias pessoais e públicas variadas. Votamos em pessoas e partidos diversos. Defendemos causas, ideias e projetos distintos para nosso país, muitas vezes antagônicos.

Mas temos em comum o compromisso com a democracia. Com a liberdade, a convivência plural e o respeito mútuo. E acreditamos no Brasil. Um Brasil formado por todos os seus cidadãos, ético, pacífico, dinâmico, livre de intolerância, preconceito e discriminação.

Como todos os brasileiros, sabemos da profundidade dos desafios que nos convocam nesse momento. Mais além deles, do imperativo de superar o colapso do nosso sistema político, que está na raiz das crises múltiplas que vivemos nos últimos anos e que nos trazem ao presente de frustração e descrença.

Mas sabemos também dos perigos de pretender responder a isso com concessões ao autoritarismo, à erosão das instituições democráticas ou à desconstrução da nossa herança humanista primordial.

Podemos divergir intensamente sobre os rumos das políticas econômicas, sociais ou ambientais, a qualidade deste ou daquele ator político, o acerto do nosso sistema legal nos mais variados temas e dos processos e decisões judiciais para sua aplicação. Nisso, estamos no terreno da democracia, da disputa legítima de ideias e projetos no debate público.

Quando, no entanto, nos deparamos com projetos que negam a existência de um passado autoritário no Brasil, flertam explicitamente com conceitos como a produção de nova Constituição sem delegação popular, a manipulação do número de juízes nas cortes superiores ou recurso a autogolpes presidenciais, acumulam declarações francamente xenofóbicas e discriminatórias contra setores diversos da sociedade, refutam textualmente o princípio da proteção de minorias contra o arbítrio e lamentam o fato das forças do Estado terem historicamente matado menos dissidentes do que deveriam, temos a consciência inequívoca de estarmos lidando com algo maior, e anterior a todo dissenso democrático.

Conhecemos amplamente os resultados de processos históricos assim. Tivemos em Jânio e Collor outros pretensos heróis da pátria, aventureiros eleitos como supostos redentores da ética e da limpeza política, para nos levar ao desastre. Conhecemos 20 anos de sombras sob a ditadura, iniciados com o respaldo de não poucos atores na sociedade. Testemunhamos os ecos de experiências autoritárias pelo mundo, deflagradas pela expectativa de responder a crises ou superar impasses políticos, afundando seus países no isolamento, na violência e na ruína econômica. Nunca é demais lembrar, líderes fascistas, nazistas e diversos outros regimes autocráticos na história e no presente foram originalmente eleitos, com a promessa de resgatar a autoestima e a credibilidade de suas nações, antes de subordiná-las aos mais variados desmandos autoritários.

Em momento de crise, é preciso ter a clareza máxima da responsabilidade histórica das escolhas que fazemos.

Esta clareza nos move a esta manifestação conjunta, nesse momento do país. Para além de todas as diferenças, estivemos juntos na construção democrática no Brasil. E é preciso saber defendê-la assim agora.

É preciso dizer, mais que uma escolha política, a candidatura de Jair Bolsonaro representa uma ameaça franca ao nosso patrimônio civilizatório primordial. É preciso recusar sua normalização, e somar forças na defesa da liberdade, da tolerância e do destino coletivo entre nós.

Prezamos a democracia. A democracia que provê abertura, inclusão e prosperidade aos povos que a cultivam com solidez no mundo. Que nos trouxe nos últimos 30 anos a estabilidade econômica, o início da superação de desigualdades históricas e a expansão sem precedentes da cidadania entre nós. Não são, certamente, poucos os desafios para avançar por dentro dela, mas sabemos ser sempre o único e mais promissor caminho, sem ovos de serpente ou ilusões armadas.

Por isso, estamos preparados para estar juntos na sua defesa em qualquer situação, e nos reunimos aqui no chamado para que novas vozes possam convergir nisso. E para que possamos, na soma da nossa pluralidade e diversidade, refazer as bases da política e cidadania compartilhadas e retomar o curso da sociedade vibrante, plena e exitosa que precisamos e podemos ser.”

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