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Dietas restritivas podem levar à desnutrição; verifique sua saúde

Falta de ferro, por exemplo, é um dos fatores determinantes para gerar desnutridos e costuma afetar quem abandona grupos alimentares

Por: Redação
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Crédito: Mimzy/PixabayDietas restritivas podem levar à desnutrição; verifique a saúde

A variedade de nutrientes é a peça-chave para a boa alimentação. Por isso, adotar dietas restritivas, como ingerir apenas um grupo de alimentos ou cortar radicalmente o valor calórico diário, pode causar desnutrição e ganho de peso. Em contrapartida, comer sem critério e em excesso também pode levar à falta de nutrientes.

Ter o corpo magro ou gordo, portanto, não é parâmetro para considerar que alguém é ou não é saudável. A desnutrição é uma condição que pode ser encoberta pela falsa sensação passada por uma determinada aparência.

Por fora, bela viola…

Alguém pode pensar: “Carboidratos engordam e fazem mal, portanto vou cortá-los”. Em um primeiro momento, pode ocorrer redução de medidas, mas isso leva a algumas debilidades nutricionais.

Nesse caso, segundo o Lanutri (Laboratório de Avaliação Nutricional da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ), existem muitos efeitos adversos das dietas pobres em carboidratos. Perda de massa óssea, mau hálito, problemas intestinais, fraqueza, sobrecarga renal e dificuldades cognitivas são alguns dos reveses para quem adota essa dieta.

Optar por um regime hiperproteico costuma acarretar na falta de vitaminas A, B6 e E, folato, cálcio, magnésio, ferro, potássio e fibras. Abandonar toda a lactose (“lacfree”) dificulta a obtenção de proteína, fósforo e cálcio, especialmente importante aos idosos.

O mesmo acontece com quem decide viver sem glúten e não tem doença celíaca. De acordo com o Lanutri, a ingestão de farinha de trigo tem potencial para reduzir o risco de câncer de intestino, doenças inflamatórias, dislipidemias e doenças cardiovasculares.

E assim segue uma lista infindável e cíclica de aconselhamentos para deixar a silhueta enxuta. Apenas para citar algumas das dietas mais famosas, sem entrar nas mais exóticas e potencialmente nocivas à vida.

Por dentro…

Assim, como foi exposto pelo ditado popular (com outro propósito, claro, mas que vale como referência), o aspecto externo não reflete necessariamente o estado interno do organismo. Além disso, ao prejudicar o funcionamento do corpo com a diminuição de nutrientes, essas dietas ainda podem ter o efeito reverso a médio e longo prazo.

No livro “O Peso das Dietas” (Sensus, 2014), Sophie Deram, doutora pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), explica que o cérebro “detesta” as restrições e “vai à forra” assim que possível –e isso é uma adaptação natural. Pessoas voltam a engordar, e pior: podem se tornar obcecadas por alimento.

“Se a comida está muito boa, é normal se servir de novo”, afirmou Deram ao periódico da USP. “O prazer de comer é importante na reorganização da relação com a comida.”

Crédito: Lisa Fotios/PexelsDietas restritivas podem levar à desnutrição; verifique sua saúde

A alimentação saudável é harmônica em quantidade e qualidade, de acordo com o “Guia Alimentar para a População Brasileira“, do Ministério da Saúde. A nutrição deve ter variedade, equilíbrio, moderação e prazer.

“Com louváveis exceções, [as dietas] tendem a enfatizar alimentos específicos, propagados como “superalimentos”, e ignoram a importância de variar e combinar alimentos”, lê-se na publicação. “Nessa medida, induzem modismos e levam à depreciação de alimentos e práticas alimentares tradicionais. Não raro, alimentação saudável é confundida com dietas para emagrecer.”

O guia aconselha o consumo de alimentos frescos e que se dê preferência à ingestão de legumes, verduras e frutas da estação de produtores locais.

Ao longo dos anos, no Brasil e em outros países do mundo, as principais doenças deixaram de ser agudas e passaram a ser crônicas, como a obesidade e a desnutrição. Muitas dessas condições poderiam ser evitadas pelo equilíbrio.

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