‘Risk’, na Netflix, vaza a imagem não autorizada de Julian Assange

Documentário de Laura Poitras expõe a personalidade controversa do fundador do site WikiLeaks

Por: Jacqueline Cordeiro

Será que, em um ato de coragem, você arriscaria sua própria liberdade para trazer à tona realidades que manipulam a sociedade?

“Risk”, documentário de Laura Poitras é um filme que nos joga dentro da intimidade de Julian Assange durante 6 anos, a maior parte desse tempo vivendo dentro da embaixada do Equador como asilado, desde 2012. Laura é uma diretora que, através de seus filmes, tenta explorar verdades que são sonegadas ao público e que delatam injustiças e crimes cometidos pela esfera do poder político.

Pela temática e viés de seus documentários, Laura é alvo de intensas investigações por parte do governo americano e já foi interrogada e presa, tendo sido considerada uma documentarista antiamericana.

Crédito: Fotografia: Kate Peters para TIME. Foto-Ilustração: D.W. PineCapa Revista Times – Edição de 13 de dezembro de 2010

Julian Assange é o criador do site WikiLeaks, uma organização sem fins lucrativos sediada na Suécia que promove a publicação de material confidencial de governos e empresas fazendo com que cheguem ao mundo fatos sigilosos sem censura e livre de manipulação de dados.

Casos como o vazamento do vídeo mostrando o ataque de um helicóptero americano que matou um grupo de 12 civis nas ruas de Bagdá, incluindo dois correspondentes da Reuters. Ou então a publicação de e-mails da equipe de Hilary Clinton durante a campanha das eleições presidenciais de 2016 nos EUA, que mostravam como a cúpula do partido favoreceu Hillary nas primárias e desvalorizou seu principal adversário, Bernie Sanders. Talvez esse tenha sido um dos principais fatores da vitória de Donald Trump.

Crédito: Reprodução/ Conservative OutfittersHilary Clinton e o vazamento de e-mails durante as eleições americanas de 2016

Essas histórias nos são apresentadas, aqui e ali, descrevendo o cenário das intrigas onde Assange se inseriu até culminar no momento de sua entrada na Embaixada do Equador como asilado.

O tema das acusações de abuso sexual e estupro proporcionam momentos onde a personalidade controversa de Assange se mostra, e nos deixa sem saber como classificá-lo na escala do bem e do mal, do jeito que a conhecemos. Esse caso nos mostra também a capacidade de seu inimigo, os EUA, de inventar e propagar tramas para incriminá-lo e torná-lo uma figura conhecida no mundo todo como um indivíduo que praticou algo vil na esfera sexual, com a certeza de que esse tipo de crime é sempre cercado de curiosidade e tratado como uma bomba a ser replicada pela imprensa.

Há cenas que mostram todo o jogo sujo em que empresas de utilizam do poder da Internet e interceptação de dados para obter lucros e uma posição privilegiada no mercado.

A verdade sendo usada e distorcida o tempo todo pela esfera política e grandes companhias contra os cidadãos do mundo em uma guerra injusta, transformando-os em meras marionetes.

Crédito: Reprodução/El País - AP Images - Fotógtrafo: Markus SchreiberJulian Assange via videolink em uma conferência em Berlim

A narrativa do documentário é meio fragmentada e a diretora vai sendo afetada em sua ideia inicial do projeto, pela visão egocêntrica e inteligente de Julian Assange, que até tenta se utilizar do documentário para difundir algumas de suas ideias e mostrar documentos.

O filme acaba sendo a respeito das contradições, nas palavras da diretora. Assange não pode ser definido como bom ou mal. Não há verdades absolutas e tudo parece dominado pelo desejo de poder.

Crédito: Reprodução/Showtime - Jan SturmannA diretora de “Risk”, Laura Poitras

Até mesmo a extraordinária ferramenta de conexão, a Internet, criada com a proposta de unir e libertar pessoas passou a ser usada também como arma e censura contra a liberdade de sociedades em todo o mundo.

Tanto Assange como Laura correm riscos, até de morte, na certeza de que boas oportunidades e benefícios podem surgir para a sociedade em escala global.

“Risk” é uma excelente aposta para você ficar no sofá da sua casa e ainda assim assumir um risco audacioso: o de ter uma nova perspectiva sobre temas que hoje são cruciais e, a partir disso, não ser mais a mesma pessoa após o final do filme.

Por: Jacqueline Cordeiro

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