Dimenstein: comentário perfeito de Miriam Leitão sobre aposentadorias

Como eu, Miriam Leitão faz parte dos comunicadores que defendem a reforma da Previdência

Por: Gilberto Dimenstein

É o melhor comentário sobre a reforma da previdência e seus privilégios.

Como eu, Miriam Leitão faz parte dos comunicadores que defendem a reforma da previdência por um motivo simples: sem ela o Brasil quebra.

Simples assim.

E se quebrar, pior para todos –a começar dos pobres.

Mas é triste ver como os privilegiados conseguem manter seus privilégios —

Reforma da Previdência
Crédito: Marcos Corrêa/PRBolsonaro entrega projeto da Nova Presidência aos presidentes do Congresso e do Senado

e até com apoio do presidente da República.

Repito o que sempre digo: somos um país de corporações, não de cidadãos.

Aqui a coluna da jornalista, que deveria ser lida pelos brasileiros responsáveis:

“Quando o Brasil esperava que a discussão da reforma da Previdência finalmente começasse em plenário, os deputados passaram horas discutindo se deveria ou não ser aprovado um projeto que regulamenta a vaquejada. O assunto parecia despropositado, e era. Se a proposta não estava sendo votada é porque corria riscos de ser derrotada naquele momento. Para tentar angariar mais apoio, o governo fez novas concessões, como regras tributárias ainda mais flexíveis para igrejas, perdão de dívida rural e novas flexibilizações para mulheres.

O caminho escolhido foi desidratar ainda mais a reforma, dando novas vantagens aos policiais, ou fazendo o que o presidente Jair Bolsonaro propôs, que é tirar as forças de segurança da reforma. Nesse ponto, até faz sentido discutir a vaquejada. Com proteções dos grupos pelos quais o presidente faz lobby, a vaca vai mesmo para o brejo. A Previdência não está mudando, está confirmando seus defeitos.

Houve cristalização de privilégios corporativos. Os policiais já têm pelo texto da reforma muita vantagem em relação ao resto do país. Trabalharão menos e terão integralidade e paridade. As Forças Armadas também mantiveram, no projeto que ainda será analisado, esses mesmos privilégios. Outro problema da reforma é o de ter aceitado que os estados e municípios fiquem de fora, mantendo uma parte grande do desequilíbrio no sistema.

O objetivo proclamado da reforma era combater rombos e privilégios. Se for aprovada, reduzirá o rombo, mas não será possível caminhar para um sistema menos desigual. Não faz sentido dar a ninguém, numa reforma feita hoje, o direito de se aposentar com o último salário e acompanhar todos os aumentos da ativa. É exatamente isso que tem feito o custo dos inativos ser tão alto. Na reforma do governo Lula, isso foi mudado para o futuro. Quem entrou no serviço público até 2003 permaneceu tendo esses dois privilégios, mas daí em diante não.

A proposta atual provoca um retrocesso nesse avanço feito no governo Lula. Estabelece que algumas corporações continuarão tendo esses dois direitos, que são evidentemente excessivos para os tempos atuais, e diante do rombo previdenciário e da crise fiscal do país. Naquela mudança, feita pelo PT, todos passariam a receber até o teto do INSS e acima disso teriam que contribuir para o fundo de pensão dos funcionários públicos, só que eles sabotaram a própria reforma demorando 10 anos para constituir o Funpresp. Mas conceder esse direito numa reforma feita agora, e que veio embalada com o discurso de combate aos privilégios, é um absurdo completo.

Para se ter uma ideia, os brasileiros do regime geral tiveram uma piora. Antes, para se calcular o valor da aposentadoria eram levados em conta 80% dos seus salários, desprezando-se os 20% menores. Essa média é que ele receberia até o teto do INSS. Agora, serão levados em conta 100% dos salários. Isso puxará a média para baixo. Se for servidor e tiver entrado entre 2003 e 2013, receberá 60% da média de todos os salários, com 2% ao ano a mais a cada ano que contribuir além dos 20 anos. Se tiver entrado depois de 2013, é o teto do INSS. Já os policiais se aposentarão aos 55 e recusaram proposta do governo para baixar para 53. E todos os que estão na ativa vão receber a integralidade e a paridade”.

Como resumiu o deputado Marcelo Ramos em entrevista a este jornal no último sábado:

“Estamos propondo que o pedreiro, o gari, o ajudante de servente trabalhem mais cinco anos até 65 anos e o policial federal não pode trabalhar até os 53? Não é razoável”.

Excluir os estados e municípios da reforma é contratar a manutenção de um enorme desequilíbrio, na opinião do ex-governador Paulo Hartung que, no seu primeiro mandato, conseguiu a proeza de negociar 35 anos de trabalho para os policiais.

“As corporações são muito fortes junto ao governo federal, imagine como são fortes nos estados? Como há uma possibilidade muito fraca de ainda ser incluído, o mais provável é que cada estado tenha que fazer o seu esforço e o seu dever de casa”, diz Hartung.

Com a manutenção de privilégios para corporações, com tratamentos diferenciados sendo cristalizados, deixou de fazer qualquer sentido chamar a reforma do governo Jair Bolsonaro de Nova Previdência. É a velha, com alguns novos parâmetros, com a idade mínima que tinha que ser instituída, mas que nem ela, a idade mínima, é igual para todos.

Por: Gilberto Dimenstein

Jornalista, educador e fundador da Catraca Livre.

1
03:38
Joice Hasselmann é a prova viva da doença mental de Bolsonaro
Joice Hasselmann não fez nada de errado em relação a Jair Bolsonaro. Como política, criou vários canais de diálogo, como …
2
02:21
Polícia Federal revela fraude do PSL
Uma operação da Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão nesta terça-feira, 15, em endereços ligados ao deputado federal …
3
02:44
Carta da prisão mostra suposto mandante da facada de Bolsonaro
O presidente Jair Bolsonaro publicou um vídeo na internet afirmando ter recebido uma carta com o nome do suposto mandante …
4
03:35
Assessor de Bolsonaro chama Coringa de esquerdista sem Deus
O filme do inimigo do Batman chegou definitivamente para colocar mais lenha na fogueira das discussões políticas. Que o diga …
5
02:46
Bolsonaro vai ter de engolir a Folha de S.Paulo sem água
Uma matéria publicada pelo jornal Folha de S.Paulo mostra que a Polícia Federal (PF) indiciou o ministro do Turismo, Marcelo …
6
02:43
Bolsonaro briga com novos métodos medicinais
A proposta que visa liberar o cultivo da maconha medicinal no Brasil segue em discussão na Anvisa (Agência Nacional de …
7
02:42
A novela de Adélio Bispo ganha um novo aliado
Mal assumiu o cargo de procurador-geral da República, Augusto Aras já mostra estar alinhado com Jair Bolsonaro ao aderir à …
8
02:49
Entenda por que Lula não quer sair da cadeia
O ex-presidente Lula reafirmou nesta segunda-feira, dia 30, que não vai aceitar a proposta feita pela força-tarefa da Operação Lava-Jato …