‘Horrível ficar cara a cara com ele’, diz modelo trans ao reconhecer agressor

Após a repercussão do caso, famosos divulgaram a “vaquinha virtual” para que Alice Felis possa pagar o tratamento

Por: Redação
Ouça este conteúdo

A modelo trans Alice Felis, 25 anos, reconheceu nesta quinta-feira, 20, o homem suspeito de agredi-la e roubá-la dentro de seu próprio apartamento, em Copacabana, na zona sul do Rio, no último domingo, 16.

“Eu reconheci. Foi horrível ficar cara a cara com ele, ainda estou com medo. Estou um pouco aliviada, mas graças a Deus ele foi preso e identificado. É um alívio”, diz Alice. Pelas redes sociais, ela contou que vinha sendo ameaçada pelo suspeito.

trans
Crédito: Reprodução/InstagramApós a repercussão do caso, famosos divulgaram a “vaquinha virtual” para que a modelo trans Alice Felis possa pagar o tratamento

Lucas Brito Marques, 24 anos, foi preso nesta manhã no Morro Pavão-Pavãozinho, também na zona sul, e vai responder por tentativa de latrocínio, que é roubo seguindo de morte.

A prisão de Lucas aconteceu após negociações com policiais da 13ª DP (Copacabana).

Segundo a delegada Bianca Lima, o rapaz tem 20 passagens na polícia por roubo, tráfico de drogas e porte ilegal de arma.

Entenda o caso

Alice e Lucas se conheceram em um bar na rua Miguel Lemos na noite do último sábado, 15. De lá, eles decidiram ir para a casa da modelo. Em depoimento à polícia, ela contou que ambos beberam e as agressões começaram logo em seguida.

Alice teve o nariz e o maxilar quebrados, além de cerca de R$ 3 mil roubados pelo suspeito.

Uma campanha na internet tenta ajudar Alice. Até o momento, a “vaquinha” virtual já tinha angariado R$ 66 mil, valor acima da meta proposta que é de R$ 60 mil.

trans
Crédito: Reprodução/TV Globo Alice Felis teve o nariz e o maxilar quebrado

Após a repercussão do caso, vários famosos apoiaram Alice e divulgaram a campanha de arrecadação para que ela possa pagar o tratamento. Entre eles estão Kéfera, Felipe Neto, Pabllo Vittar , Preta Gil e Marília Mendonça.

Transfobia é crime!

Apesar de transfobia e homofobia não serem a mesma coisa – um diz respeito à violência contra a identidade de gênero e o outro à orientação sexual – a criminalização da homofobia pelo STF, em junho de 2019, se estende a toda comunidade LGBT e também equipara atos transfóbicos ao crime de racismo. Nesta matéria aqui, explicamos como denunciar esse tipo de crime.

Mulheres trans e Lei Maria da Penha

Outra lei que protege as mulheres trans, em especial, da transfobia é a Lei Maria da Penha. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, em maio de 2019, um projeto que inclui mulheres transgêneras e travestis na Lei de proteção à mulher.

A proposta altera um artigo da lei que diz “toda mulher, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião” não pode sofrer violência, incluindo o termo “identidade de gênero”. A proposta está parada na Câmara e especialistas preveem que caráter mais conservador dos Deputados será um obstáculo.

Entretanto, há casos de transfobia julgados como violência doméstica. Em maio de 2018, uma decisão inédita da Justiça do Distrito Federal indicou que os casos de violência contra mulheres trans podem ser julgados na Vara de Violência Doméstica e Familiar e elas devem ser abarcadas em medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.

Veja aqui como fazer para não praticar transfobia e respeitar a identidade trans.