Dimenstein: minha lição com Danilo Gentili para Flávio Bolsonaro

Por: Gilberto Dimenstein | Comunicar erro

Quem não deve não teme.
Não importa quanto você apanhe, mas se não dever nada acabará com a razão.
Mantenha a calma, peça para ser investigado, abra todas as gavetas, não tenha medo de olhar nos olhos. Não se renda ao massacre. Coloque tudo na luz.
Por causa do caso de Flávio Bolsonaro, gostaria de compartilhar uma experiência que tive neste mês com o humorista Danilo Gentili – e serve como lição para lidar com a mentira.
O debate sobre o politicamente correto ( que defendo) me fez entrar numa batalha digital com Gentili que, além de ser inteligente, lidar bem com a palavra e a imagem, tem dezenas de milhões de seguidores fieis, alguns até fanáticos, conectados às redes sociais. Mais: ele tem o prazer da zoeira.
Eu só tinha uma arma: argumentos.
Gentili resolveu inventar que eu teria uma dívida com ele, garantindo que eu seria “caloteiro”.
Com sua habilidade digital, colocou em primeiro lugar nas trending topics #DimensteinPagaOgentili.
Recebi nos meus canais centenas de milhares – isso mesmo, centenas de milhares – de mensagens pedindo para eu pagar o Gentili.
Fiz a única coisa que eu podia fazer, apesar da desvantagem na batalha digital.
Mostrei, com provas, que eu não havia dívida nenhuma.
O que houve, de verdade, foi o seguinte. Entrei com um processo contra o Danilo: ganhei a primeira fase, perdi a segunda.
A juíza determinou que eu pagasse às custas aos advogados do humorista: mil reais.
Ocorre que os advogados não mandaram a cobrança. Logo, não havia “calote”.
Pedi por várias vezes que Danilo mostrasse que eu era “caloteiro”.
Mas, na guerra das redes sociais, berrar é mais importante que argumentar.
E ele sabe berrar alto com seus seguidores.
Quanto mais ele berrava com a mentira, mais eu apenas pedia um comprovante de que eu estava em dívida.
Os formadores de opinião passaram a prestar atenção na briga – e constataram o poder de manipulação do humorista.
Mostrei então com dados como uma Fake News consegue ser criada a prosperar.
Até que ele foi esmorecendo e anunciou que iria parar.
Lição: se não tivesse nada a dever, Flávio Bolsonaro simplesmente imploraria para o Coaf investigar suas contas.
E, assim, jogaria na cara de seus detratores a verdade.
Não teria de ver a cobrança do próprio Gentili, querido da família, sobre o caso Queiroz.

Autor: Gilberto Dimenstein

Jornalista, educador e fundador da Catraca Livre.

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