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‘Tenho orgulho do meu filho!’, diz Maju, ativista da causa LGBT

Por: Redação

Como muitas mulheres Maria Julia Giorgi, a Maju, tinha como grande sonho a maternidade. Segundo ela “a coisa que mais quis na vida foi ser mãe”. E foi duas vezes: Gabriela e André são os sonhos realizados dessa jornalista de 51 anos, paulistana, capricorniana e perfeccionista. Cheia de garra, já mudou a vida de muitas famílias.

Maria Julia Giorgi com o filho, André

Tudo começou quando seu filho André se assumiu gay aos 14 anos de idade. Foi aí que Maju decidiu fazer o que nem todas as mães e os pais de LGBTs fazem: apoiar integralmente seu filho. “Meu primeiro ato de militância foi ir até a casa da minha mãe e avisá-la, além de meu pai e todos os meus irmãos que meu filho era gay e que nenhuma forma de piadinha e preconceito seria tolerada.”

No início solitária, Maju depois foi montando uma rede de apoio. “Eu travava uma guerra particular, só tinha amigos héteros, eu vivia num mundo totalmente diferente”, conta.

Depois, após muito estudo e com o auxílio de um amigo do filho, que era advogado e atuava no movimento LGBT, ela passou a buscar outras mães que também sentiam necessidade de expressarem apoio aos filhos. Foi a chama inicial do projeto que anos depois se tornaria um dos maiores coletivos de apoio à luta LGBT do Brasil, o Mães pela Diversidade.

Mães unidas

Envolvida com diversos grupos LGBTs, dando palestras e promovendo ações na internet, como a página Cartazes & Tirinhas LGBTs, que administrava, Maju ganhou muita visibilidade. Certo dia, foi procurada pelo movimento global All Out, que a chamou para ser um dos braços fortes do grupo no Brasil.

Daí nasceu o Mães pela Diversidade, um movimento de mães e pais que levantam suas vozes em favor do respeito à diversidade e exigem o fim da discriminação e da violência às pessoas LGBTs por amor a suas filhas e filhos.

“Criamos o Mães [pela Diversidade] para poder gritar. Nascemos como um movimento político, queríamos invadir Assembleias, protestar, desconstruir discursos como o de [Jair] Bolsonaro [deputado federal], de que nenhuma mãe e pai tem orgulho dos filhos gays. Eu tenho orgulho do meu filho!”, afirma.

Hoje, a militância política segue forte, o ‘Mães’ está sempre presente nas paradas LGBTs e constantemente organiza protestos – foram elas uma das maiores forças contra a indicação do deputado federal Marco Feliciano para a Comissão de Direitos Humanos da Câmara – mas a política virou apenas um dos focos do grupo, que hoje também atua como uma espécie de centro de acolhimento. “Começamos a ser procuradas também pelas mães despedaçadas, os filhos despedaçados”, conta Maju.

Segundo a paulista, as mães são o segundo alvo do preconceito que os filhos sofrem. “Os homofóbicos culpam as mães. Elas chegam até nós destruídas, doentes, com síndrome do pânico. A maioria é separada, pois os maridos as largam quando elas decidem apoiar seus filhos. É importante enxergarem que não estão sozinhas, que estamos aqui.”

Maria Julia Giorgi, a Maju, militante da causa LGBT

Uma por todas, todas por uma

Para ela, a importância do afeto e apoio dentro de casa é primordial para o bem-estar dos jovens LGBTs. “Ele sofre fora e dentro de casa. As outras minorias sofrem preconceito na rua, mas voltam para uma casa que os acolhe. O jovem LGBT muitas vezes tem em casa o maior foco do preconceito”, explicou a ativista no documentário [email protected] [email protected], que entrevistou diversas figuras-chave do movimento LGBT brasileiro, entre as quais Maju.

Os reflexos da importância que tem uma família sem homofobia podem ser percebidos em André Giorgi, o filho de Maju. Ele é extremamente grato por ter tido uma mãe que o aceitou de peito aberto e, em diversas entrevistas, o fotógrafo, que hoje tem 29 anos, contou sobre a importância de ter um lar acolhedor.

“Eu percebi que tinha um abrigo para me refugiar, onde eu era aceito, onde eu era amado, onde eu podia dividir minhas angústias. Era tudo o que eu queria. Eu saí do armário para ser verdadeiro com as pessoas que eu amava e estavam próximas de mim”, disse, ao jornalista Edgar Maciel.

No fim da entrevista ao Catraca Livre, Maju pediu para deixar um recado: “Eu peço aos jovens LGBTs que não atentem contra suas vidas, quero que eles saibam que têm a escolha de vir para o colo das Mães pela Diversidade”. E deixou também uma mensagem para mães e pais que têm filhas lésbicas, gays, transexuais ou travestis: “Bota a cara no sol, linda. Tem muita gente precisando de você, seus filhos, todos os LGBTs. E, se precisar de amigas, estamos aqui, a gente te dá apoio, uma por todas e todas por uma”.  

Se você quiser conhecer mais o trabalho de Maju Giorgi e do grupo Mães pela Diversidade, pode entrar em contato através da página do Facebook do grupo. Mães, pais, filhos e amigos de LGBTs serão sempre bem-vindos.

Com informações do Huffington Post e iGay

  • Neste Mês da Mulher, o Catraca Livre vai prestar homenagens diárias a personagens do gênero feminino que nos inspiram. Saiba mais sobre a campanha #MulheresInspiradoras e leia outros perfis aqui.

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