Dimenstein: um tapa de Bolsonaro nas feministas e LGBTs

Por: Gilberto Dimenstein | Comunicar erro

“Me preocupo com a ausência da mulher de casa. Hoje, a mulher tem estado muito fora de casa. Costumo brincar como eu gostaria de estar em casa toda a tarde, numa rede, e meu marido ralando muito, muito, muito para me sustentar e me encher de joias e presentes. Esse seria o padrão ideal da sociedade. Mas, não é possível. Temos que ir para o mercado de trabalho”.

Essa é uma das frases polêmicas da advogada Damares Alves, escolhida por Jair Bolsonaro para o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos.

A indicação é um tapa nas feministas, LGBTs e movimentos de direitos humanos.

Um detalhe  quando foi anunciada. Atrás de  Damares Alves estava  o deputado Julian Lemos ( gravata amarela). Por três vezes, Julian foi alvo da Lei Maria da Penha, acusado pela irmã e pela ex-mulher.

O que, vamos reconhecer, é coerente com a história do deputado e de sua campanha eleitoral.

Ao mesmo tempo, é um jeito de tentar acalmar a bancada evangélica, incomodada com o pouco espaço no governo.

O que pensa Damares Alves

As declarações da pastora foram registradas em um vídeo pelo portal de notícias Expresso Brasil no dia 8 de março deste ano, durante comemoração do Dia Internacional da Mulher.

Damares foi questionada pelo apresentador Jaufran Siqueira sobre a possibilidade das mulheres conseguirem conciliar a vida pessoal e a vida pública. Em sua resposta, ela descreveu como gostaria de viver enquanto mulher:

“Me preocupo com a ausência da mulher de casa. Hoje, a mulher tem estado muito fora de casa. Costumo brincar como eu gostaria de estar em casa toda a tarde, numa rede, e meu marido ralando muito, muito, muito para me sustentar e me encher de joias e presentes. Esse seria o padrão ideal da sociedade. Mas, não é possível. Temos que ir para o mercado de trabalho”, respondeu.

A assessora ainda se mostrou preocupada com as crianças cujas mães trabalham fora. Apesar da projeção de sociedade ideal descrita por ela, Damares explicou que é possível as mulheres conciliarem as rotinas nas empresas e em casa.

Ela ainda criticou o movimento feminista por criar o que chamou de uma “guerra entre pessoas do sexo feminino e masculino”. “O que a gente tem visto hoje são as próprias feministas dizendo que não é possível. O que a gente tem visto hoje são elas levantando uma guerra.”

Ainda segundo a advogada, o papel que mais gosta de exercer é o materno. “A mulher nasceu para ser mãe. Também, mas ser mãe é o papel mais especial da mulher. A gente precisa entender que a relação dela com o filho é uma relação muito especial.”

Essas ideia estão em choque com o que pensam as mulheres no século 21, afrontam os novos conceitos de família e destoam dos movimentos de direitos, para os quais respeito à diversidade é sagrado.

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Autor: Gilberto Dimenstein

Jornalista, educador e fundador da Catraca Livre.

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