Villa: ‘querem calar a minha voz’, sobre afastamento da Jovem Pan

Por: Gilberto Dimenstein | Comunicar erro

Em entrevista à “Veja São Paulo”, o historiador e cientista político Marco Antonio Villa, apresentador do “Jornal da Manhã”, da rádio Jovem Pan, afirma que sofria pressões da emissora para que deixasse suas funções havia pelo menos dois meses.

Villa conta que cedeu quando o vice-presidente José Carlos Pereira o encontrou pessoalmente na última semana para reforçar o pedido, que seria de Tutinha, presidente da empresa. O comentarista político alegou que o ambiente negativo estava afetando sua saúde.

Em nota, a emissora nega que tenha demitido ou afastado Villa, que estaria de férias. O historiador rebate que essa versão é falsa.

Em sua última participação no “Jornal da Manhã”, na sexta-feira (24), Villa disse que Bolsonaro era despreparado e estava estimulando o neonazismo no país ao convocar atos para atacar o Supremo e o Congresso.

“Um presidente não tem compostura, não tem preparo. Não tem articulação política. Reforça a crítica ao parlamento, estimulando atos neonazistas, como do próximo dia 26, que é claramente no sentindo de fechar o Supremo, fechar o Congresso e impor a ditadura. E o presidente estimula isso”, disse Villa.

Em entrevista ao UOL nesta terça-feira (28), Marco Antonio Villa disse que não está de férias e nem foi demitido.  O comentarista disse ainda ter recebido o pedido de afastamento com ‘surpresa’.

“Recebi o comunicado com surpresa e não gostei, obviamente. Mas é evidente que eu aceitei. Continuo trabalhando, potencializando nas redes sociais, no meu canal no YouTube (enquanto o país está explodindo)”.

O súbito afastamento fez com que ouvintes e blogueiros aventassem a possibilidade de o governo Bolsonaro ter pedido a cabeça de Villa.

Ao Uol o comentarista disse: “Seria leviandade da minha parte dizer que ele teve um dedo nessa história. Não posso dizer que ‘sim’, nem que ‘não’. Seria uma irresponsabilidade”, avalia.

Em relação às reclamações da militância pró-governo, Villa garantiu que tratará Bolsonaro igual tratou Temer e Dilma.

“Não estou contra o governo, mas também não sou a favor. Eu comento com absoluta independência. Isso não agrada no Brasil. O poder não gosta de liberdade”

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