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Netflix: ‘Cuba e o cameraman’ registra a história nua e crua de Cuba

Por: Jacqueline Cordeiro

Documentários são uma forma excelente de entretenimento com conhecimento e têm a capacidade de nos transportar a lugares, situações e épocas que jamais poderíamos pensar.

“Cuba e o Cameraman”, de 2017, comprova isso: é um registro de centenas de horas de gravações feitas por Jon Alpert, um cinegrafista americano, de 1974 até  2016, ano da morte de Fidel Castro.

Crédito: Reprodução/ Divulgação Netflix 

Aos 25 anos, o jovem Jon partiu em uma embarcação de Key West, na Flórida, Estados Unidos, rumo a Havana, Cuba. Dez anos haviam se passado desde o início da revolução liderada por Fidel e ele queria registrar os efeitos disso no desenvolvimento de Cuba e na vida da população. Jon voltaria sistematicamente por mais cinco décadas.

Crédito: Reprodução/Arquivo Jon Alpert 

Nesse longo período fez inúmeras amizades com personagens, tanto da cidade como de zonas rurais mais afastadas, repletos de histórias peculiares e dramas humanos que vão se desenrolando de forma inquietante.

Assistimos à saga dos irmãos Borrego que vão envelhecendo e buscando formas de resistir a cada golpe desferido pela situação de penúria que o país enfrenta. Acompanhamos a história de Luis, um homem que trabalha como guia e faz inúmeros bicos para sobreviver e em dado momento chega até a ser preso. Famílias que crescem e vêem a desesperança atingir suas gerações sucessivamente até que seus netos passam a desejar uma fuga para os EUA.

Crédito: Reprodução/Cortesia: Nagamitsu Endo/NetflixJon Alpert e os irmãos Borrego nos anos 90

Em meio a essas histórias podemos ver cenas incríveis que mostram um Fidel totalmente descontraído, de uma forma nunca vista antes ou mesmo depois, durante um vôo para Nova Iorque onde iria discursar na ONU. Jon  foi o único profissional americano admitido a bordo. Como isso?

O fato é que chamou a atenção de Fidel, durante uma de suas apresentações, uma  pequena equipe que se esforçava para acompanhá-lo carregando pesados equipamentos em um carrinho de bebê. Era Jon, e sua esposa na época, Keiko Tsuno. Foi aí que Fidel, curioso, se aproximou de Jon e passou a conversar com ele.

Jon voltaria a se encontrar pela última vez com Fidel em seu aniversário de 90 anos e depois retorna à ilha para registrar as cenas de seu cortejo fúnebre em uma Havana que se despede tristemente de seu líder, apesar de todas os problemas. Uma cena chama a atenção: um garoto que chora esfregando seus olhos debaixo de um boné da Coca-Cola.

Crédito: Reprodução/Divulgação Netflix 

Em uma de suas entrevistas ao GLOBO, em Nova York, Jon afirma: “Nas primeiras visitas, o que se via era um povo bastante impressionado com a revolução. Depois de uns anos, as críticas começaram a aumentar. Da minha parte, eu via um país que estava indo na direção de promover saúde e educação de graça, o fim do racismo, coisas que eu gostaria que os Estados Unidos tivessem feito também. Mas a Cuba não foi permitido sequer lutar, por causa das sanções impostas pelos EUA. O país não teve margem de ação e teve que tentar consertar tudo por conta própria”.

O filme, antes de qualquer plano ideológico e político coloca o olhar no humano. O que significam de fato planos políticos, ideologias e revoluções no dia a dia de uma população? A realidade se mostra nua e crua`a nossa frente nesse potente e comovente registro histórico.

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Por: Jacqueline Cordeiro