As 6 maiores mentiras de Bolsonaro nos Estados Unidos

Por: Redação | Comunicar erro

O projeto de checagem de dados “Aos Fatos” mostrou as inverdades e distorções do presidente Bolsonaro em sua viagem aos Estados.

A matéria na íntegra está aqui

1)A maioria dos imigrantes não tem boas intenções nem quer fazer o bem ao povo americano.

Nesta declaração à Fox News, Bolsonaro repete um posicionamento do presidente americano Donald Trump, que já classificou diversas vezes a imigração como um problema nacional ou até como uma crise humanitária, relacionando os imigrantes com a violência e o tráfico de drogas. Essa relação, no entanto, não é comprovada cientificamente. Na verdade, diversos estudos contrariam a tese dos presidentes.

O mais recente, publicado na Criminology em março de 2018, analisou dados de imigração irregular e de criminalidade, além de informações demográficas e socioeconômicas dos 50 estados americanos e da capital Washington entre 1990 e 2014. Os resultados apontaram que a imigração indocumentada não aumenta a violência.

Os mesmos pesquisadores também se debruçaram sobre os dados de quatro tipos de crimes não violentos: prisões por uso de drogas, mortes por overdose, prisões por dirigir sob efeito de drogas e mortes por dirigir sob efeito de drogas. A pesquisa concluiu que o aumento da imigração irregular também não está vinculada à evolução desses crimes.

Realizada por diversas universidades americanas, uma pesquisa publicada no Journal of Ethnicity in Criminal Justice em 2015 comparou 200 regiões metropolitanas dos EUA nas últimas décadas e constatou que a grande maioria delas têm mais imigrantes e menos crimes violentos hoje do que na década de 1980.

2)Vejam a experiência da França, cujas fronteiras foram abertas para receber refugiados sem nenhum tipo de seleção ou de filtro.

Ao contrário do que afirma Bolsonaro, a França tem uma rígida política de imigração e, ao longo da crise migratória de 2016, usou a força policial para desmontar acampamentos de imigrantes. De acordo com o Immigration Policies in Comparison, que analisa as políticas migratórias dos países para avaliar seu grau de restrição, a França tem 0,7 numa escala que varia de 0 (menos restritivo) a 1 (mais restritivo). O estudo, no entanto, não leva em conta a nova lei de migração francesa, aprovada em setembro de 2018, que amplia o controle sobre o fluxo de estrangeiros.

A lei, que passou a valer a partir de janeiro deste ano, estabelece critérios mais rigorosos para a concessão de asilo e restrições em relação à imigração irregular. Ela, por exemplo, reduziu de 11 para seis meses o tempo de avaliação de pedidos de asilo e também diminuiu de 120 para 90 dias o prazo para requerer asilo. A nova legislação permite ainda a prisão para fins de expulsão: um imigrante que teve asilo negado pode ficar até 90 dias preso antes de ser expulso da França.

e 1%.

3)… governos [Lula e Dilma] que, antes de tudo, eram antiamericanos.

Não há registros públicos de que os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT, tenham demonstrado qualquer comportamento que possa ser enquadrado como antiamericano enquanto estiveram no poder. Assim, a declaração de Bolsonaro em discurso na Câmara de Comércio Brasil-EUA, foi classificada como FALSA.

O Departamento de Estado dos EUA mantém a documentação sobre os motivos e o número de visitas de chefes de Estado ao país. Lula fez oito visitas oficiais aos EUA enquanto exercia a presidência, em 2002, 2003, 2006, 2007, 2008, 2009 (duas vezes) e 2010. Já Dilma Rousseff esteve nos EUA em três ocasiões, em 2011, 2012 e 2015. Durante o governo Temer, o Brasil também recebeu a visita de representantes do governo estadunidense: Mike Pence, vice-presidente dos Estados Unidos, e James Mattis, ex-secretário de Defesa, estiveram no país em 2018, conforme registros do Itamaraty.

4)Nesse meio tempo, a mídia, ninguém disse, a esquerda tentou matar Bolsonaro. Muito pelo contrário, a mídia divulgou que parte da esquerda estava frustrada que eu não tinha morrido.

Um inquérito da Polícia Federal, encerrado em setembro de 2018, concluiu que Adélio Bispo agiu sozinho ao desferir uma facada em Jair Bolsonaro. Há outro inquérito em andamento para investigar a possibilidade do agressor ter recebido ajuda para planejar o crime. Apesar de Adélio ter sido filiado ao PSOL por cerca de sete anos, não há indícios de que o partido ou qualquer outro segmento de esquerda esteja envolvido com o planejamento e execução do crime. A filiação e a falta de comprovação sobre um suposto elo de ligação entre o partido e a autoria do crime foram amplamente divulgados pela imprensa. O episódio também estimulou mensagens de solidariedade a Bolsonaro de políticos de esquerda.

5)Eu não tenho nada contra homossexuais ou mulheres, eu não sou xenófobo.

A declaração é CONTRADITÓRIA porque Bolsonaro já proferiu falas homofóbicas, machistas e xenofóbicas em outros momentos. Em 2011, ele foi condenado a pagar indenização por danos morais coletivos em razão de falas homofóbicas. Em entrevistas, o presidente já defendeu que mulheres deveriam receber salários menores. E, em 2015, Bolsonaro chamou imigrantes de “escória do mundo” durante uma entrevista.

Na própria entrevista à Fox News, o presidente se contradisse ao proferir declarações xenofóbicas e homofóbicas, como quando afirmou que “a maioria do imigrantes não têm boas intenções”, que pessoas podem ter relações homossexuais, mas “nós não podemos permitir trazer essa discussão para a sala de aula” e que “a definição de família é apenas a existente na Bíblia”.

Homofobia. Bolsonaro já afirmou, em 2013, em entrevista ao canal do YouTube TWTV que preferia um “filho viciado a um filho gay” e, em 2014, em entrevista ao El País, que a maioria dos gays foram influenciados por “amizade e consumo de drogas” e “apenas uma minoria nasce com defeito de fábrica”.

6)Eu não posso ter nada contra pessoas negras, meu sogro é conhecido como Paulo Negão.

Na campanha, Bolsonaro repetia com frequência que o seu sogro, Vicente de Paulo Reinaldo, tem o apelido de Paulo Negão, e, portanto, ele não poderia ser acusado de racismo. A relação familiar não impediu Bolsonaro de comparar negros quilombolas a gado, em palestra no Clube Hebraica, no Rio de Janeiro, em abril de 2017. Ainda deputado federal, mas já apontado como possível candidato à Presidência, Bolsonaro afirmou que, ao visitar um quilombo, “o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas”, usando a medida de peso usada para animais. Ele ainda continuou a comparação afirmando que os quilombolas “não fazem nada”, “nem para procriador eles servem mais”.

Ainda em 2017, Bolsonaro foi condenado pela 26ª Vara Federal do Rio de Janeiro a pagar indenização de R$ 50 mil. Em setembro de 2018, no entanto, a primeira turma do STF (Supremo Tribunal Federal) rejeitou por 3×2 tornar o deputado réu da acusação de racismo.

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