Bullying de Danilo Gentili com os gordos é sinal de doença social

Por: Redação | Comunicar erro

Para atacar uma deputada Sâmia Bomfim durante depoimento do ministro Paulo Guedes na Câmara, Danilo Gentili não rebateu o argumentou.

Resolveu investir no que ele achava o ponto fraco: o corpo da deputada.
Seus seguidores devem ter achado engraçado.

Mas muitos deles já devem ter sido vítimas desse tipo de doença chamada bullying.
Há muitos estudos traçando o perfil dos molestadores.

Já se notou que, em muitos casos, eles próprios foram vítimas, em casa, de violência ou desrespeito crônicos – e descontam na na escola.

Sabendo da gravidade do bullying para a questão social e da falta de discussão acerca do assunto, o Catraca Livre se empenhou para lutar contra a prática através da campanha #BullyingnãoéMIMIMI.

Não há nada de ruim que possa durar para sempre

Além disso, questionamos aos mais de sete milhões de leitores que nos seguem no Facebook se eles já sofreram ou já praticaram bullying com alguém na escola, no trabalho ou em seus meios sociais. Desse questionário (anônimo, vale ressaltar) recebemos 569 respostas e os números, apesar de óbvios, nos chocaram: 92,3% dos leitores do Catraca Livre relatam que já sofreram piadinhas de mau gosto; diante dos 59,1% que assumem ter praticado algum tipo de gracinha pra cima dos colegas “diferentes”.

Os relatos dos leitores mostram que os “motivos” para a prática do bullying estão, em grande parte das vezes, atrelados a padrões de beleza e de comportamento esperado de cada gênero. Alguns foram reprimidos por ser gordos ou magros demais, altos ou baixos demais, de cabelos crespos, negros e negras, meninos com trejeitos delicados, meninas que gostavam de futebol, entre outros. Pessoas introspectivas e estudiosas também sofreram na mão dos colegas, sem falar no preconceito de classes e na xenofobia, que transforma em vítima muitas pessoas que vêm de outros estados a São Paulo.

Sempre fui um idiota na escola, e achava que sendo popular e humilhando as pessoas eu me promoveria.

Veja alguns relatos abaixo:

Eu sofri bullying na infância, da 3ª à 8ª série [do ensino fundamental], aproximadamente. Talvez parte disso fosse culpa minha, mas, o que aconteceu foi que durante a minha criação eu não saía muito de casa e só mantinha contato com meus irmãos e familiares, o que acabou implicando negativamente no meu “ajuste social” perante um público tão heterogêneo na escola. Mas eu não boto a culpa na minha criação.

Muitas crianças se batiam e zombavam umas as outras por quaisquer motivos e, dado um certo momento, viram em mim a oportunidade de fazer o mesmo. Como eu era extremamente tímido, com vergonha até de me locomover pela escola, preferia não dizer nada e ainda tinha medo de sofrer agressões físicas. Ninguém me zoava sozinho, sempre a pessoa precisava ter um público ou um colega, alguém para rir da piada ou brincadeira de mal gosto, porque não há palhaços onde não há circo. Com o tempo as agressões verbais tornaram-se físicas e vi pessoas se afastarem de mim, simplesmente por não quererem andar com o “zoado da turma”. Como consequência, aprendi a me desvalorizar, me sentir uma barata e ter vergonha de conversar com as pessoas, principalmente as do sexo oposto. Até hoje carrego uma mandíbula meio deslocada, porque alguém quis me bater sem motivo só para dizer que podia, e algumas cicatrizes internas (não-físicas).

No colégio, a minha adolescência inteira foi um inferno por causa disso. Sofria humilhações, ofensas do tipo: “gorda”, “feia”, “baleia”, “bola de isopor”, as pessoas diziam que tinham nojo de mim e me desprezavam, e eu sempre era solitária e isso afetou até a minha vida dentro de casa.

Veja mais relatos na matéria clicando aqui

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