Mulher junta R$ 42 mil em vaquinha para refazer casa incendiada por ex

A vendedora Samara Melão da Silva resolveu recomeçar a vida com as próprias mãos - e com a solidariedade dos moradores de Teresina (PI)

Por: Redação

Solidariedade para o recomeço. Foi esse o final feliz de uma história trágica em Teresina (PI). Após perder quase tudo o que tinha em um incêndio provocado pelo ex-marido, a vendedora autônoma Samara Patrícia Melão da Silva, de 38 anos, angariou R$ 42 mil em uma vaquinha para reconstruir sua casa.

Samara Melão e seus filhos
Crédito: Reprodução/Arquivo pessoalSamara Melão e seus filhos

Foi em novembro de 2019 que Samara deixou a residência com a roupa do corpo, depois que seu ex-marido colocou fogo no lugar.

Eles haviam discutido depois que ele chegou bêbado em casa.

Samara conta que o ex-marido queria o dinheiro da venda das semijoias dela, e, quando ela se recusou a entregar a quantia para ele, a discussão começou.

Segundo a vendedora, o homem, com quem mantinha um relacionamento havia três anos, deu um soco nela, mesmo ela estando com um bebê no colo, o filho do casal.

O ex-marido tentou pegar a criança, mas Samara fugiu com ela para a rua e disse que chamaria a polícia.

Então, o homem se fechou na casa. A vendedora foi pedir a ajuda da mãe, que mora na mesma rua.

Pouco depois, vizinhos a alertaram de que sua casa estava pegando fogo.

Não deu para salvar nada: móveis, roupas e semijoias para venda.

O ex-marido não conseguiu fugir; foi imobilizado por vizinhos.

Os outros quatro filhos de Samara, de 4, 6, 10 e 14 anos, estavam na casa da mãe dela.

Samara conseguiu uma medida protetiva contra o ex-companheiro, que tem restrições para visitar o filho.

Ela foi morar com os cinco filhos na casa da mãe.

Aos poucos recebeu doações para comprar roupas. Mas não tinha coragem de voltar à casa queimada.

Só conseguiu fazer isso oito meses depois. E, sem dinheiro, decidiu que a reconstruiria com as próprias mãos, usando ferramentas do pai.

Começou retirando entulhos e raspando as marcas do fogo das paredes.

E passou a postar nas redes sociais vídeos da reforma, como uma maneira de se motivar e não desistir da empreitada.

O que ela não imaginava era que as postagens renderiam não apenas curtições, mas ajudas efetivas para a reconstrução.

Em forma de dinheiro. Materiais de construção. E até como mão de obra no trabalho para recuperar o imóvel.

R$ 42 mil na vaquinha

Até uma campanha de “crowdfunding” foi organizada.

Ela foi lançada em 8 de julho. E, em 15 dias, Samara tinha R$ 42 mil com a vaquinha.

Esse capital será empregado na reforma, mas também para comprar móveis e roupas para os filhos.

Samara reconhece que o relacionamento que mantinha com o ex já mostrava sinais de abuso – chantagens emocionais, xingamentos, agressões físicas, traições.

O incêndio, assim, foi apenas o desfecho dessa história de violência contra a mulher.

Mas houve um recomeço. Novos capítulos se sucederam ao da tragédia.

Marcados pela solidariedade dos moradores de Teresina. E pela inspiração que a vendedora tem levado a partir de sua experiência pessoal.

Até de Portugal e da França ela disse ter recebido mensagens de mulheres que, como ela, vivem ou vivenciaram situações de violência.

Um fogo que queima mesmo por dentro. E que destrói muito mais do que bens materiais.

Tipos de violência contra a mulher

1. Violência Física
Causa danos ao corpo da vítima, os danos podem ser causados através de socos, tapas, chutes, amarrações, etc. Em 2006 foi criada a Lei Maria da Penha que tem o propósito de diminuir a violência doméstica e familiar contra a mulher. São registradas mais de 50 ligações por dia, mas é de conhecimento que o número de casos de violência física contra a mulher é muito maior e que muitas acabam não denunciando seus agressores por medo e por vergonha.

2. Violência Psicológica
Continue lendo aqui: Violência contra a mulher: conheça os tipos e como denunciar