Dimenstein: Jair Bolsonaro, o rei das redes sociais, está nu

Por: Gilberto Dimenstein | Comunicar erro

O “Rei está Nu” é um dos melhores contos produzidos pela humanidade para ironizar a vaidade dos poderosos.
É a história do rei que foi convencido por seu alfaiate a usar um manto invisível que só os inteligentes podiam ver.
A história de espalhou pelo reino- e todos elogiavam a vestimenta.
Até que um menino acabou com a farsa com aquela frase que hoje faz parte do jeito em que a humanidade ironiza os poderosos.
A verdade: Bolsonaro foi considerado o “rei” das redes sociais.

Mas, agora, ele está nu.

Nu e debochado.

Nessa nudez, vem junto sua família, especialmente Carlos, tido como mentor das redes sociais do pais.

Hoje visto como um menino mimado e temperamental, que causa muito mais problemas do que soluções.

Já é consenso mesmo entre os aliados: as redes sociais tão eficientes para o candidato Jair Bolsonaro viraram um fracasso para o presidente Jair Bolsonaro.
Há críticas por todos os lados, mostrando a ineficácia e até ridículo de muitas de suas postagens.
O candidato Bolsonaro não precisava se comunicar com todos os brasileiros – mas apenas com os eleitores.
Naquele clima eleitoral, havia uma onda contra o PT, Lula, corrupção- e tudo o que estava aí.
Bolsonaro soube captar a indignação e, sem muito dinheiro, explorou ao máximo o potencial das redes.
Não precisou explicitar suas propostas.
Mas criar indignações seduzindo os conservadores com temas como “Kit Gay”.
Claro que teve a ajudinha do apoio clandestino no WhatsApp, denunciado pela Folha.
Soube também montar, via WhatsApp, uma poderosa cadeia de Fake News.
O problema veio quando ele virou presidente.
O canal de comunicação agora deve explicitar menos indignação e mais propostas de governo complexas como reforma da previdência.
São temas que, embora necessários, dividem, tiram popularidades, geram desgastes.
Obrigam Bolsonaro a sair do palanque.
Pior: a família Bolsonaro virou uma interminável fonte de desgastes, explorados nas redes sociais.
Na tentativa de ganhar likes, ele agiu como candidato, não como presidente – e virou motivo de deboche.
Daí os vídeos pornôs do Carnaval e a pergunta sobre “Golden Shower”.
Até falam com seus eleitorado conservador, apenas um nicho, mas a postagem caiu no ridículo.
No episódio de Suzano, Bolsonaro esperou 6 horas para fazer um post.
Motivo da cautela: as redes estavam associando o massacre na escola à flexibilzação da posse de armas.
Daí os vídeos pornôs do Carnaval e a pergunta sobre “Golden Shower”.
As milícias digitais, muitas delas mantidas com dinheiro, diminuíram seu poder.
Resultado: bater deu muito mais like do que dislike.
Os adversários nas redes passaram a ser celebridades como Bruna Marquezine e Felipe Neto.
O fracasso de Bolsonaro é simples de entender: as redes funcionavam quando ele era estilingue.
Não funcionam para vidraça.

Autor: Gilberto Dimenstein

Jornalista, educador e fundador da Catraca Livre.

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