Passar muito tempo conectado afeta a capacidade cognitiva, diz estudo

Privilegiar o mundo virtual em detrimento do mundo real afeta o cérebro e a sociabilidade; saiba como minimizar os efeitos negativos

Por: Redação

Nossa rotina de atividades no mundo virtual e os hábitos digitais associados a isso estão mudando radicalmente a nossa capacidade cognitiva, reduzindo a massa cinzenta e as conexões entre os neurônios. É o que observaram pesquisadores da área da saúde da Austrália, Reino Unido, Bélgica e Estados Unidos, que analisaram diversos trabalhos científicos.

O problema está no excesso de tempo diante das telas. Apesar de todos os benefícios da internet, para alguns, ela se tornou viciante. E quando o tempo conectado é maior que o tempo dedicado ao mundo real, as perdas aparecem.

homem digitando no computador
Crédito: Dusanpetkovic/istockO tempo gasto no mundo virtual impacta diretamente na concentração e memória

De acordo com a análise dos pesquisadores, quando existe esse desequilíbrio, pode haver danos na memória, na concentração e também na sociabilidade.

Para chegar a essa conclusão, eles se basearam em recentes descobertas psicológicas, psiquiátricas e de neuroimagem. As evidências científicas indicaram, por exemplo, que a atividade multitarefa (prestar atenção e interagir com diferentes redes sociais, e-mails e conferir sites diferentes ao mesmo tempo) nos deixa mais distraídos no mundo real, com dificuldades de focar em apenas uma coisa de cada vez.

O estudante de Tecnologia da Informação Rodrigo Viana, de 28 anos, viu sua capacidade de concentração diminuir bastante nos últimos anos. “Começava a ler um livro de um assunto do meu interesse e percebia que sempre precisava voltar à página anterior para entender o que eu tinha acabado de ler. Era como se eu só estivesse passando os olhos nas palavras, sem estar ali de corpo presente”, afirma.

Uma explicação possível para esse tipo de comportamento foi apresentada pelo co-autor do estudo, Joseph Firth, pesquisador de Oxford. “O fluxo ilimitado de alertas e notificações da internet nos incentiva a manter constantemente uma atenção dividida – que então por sua vez, pode diminuir nossa capacidade de manter a concentração em uma única tarefa”, explica.

Ainda de acordo com o pesquisador, essa avalanche de informações factuais ao nosso alcance começa a mudar as maneiras pelas quais armazenamos e até valorizamos fatos e conhecimentos no cérebro. “O mundo online agora nos apresenta um recurso excepcionalmente grande e constantemente acessível para fatos e informações, que nunca estão a mais do que alguns cliques”, destaca Firtth.

várias pessoas com celulares nas mãos
Crédito: DisobeyArt/istockO vasto conteúdo disponível a poucos cliques desperta ansiedade

A introdução recente e a adoção generalizada dessas tecnologias online, juntamente com as mídias sociais, também são motivo de preocupação para alguns professores e pais. As diretrizes de 2018 da Organização Mundial da Saúde recomendavam que as crianças (de 2 a 5 anos) ficassem expostas às telas de computadores e smartphones, por no máximo, uma hora por dia.

No entanto, o relatório também descobriu que a grande maioria das pesquisas que examinam os efeitos da internet no cérebro foi realizada em adultos – e, portanto, mais estudos são necessários para determinar os benefícios e desvantagens do uso da internet por crianças.

Para minimizar os possíveis efeitos adversos do uso da internet, o pesquisador sugere mindfulness e exercícios que trabalham o foco, juntamente com o uso de técnicas daquilo que ele chama de ‘higiene da Internet’. Tais técnicas incluem evitar a realização de várias tarefas simultaneamente, aderir ao hábito de checar listas e focar em interações mais diretas com as pessoas.

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