Parentalidade pode aumentar expectativa de vida, diz pesquisador

A importância dos primeiros anos de vida no desenvolvimento do ser humano é consenso entre os pesquisadores: a primeira infância é o território primeiro das descobertas, referenciais de mundo e padrões de comportamento. Uma pesquisa recente trouxe mais uma evidência sobre o papel crucial desta etapa para o indivíduo – e, consequentemente, para toda a comunidade.

O pesquisador Michael Marmot, professor da Universidade de Londres e atual Presidente da Associação Médica Mundial, investiga especificamente a relação entre a primeira infância e a expectativa de vida da população, e concluiu que a parentalidade tem influência significativa no aumento da longevidade.

Apesar de os indicadores socioeconômicos, sobretudo o índice de pobreza e extrema miséria, serem os principais agentes impactantes da expectativa de vida de uma população, não são só eles que exercem influência sobre quanto uma pessoa vive.


  • Divulgada em março deste ano, a pesquisa “Cenário da Infância e Adolescência no Brasil”, realizada pela Fundação Abrinq com base em indicadores sociais de orgãos como Ministério da Saúde e Organização Mundial de Saúde, indica que mais de 13% da população total do Brasil – equivalente a 5,8 milhões de habitantes – que em situação de extrema pobreza têm entre zero e 14 anos, e que 40,2% das crianças com idades entre zero e 14 anos vivem em domicílios de baixa renda. Clique aqui para acessar outros dados alarmantes que o estudo revela.

Em seu estudo, Marmot ressalta que, mesmo em áreas mais pobres de uma cidade, a expectativa de vida dos habitantes pode ser maior, de acordo com os estímulos que as crianças recebem em casa na fase mais sensível de seu desenvolvimento: a Primeira Infância.

Michael Marmot é especialista em estudar as diferenças de qualidade de vida e saúde entre populações pobres e ricas, e avalia que os vínculos afetivos exercem influência crucial sobre a longevidade.

Em um artigo publicado na revista americana Scientific American, o pesquisador indica uma série de evidências que demonstram como os cuidados parentais no começo da vida define o perfil de saúde das pessoas. O especialista defende que o carinho e os laços afetivos são os principais responsáveis por fazer o indivíduo sentir-se conectado com o seu entorno e assim ter mais instrumentos para realizar ações significativas.

Apesar de levantar indícios que à primeira vista podem parecem obviedades, o estudo é mais um indício de como iniciativas em prol da Primeira Infância beneficiam profundamente toda a sociedade: a infância como um termômetro da saúde de uma nação.

Segundo Marmot, conversar com bebês (mesmo quando eles ainda não aprenderam falar) e oferecer afeto durante o cuidado diário são ações que constroem vínculos afetivos que são responsáveis diretos pela noção de segurança e autoconfiança dos indivíduos; no futuro, essas ações culminam em um maior índice de longevidade. Por outro lado, de acordo com o professor, a ausência parental ou a falta de carinho na infância pode explicar menos um terço dos problemas de linguagem das crianças, assim como eventuais dificuldades socioemocionais.

Os dados mostram que se todas as crianças recebessem influências positivas da família, incluindo aqui o incentivo à leitura desde o berço, a expectativa de vida da população aumentaria no longo prazo – mesmo para pessoas de níveis socioeconômicos mais baixos.

Para quem se interessar por aprofundar a reflexão sobre o assunto, a pesquisa está disponível online, em inglês – clique aqui para saber mais.

*Com informações de Instituto Alfa e Beto

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