Dimenstein: entenda como Bolsonaro está piorando o desemprego

Por: Redação | Comunicar erro

Tenho dito e repetido: sem reforma da previdência o Brasil quebra.

E, se quebrar, os pobres serão os mais afetados.

Aliás, já estão sendo afetados.

Simples entender: os empresários estão em compasso de espera.

Ou seja, não investem.

Se não investem, a economia não cresce.

Se não cresce, não gera emprego.

Explico melhor: o empresário trabalha com apostas no futuro, a partir de dados presentes.

Pode-se culpar o corporativismo, cada qual defendendo seu privilégio, como militares e funcionários públicos.

Também pode-se culpar a oposição, interessada em aproveitar a situação para desgastar o governo.

Mas o grande culpado é Jair Bolsonaro: afinal, a articulação política de seu governo é reconhecidamente um desastre.

Ele mostra uma incrível habilidade de gerar mais crises do que soluções, agindo não como moderador, mas desagregador.

Nesse momento, o governo deveria estar unido: mas o que se vê é uma guerra com o vice-presidente Mourão, e a base parlamentar em frangalho pela falta de uma liderança do presidente.

Veja aqui essa perfeita análise em editorial do jornal O Globo:

Deputados e senadores não devem esquecer que o desemprego voltou a subir. No trimestre encerrado em fevereiro, a taxa, calculada pelo IBGE, subiu de 11,6%, no mesmo período imediatamente anterior, para 12,4%, o que não pode ser explicado apenas por sazonalidade do período — passagem das festas de fim de ano, por exemplo. É possível que a situação não tenha melhorado em março.

O que há mesmo é um PIB que rasteja — o indicador antecedente do Banco Central, IBC-Br, sinaliza que o país pode estar enfrentando novamente uma recessão neste início de 2019. E os políticos têm responsabilidade direta por ela, devido à lentidão no início da tramitação propriamente dita da reforma, azedando o humor dos agentes econômicos, que tomam decisões com base nas expectativas. Como elas têm se degradado — e nisso gente do Planalto também tem culpa —, investimentos não são feitos, e as engrenagens da economia não se movem como é preciso.

Daí os 13,1 milhões de desempregados, havendo ainda outros 14,8 milhões com trabalho informal de menos de 40 horas semanais e que tentam, mas não conseguem, voltar ao mercado formal. E há também 4,9 milhões de desalentados. Já não procuram emprego.

As estatísticas são preocupantes e deveriam sensibilizar parlamentares. Reportagem do GLOBO trouxe no domingo um outro indicador da debacle previdenciária: segundo levantamento feito a pedido do jornal pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), existia, no fim de 2017, um total de 1.874 cidades em que havia mais aposentados do que trabalhadores com carteira assinada, contribuintes, portanto, do INSS. Estavam nesta condição 33% dos 5.570 municípios.

É um quadro aritmeticamente insustentável, até para as próprias cidades, porque não será a renda de aposentados e pensionistas que gerará empregos nos municípios, já em processo de esvaziamento demográfico.

Esta realidade reflete o desbalanceamento provocado pelo regime de repartição da Previdência e o fenômeno demográfico do envelhecimento da população, concomitante a uma da taxa de natalidade em queda: cada vez há menos jovens para com sua contribuição pagar os benefícios previdenciários dos mais velhos. Daí a crise estrutural colocada à frente dos parlamentares, a começar pelos da CCJ.

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