Folha: filho de Bolsonaro comprou R$ 4,2 mi em imóveis em 3 anos

Por: Gilberto Dimenstein | Comunicar erro

As investigações sobre Flávio Bolsonaro rumaram para o campo imobiliário, como mostra hoje a Folha.
O jornal provoca a suspeitas sobre o enriquecimento do senador, ao lembrar que ele, ao entrar na vida pública em 2002, tinha uma única propriedade: um Gol 1.0

Veja trecho da reportagem de hoje da Folha:

Documentos obtidos em cartórios mostram que o então deputado estadual e hoje senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) registrou de 2014 a 2017 a aquisição de dois apartamentos em bairros nobres do Rio de Janeiro, ao custo informado de R$ 4,2 milhões.

Em parte das transações, o valor declarado pelos compradores e vendedores é menor do que aquele usado pela prefeitura para cobrança de impostos.
O senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) em entrevista à TV Record – Reprodução/TV Record
O período da aquisição dos imóveis pelo filho de Jair Bolsonaro é o mesmo em que o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) teria detectado movimentação de R$ 7 milhões nas contas de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio, segundo reportagem do jornal O Globo publicada neste domingo (20).

Não é a primeira vez que a Folha investiga os negócios de Flávio Bolsonaro.
Já tinha sido publicada uma reportagem com suspeitas de irregularidades – a diferença é que, agora, essas suspeitas se juntam as contas de Fabrício Queiroz.
Veja esse trecho:

em>O deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSC) dividiu nos últimos 13 anos sua atividade parlamentar com atuação no mercado imobiliário.
Flávio entrou na política com um Gol 1.0, em 2002. Quinze anos depois, tem dois apartamentos e uma sala que, segundo a prefeitura, valem R$ 4 milhões. Ele realizou operações envolvendo 19 imóveis na zona sul do Rio de Janeiro e Barra.
A maior parte são 12 salas do Barra Prime, um prédio comercial. Todas foram vendidas para a MCA Participações, empresa que tem entre os sócios uma firma do Panamá. Ela adquiriu as salas de Flávio em novembro de 2010, 45 dias depois de o deputado ter comprado 7 das 12 salas.

Segundo os registros, o político lucrou com a operação pelo menos R$ 300 mil no curto período.

Em 2012, Flávio comprou no mesmo dia dois apartamentos diferentes. Nos dois casos, os ex-proprietários venderam os imóveis com prejuízo –pelo menos no papel– de ao menos R$ 60 mil. Pouco mais de um ano depois, Flávio lucrou R$ 813 mil com a venda dos mesmos imóveis, valorização de mais de 260%.

Resultado semelhante ele teve com um imóvel adquirido na planta em Laranjeiras.

Flávio o declarou à Justiça Eleitoral em 2014, por R$ 565,8 mil. Em 2016, informou o preço de R$ 846 mil. No fim daquele ano, a compra foi registrada em escritura, por R$ 1,7 milhão. Um ano depois, o revendeu por R$ 2,4 milhões.

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Autor: Gilberto Dimenstein

Jornalista, educador e fundador da Catraca Livre.

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