Dimenstein: o mistério do cheque na conta da mulher de Bolsonaro

Por: Gilberto Dimenstein | Comunicar erro
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Essa história vai crescer – e muito.
Por que Fabrício Queiroz, motorista do senador eleito Flávio Bolsonaro deposita R$ 24 mil na conta da sua madrasta Michelle, casada com seu pai, Jair Bolsonaro?
Não é sempre, afinal, que um motorista faz esse tipo de transação. Seria o pagamento de um empréstimo? Ela, aliás, sabia que o dinheiro caiu na sua conta? Se sabia, não se interessou em saber a fonte?
Seu marido sabia que a mulher recebia tanto dinheiro de um motorista? Ela não contou para ele?
A pergunta mais perigosa: existe alguma relação entre esse dinheiro e o escândalo dos deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro que recebiam uma mesada do então governador Sérgio Cabral, agora preso?
Antes de ser motorista, Fabrício era assessor parlamentar do então deputado estadual Flávio Bolsonaro.
O que já se tem certeza é o seguinte: a movimentação na conta de Fabrício é tão estranha que entrou no radar de Brasília.

Seria Caixa 2 de campanha? Ou Fabricio conseguia vencer serviços graças à sua influência na família Bolsonaro?
Sua filha – Nathalia – trabalhava diretamente com Jair Bolsonaro, lotada no gabinete.
Há registros de altas transferência do pai para a filha.
Tudo começou porque , entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, uma conta no nome de um ex-assessor do deputado estadual, e hoje senador eleito, Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), foi mencionada em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O órgão apontou movimentação atípica de R$ 1,2 milhão. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.  

O documento, em mãos do Ministério Público Federal, foi anexado à investigação que resultou na Operação Furna da Onça, responsável pela prisão de dez deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Registrado como assessor parlamentar, Fabrício José Carlos de Queiroz foi exonerado do gabinete de Flávio Bolsonaro em outubro deste ano. Policial militar, atuava como motorista e segurança do deputado.

Crédito: José Cruz/Agência BrasilA futura primeira-dama Michelle Bolsonaro chega a Brasília para a primeira viagem à cidade onde nasceu, depois da eleição do marido – Jair Bolsonaro .Foto José Cruz/Agência Brasil

O Coaf tomou conhecimento das movimentações de Queiroz quando o banco sinalizou movimentações “incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica ou ocupação profissional e a capacidade financeira” do ex-assessor parlamentar.

Além disso, o relatório também cita transações envolvendo dinheiro em espécie_o que não era compatível com a atividade exercida por Queiroz, cuja “característica é a utilização de outros instrumentos de transferência de recurso”.

Na folha de pagamento da Alerj, referente ao mês de setembro, Queiroz recebia salário de R$ 8.517 para o cargo de Assessor Parlamentar III, no gabinete de Flávio Bolsonaro. Além disso, acumulava salário mensal de R$ 12,6 mil da Polícia Militar

O Coaf é a unidade responsável por monitorar e receber todas as informações dos bancos sobre transações suspeitas ou atípicas. Pela lei, os bancos devem informar qualquer transação que não siga o padrão do cliente. Quando a transação é em dinheiro, o banco informa sempre que o valor for igual ou superior a R$ 50 mil.

Futura primeira-dama

Uma das transações apontadas citadas no relatório do Coaf refere-se a um cheque de R$ 24 mil destinado à futura primeira-dama Michelle Bolsonaro. A compensação do cheque em favor da mulher do presidente eleito Jair Bolsonaro aparece na lista de valores pagos pelo PM. “Dentre eles constam como favorecidos a ex-secretária parlamentar e atual esposa de pessoa com foro por prerrogativa de função – Michelle de Paula Firmo Reinaldo Bolsonaro, no valor de R$ 24 mil”, diz o documento do Coaf.

Ao longo de um ano, o órgão também encontrou cerca de R$ 320 mil em saque na conta mantida pelo motorista do filho de Bolsonaro. Desse total, R$ 159 mil foi sacado numa agência bancária no prédio da Alerj, no centro do Rio. Também chamou a atenção dos investigadores as transações realizadas entre Queiroz e outros funcionários da Assembleia. O documento lista todas as movimentações e seus destinatários ou remetentes.

Ainda de acordo com o Coaf, entre fevereiro e abril do ano passado,

Os técnicos do órgão também receberam informações sobre transações consideradas pelo órgão como suspeitas após janeiro de 2017. Segundo o Coaf, entre fevereiro e abril do ano passado, o banco comunicou sobre 10 transações “fracionadas” no valor total de R$ 49 mil que poderia configurar uma “possível tentativa de burla aos controles”.

“A conta teria apresentado aparente fracionamento nos saques em espécie, cujos valores estão diluídos abaixo do limite diário. Foi considerado fator essencial para a comunicação pela possibilidade de ocultação de origem/destino dos portadores”, afirma o relatório do Coaf./Confira a matéria completa no Estadão. 

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Autor: Gilberto Dimenstein

Jornalista, educador e fundador da Catraca Livre.